Dia 12 - RedBay & BattleHarbour.
Acordamos com o som do auto-falante avisando que o tempo estava bom e que estávamos chegando em Labrador. Tinhamos passado da ilha para o continente durante a noite. Olhei para fora, o tempo estava limpo, apenas com algumas nuvens no horizonte. A temperatura era de 14ºC.
Olhando o lugar, vi que já estávamos ao lado de uma ilha ou mesmo do continente. Fui tomar o café e nos falaram sobre o Red Bay, um lugar que tinha uma historia de caça às baleias, e que era uma vila com bastante contato com o Canadá. Depois do café, enquanto o pessoal baixava os botes, eu fui para a proa e dali pude ver a cidade e, sobre a ilha, duas casas logo em frente.
O nosso passeio seria visitar a ilha e depois uma pequena vila de poucas casas. Primeiro baixaram os caiaques, para os que optaram passear neste transporte nessa viagem. Esperei todos embarcarem, eu iria no último barco então corri para vestir meu colete salva vidas e desci também. Conforme avistava meus conhecidos descendo, também fazia uma festa com cada grupo que seguia para a ilha.
O pessoal do caiaque desceu, com o bote puxando os caiaques. Assim que Meg, que estava controlando a chamada, me chamou, eu segui para a ilha pelo sentido contrário ao dos outros botes. Éramos nós o ultimo barco e pelo sentido que íamos, parecíamos estar indo para o vilarejo. Olhei para traz e o navio foi ficando para traz da ilha e deu para ver que na ilha tinha 3 casas em um lado dela.
O bote fez uma volta e foi para a ilha, onde os outros já nos esperavam. Ali tinha mais uma casa que eu não tinha visto. Desembarcamos, tiramos os coletes salva vidas, deixando-os ali junto da casa, e seguimos o guia local que falava sobre o lugar. Eu queria tirar umas fotos das plantas, afinal de contas estávamos em Labrador, mas o pessoal seguiu caminhando, então deixei as fotos pra depois e segui com o grupo.
A vista da cidade era linda e agora dava para ver toda ela, inclusive a igreja.
A ilha hoje é um sitio arqueológico da época de 1500, tempo em que era conhecida pelo porto das baleias. Era considerado um bom porto, pois era largo e profundo, fácil pra se ancorar. O clima severo e solo pobre limita as vegetações a arbustos e grama. Na ilha Sanddle floresce uma planta chamada Alpine Bistort. Gaivotas (gulls) e outros pássaros criam ninhos nas rochas ao longo da costa.
Em 1715 os franceses estabeleceram ali uma base comercial a partir do comerciante Pierre Constantin de Quebec. Um antigo barco de madeira estava ali na ilha completamente destruído, com um morto ao seu lado. Enquanto o guia explicava, aproveitei e cruzei o grupo para caminhar na frente e ver o que eu encontraria de novo.
Olhei as plantas e via pássaros mais longe levantando vôo ao perceberem nossa presença. Olhando de volta para o continente, deu para ver a cidade e as elevações de terreno, todas verdes, nos poucos meses que não neva na região.
O guia explicava que o óleo de baleia era levado em vasos ou em tonéis presos com cordas, parecidos com os que usamos para vinho hoje em dia. Também falou das ferramentas que íamos encontrando conforme íamos descobrindo a ilha. Uma vantagem de eu ir na frente era poder ler as placas que continham informações detalhadas sobre cada local onde fora encontrado algum artefato arqueológico.
Em alguma subida, avistei um navio abandonado, todo de ferro, mas destruído pelo tempo e pela ferrugem. Fui caminhando em sua direção, mudando de ângulo e observando todo seu interessante casco. Quando estava do outro lado vi o pessoal de caiaque, alguns em dupla e outros navegando solitários. Vários deles levavam uma maleta Pelican para fotografia. Fiz algumas fotos deles e continuei seguindo a trilha pela ilha.
Alcançando uma ponta da ilha esperei o pessoal chegar. Da onde eu estava podia avistar o grupo, o navio enferrujado e a cidade ao fundo. Fiquei ali simplesmente observando Labrador. Quando olhei para o outro lado, vi o nosso Navio. Ao meu lado um pássaro diferente caminhava tranqüilo em seu habitat e até tentei me aproximar, mas ele não tinha essa mesma intenção e acabou voando.
Os mosquitos não davam trégua e ainda bem que em St Johns eu havia comprado um repelente, que nessa hora estava no meu bolso, então aproveitei e passei um pouco no pescoço, rosto, nuca e inclusive nas mãos.
