Acelerar a moto numa estrada é um sonho que se torna mania após a primeira experiência. Na primeira oportunidade o aprendiz estará de volta, e nos pequenos passeios de fim de semana já irá planejar viagens cada vez mais longas.
Mas, para que o prazer não vire uma roubada, siga os conselhos de alguns dos mais experientes viajantes de todo o país, que juntos tem quilometragem suficiente para dar centenas de voltas em torno do Planeta. Então ai vão os DEZ mandamentos.
1 - O primeiro passo é definir o destino e a proposta de viagem. O tipo de estrada ou falta dela, a topografia e a frequência de postos de abastecimento no percurso poderão definir a melhor opção de motocicleta. Uma grande turismo de luxo como a BMW Tourer K 1200 LT ou a Honda Gold Wing, por exemplo, pode ser uma péssima escolha com quem pretende atravessar o deserto do Atacama.
Da mesma forma, uma cross, que poderia ser uma deliciosa opção nesse tipo de terreno, dificilmente terá autonomia para percorrer as distâncias que separam os pontos de abastecimento de combustível.
2 - Definida a Moto, ninguém precisa lembrá-lo de que ela deverá estar em perfeitas condições, por menor que seja a distância a ser percorrida. Se a viagem for mais longa, é recomendável substituir componentes com meia vida útil(pneus, pastilhas de freio e conjunto de corrente, coroa e pinhão, nas motos que utilizam). Cheque a calibragem dos pneus, o óleo e, quando for o caso, o nível do fluído de refrigeração. Verifique se a fixação dos retrovisores não está com folga. Além de obrigatórios, eles serão fundamentais em sua viagem.
3 - Além de um bom Kit de ferramentas(cuidado com aqueles universais que servem em todas as motos menos na sua), tente levar componentes que sabidamente são mais problemáticos no tipo de equipamentosque está utilizando. Mas leve sempre um conjunto de lâmpadas, um jogo de câmaras(se for o caso dos pneus), um kit de reparo de pneus, fusíveis sobressalentes e um bom lubrificante de correntes para as motos cuja transmissão não é por cardã.
4 - A moto de quem pretende viajar precisa de alguns acessórios obrigatórios e outros recomendáveis, dependendo do tipo de viagem. Carregar bagagem nas costas não é a melhor opção, ainda mais em viagens longas. Use malas(bolsas) rígidas ou alforjes laterais e de tanque. Busque uma fixação perfeita e veja que eles estejam dispostos de forma a não prejudicar exageradamente o equilibrio da moto. Dependendo da região por onde se viaja, um farol de neblina e uma manopla aquecida podem ajudar muito. Se possível, instale um GPS(já existe modelos bastante acessíveis) – o ideal é que seus cabos de alimentação venham direto da bateria da moto.
5 – Não raro, sentimos o impulso de pegar a estrada de bermuda e camiseta regata. Esqueça! Para viajar de moto, use traje completo e os protetores apropriados. Um capacete de primeira linha, jaqueta, calça grossa de brim ou couro ou ainda dos modernos materiais usados hoje pelas confecções especializadas, um par de botas preferencialmente impermeável e luvas são itens obrigatórios. No seu kit de vestimenta não pode faltar ainda um bom conjunto impermeável.
Além dele, é recomendável uma boa capa de cobertura para garantir que você continue seco mesmo depois de longos dias de chuva. Uma cinta abdominal reduz sensivelmente as dores nas costas e rins. Se for enfrentar frio, que sempre é muito maior sobre uma moto, não esqueça os forros de inverno que as jaquetas e calças costumam ter.
Leve luvas quentes e impermeáveis – nunca é demais um par de Under Gloves , luvas bem finas, de seda ou tecido sintético – e meias grossas e de cano alto. Numa emergência, quando faltar algum desses equipamentos de proteção ou, apesar deles, o frio continuar insuportável, algumas folhas de jornal, cuidadosamente colocadas sob o casaco, a calça e luvas, fazem milagres. Mas, se a região for muito fria, apele para um colete térmico.
6 – A bagagem deve ter o mínimo de peças. Quem viaja de moto sabe que precisa lavar roupas ou utilizar as lavanderias de hotéis. Mas não pode faltar uma boa lanterna e uma manta térmica dessas aluminizadas, que pode ser de grande utilidade em situações inesperadas. Um conector de saída 12 volts é fundamental para carregar celulares e outros equipamentos portáteis.
7 – Um bom kit de primeiros socorros é objeto de primeira necessidade. Não podem faltar analgésico, antiinflamatórios e medicamentos para diarréia, muito comum em função da constante mudança de tipos de alimentação e de temperos ou mesmo da qualidade da água. Protetores solares e para os lábios também não podem faltar.
8 – Em viagens pela América do Sul, nossa carteira de habilitação é válida, o mesmo ocorrendo com nossa carteira de identidade. O passaporte facilita a vida nas fronteiras. É importante que todos os documentos pessoais, bem como os da moto, sejam originais.
Para os veículos saírem do país é exigido o Certificado de Registro e Licenciamento e, se a moto estiver alienada, uma autorização do agente financeiro, com firma reconhecida. Se a moto estiver em nome de outra pessoa, você precisará de uma autorização específica para esse fim, com firma reconhecida e assinada pelo proprietário do veículo. Verifique ainda a legislação de cada país se você for para a Argentina, por exemplo, deverá levar um extintor de incêndio, que poderá estar em qualquer lugar, inclusive na sua bagagem.
9 – Quando viajar em grupo é importante vocês definirem um código para facilitar a comunicação durante o percurso e assim evitar paradas desnecessárias. Existem diversos sinais universais, conhecidos por motociclistas de todo o mundo, que podem e devem ser utilizados. Mas nada impede que você e seu grupo criem um repertório próprio.
10 – Tome muito cuidado com a Síndrome dos 10 minutos. A maior parte dos acidentes acontece bem próximo do destino ou ponto de partida, quando se está mais relaxado. Mantenha a concentração “até a parada total do motor”. Boa viagem. Ah! Não esqueça de levar um boa guia.
Essas foram apenas algumas dicas para vocês agora aproveitarem ainda mais a Viagem de Moto. Abraço e cuidem-se.