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1º Enduro Vale dos Sinos em Igrejinha - Ronésio Cascaes

O 1º Enduro Vale dos Sinos em Igrejinha/RS aconteceu no dia 02 de agosto de 2008, e foi válido pela 6ª Etapa do Campeonato Metropolitano. Confira o relato de Ronésio Cascaes, 1º colocado na Categoria A2.

Posso até parecer repetitivo escrevendo minhas aventuras no Campeonato Metropolitano, mas como tem vários amigos que gostam de ler as bobagens que escrevo e, pasmem, ficam incentivando-me a fazer meus relatos, vai aqui mais um, pois não poderia deixar esta prova passar em branco, já que 1º lugar em uma prova do Campeonato Metropolitano, com tantos pilotos bons atuando, não é todos os dias que se conquista.

Desta vez o meu sobrinho Márcio Cascaes estava com a velha DT 200 na oficina. Esta foi a gota d’água que faltava para transbordar o copo, pois ele vinha apanhando da bixinha nas provas (a propósito, se alguém quiser comprar uma DT 200, é só entrar em contato conosco). Então, não teve jeito. Emprestei minha querida Bigorna (nome carinhoso da minha outra moto, uma Tornado 250) que muitas alegrias me deu, e lá se fomos para participar do 1º Enduro do Vale dos Sinos.

Chegamos cedo no Posto 115 para nos preparar e fazer as fotos da galera para o Inema. A expectativa da prova era grande devido às chuvas da semana e esta seria a quarta prova consecutiva em terreno liso. Ainda estavam recentes as agruras que passamos nos enduros anteriores, onde a mãe natureza não nos poupou do seu capricho.

Antes da largada, o Lazaretti comentou com a galera para acelerar na primeira subida que a trilha estava lisa e difícil. Quando chegamos à primeira trilha dava para escutar da rua os pilotos acelerando na subida. Larguei confiante e fui acelerando com cuidado para não escorregar. De cara passei por dois pilotos trancados na subida e me fui embora.

Por esta trilha dava para ter uma idéia do que nos esperava. No primeiro riacho, o piloto da minha frente trancou e deu no bucho da bixinha. Só deu tempo de baixar a cabeça e levar um banho de barro. Mas não deu tempo de lamentar, pois entrei no banhado e sai acelerando para não trancar. Realmente a trilha estava difícil e lisa, mas ia mantendo o tempo.

Passei por uma laje lisa, praticamente no estilo down hill, sem frear, deixando a moto livre para não escorregar, segurando mais abaixo na curva e passando pelo Hélio Guedes. Ufa!!! Finalmente cheguei ao fim da trilha passando pelo PC com bom tempo, para uma rápida descansada no neutrinho.

Depois desta trilha teve um trecho de deslocamento fácil. O segundo PC estava num laço na beira da estrada. Passei pelo PC no início da trilha praticamente zerado. Trilha era curta com uma descida íngreme junto a uma árvore caída. Desci uns dez metros antes da árvore, numa trilha aberta pelos pilotos da frente e me enrosquei em um cipó que deu trabalho para tirar, já que a moto estava próximo do barranco.

Após me livrar do cipó e voltar para a estrada acelerei fundo no estradão para recuperar o tempo perdido (cerca de 01:30 min). Como diz o ditado, o apressado come cru. Não deu outra. No anseio de recuperar o tempo perdido, passei reto no estradão na referência 1,42, tendo que voltar e perdendo mais tempo. Continuei acelerando o máximo possível na estradinha e passei pelo PC 32 segundos atrasado.

Fizemos uma grande volta por estradão antes do neutro na Sociedade de Canto Avante, em Rodeio Bonito, onde a organização colocou lanches e combustível para os pilotos. Encontrei o Márcio que estava tendo problemas com a Tornado, pois caiu a corrente na primeira trilha e perdeu precioso tempo para colocar no lugar. De resto estava indo muito bem. Esticamos a corrente da moto e ele seguiu em frente.

Saímos do neutro e quando passamos pela referência 1,91, a organização da prova desviou um trecho porque a subida poderia virar uma tranqueira para os pilotos das categorias A1, A2 e B . Depois fiquei sabendo pelos pilotos da categoria C1 e C2, que realmente, a subida estava complicada para eles, imaginem para nós, réles pilotos amadores.

Depois deste desvio pegamos uma descida lisa, que colocou a prova a habilidade dos pilotos. Desci em pé nas pedaleiras e fazendo meio cavalo de pau nas curvas lisas. Mas não pude evitar o meu primeiro tombo na prova. Levantei rápido e segui em frente para não perder tempo, entrando num trecho de pura navegação, dificultado pelas trilhas lisas. Era um verdadeiro caos, com pilotos navegando e se perdendo, com diversos laços e passando duas vezes no mesmo lugar.

Felizmente, posso não ser um bom piloto, mas sou bom navegador e consegui sair deste enrosco sem dificuldades. No finzinho deste trecho, acelerei forte para manter o tempo, a moto deslizou no barro e foi de encontro a um barranco. Pressentindo o perigo de ficar prensado entre a moto e barranco, ejetei de cima da moto numa manobra digna de dublê de cinema e sai rolando pela parte de cima do barranco.

A moto seguiu sozinha chanfrando o barranco e caiu encostada no mesmo. Mas não dá nada, que prova de enduro é assim mesmo. Alinhei a planilha e fui em frente de guidão um pouco torto. Um trecho de estradão para relaxar e depois pegamos uma descida forte e lisa onde uns jipeiros estavam subindo. Gritei para o grupo dar passagem, já que estava numa prova, tendo que passar pelos jipes pelos piores trechos, atravessei um riacho, subi e desci de novo.

No finzinho da descida, escorreguei e enveredei para cima de um limoeiro carregado de limões, parando no meio do limões e espinhos. Tirei a moto e segui em frente para mais um trecho de estradão até chegarmos num mato de pinus onde as trilhas lisas e molhadas dificultaram manter o tempo da prova. Esta foi a última trilha da prova, ficando o retorno pelo estradão. Ainda tinha um último PC embaixo da ponte para pegar os pilotos mais apressadinhos e finalmente voltando para o posto 115.

No final me dei bem. Fiquei com o 1º lugar, melhorando a minha classificação no campeonato. Para mim foi uma honra tirar o 1º lugar dentre tantos bons pilotos e um resultado merecido pelo meu esforço em pilotar em condições tão adversas. Para se ter uma idéia da competitividade da galera, apenas míseros 277 pontos separavam o 1º colocado (euzinho) do 10º, mostrando que esta é uma das categorias mais disputadas do Campeonato Metropolitano, pois 22 pilotos disputam prova a prova a liderança da categoria.

Espero continuar com este desempenho nas próximas provas e chegar no fim do campeonato com um bom resultado. Fica aqui o nosso agradecimento ao pessoal da organização, à Prefeitura de Igrejinha, à Polícia Rodoviária Estadual e à Brigada Militar, pelo apoio que é tão importante neste tipo de evento.

Claro que não podemos deixar de mencionar os proprietários de terras que nos permitiram passar nas suas propriedades. A todos os pilotos participantes o nosso agradecimento.
 
Ronésio Cascaes

Fonte: Ronésio da Silva Cascaes
Cidade: Canoas-RS-Brasil
Fotos: Ronésio da Silva Cascaes
Publicado: Fernanda Cristina Gonzales Ferreira
Date: 02/08/2008 <%insert_data_here%>

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