Buscando por flores e plantinhas, agora eu seguia o caminho sobre madeiras, pois tinha algumas poças nas rochas que estavam cheias de mosquitos. Ao longe vi um navio cargueiro seguindo para o sul.
Neste lado, eu vi inúmeras gaivotas que deviam ter seus ninhos perto dali, pois estavam muito agressivas. Então vi os filhotes e lamentei não ter minha lente grande comigo, pois faria uns closes dos filhotes que ficariam excelentes. Caminhando adiante encontrei um monte de filhotes.
Mais adiante, encontrei uma placa descrevendo os fatores que fazem as baleias serem tão desejadas pelos pescadores. Eram animais que se moviam lentamente, de fácil aproximação, que boiavam quando morriam, andavam em grupos, tinham quantidades enormes de óleo e muitos ossos.
Voltamos pela trilha, observando o nosso navio, as cainhas e muitas gaivotas. Depois, nossa visita era na ilha e dava para ficar imaginando como era esse povo a 450 anos atrás. Parei pra fazer umas fotos de plantas, mas não tive tempo, pois tinha que ir para o bote para irmos para o vilarejo de Red Bay. No caminho, entre a ilha e o vilarejo, passaram alguns botes das pessoas que vinham da vila para a ilha e eu vi que poderia ter ficado mais tempo lá.
O pessoal de caiaque também desembarcou na vila antes da gente. Na vila, onde desembarcamos tinha um museu, no qual entrei, tirei o colete salva-vidas, e percebi que havia também uma lojinha cheia de coisas, mas minha bagagem já estava grande demais para levar mais recordações matérias então parti pro museu para levar mais memórias.
Gastei um bom tempo no museu, pois vi muita coisa interessante. Tudo que eles acharam de mais importante na ilha foi para este museu.
No museu vi como eram feitos os navios daquela época, vi algumas replicas em escala, até de uma caravela muito bem feita, que podíamos ver em detalhes e até por dentro.
Em tamanho real, existia uma réplica da parte navio, onde eram armazenados os barris de óleo, seguindo os dois andares do museu. Muitas partes dos navios, eles conseguiram achar e manter como roldanas de madeira, tudo feito em madeira, cerâmicas, ossos, arpões de ferro e de madeira e até uma carcaça de rato. Roupas utilizadas naquela época eram quase como sacos de estopa.
Como só eu ainda estava no museu, sai para ver o pessoal que já estava voltando para o barco. Eu, então corri para dar uma olhada num outro museu no alto da colina, próximo a igreja, pois me disseram que poderia ver ossos de baleia lá. Enquanto eu subia, o pessoal voltava, cheguei lá e vi um barco antigo e ao seu lado duas costelas de baleia, do tamanho do barco. Também na parede os ossos de uma das nadadeiras chegavam a aproximadamente 3 metros.
O pessoal da TV ainda estava filmando ali então não me preocupei, também tinha uma senhora que o pessoal levou de carro até o ancoradouro. Fui descendo e admirando a pequena ilha ali na frente, onde tinham destroços de casas de pescadores da época. Também fiquei observando as casas do pessoal que vive ali.
O povo do Canadá é muito organizado, limpo e criativo. Achei uma graça uma lixeira que era na forma de tonel, com um gato desenhado ao lado. Nos seus jardins, colocam vários enfeites e adornos para embelezar também a área externa de suas casas. Descendo mais, vi que tinha uma trilha de madeira com um caminho por cima de outra colina. Se eu voltasse outra vez ali, poderia conhecer mais este local do vilarejo.
Ao chegar de volta ao museu, em frente ao navio, vi um motociclista que se preparava para seguir na sua Harley. Esperei ele seguir a estrada e sumir no horizonte e já que o pessoal não havia voltado, tirei algumas fotos.
Chegou minha amiga que não consegue caminhar muito, por alguma dificuldade motora em uma de suas pernas. Tirei uma foto muito bonita dela com as casas do vilarejo e o mar ao fundo. E ela tinha um utensílio muito curioso: uma bengala que vira uma cadeira.
Depois tirei mais algumas fotos do Leandro e a Hellen que eram brasileiros também. Como sempre, eu estava no ultimo bote, o guia local ficou ali se despedindo antes de voltarmos para o navio. Tinha sido uma tarde agradável, com muita coisa para ver. O início do Labrador.
Aqui era outro lugar que dava para chegar de carro, pegando a ferry obviamente.
No caminho de volta, as ondas levantavam água, molhando muitos dos botes. Assim que subimos no navio, logo nos chamaram para repormos as energias da manhã com um almoço reforçado.