Enquanto almoçávamos, o navio seguia na direção de Battle Harbour. Depois do almoço, eu dei uma volta na parte de fora com mais alguns passageiros e ficamos observando os poucos pássaros que apareciam. Então avistamos um Iceberg, era o primeiro que chegava tão próximo. Peguei minha lente 800 mm e fui tirar umas fotos dele, com isso, pude notar que atrás dele tinha terra.
A forma desse bloco de gelo era sensacional, moldada possivelmente pelas temperaturas mais quentes do sul do Labrador. Mais ao fundo e ao lado, notávamos a chuva caindo. Estas peculiaridades que eu admiro em viagens de navio, pois somente nesta forma de tranposrte conseguimos ver mais longe e observar a natureza agindo num contexto mais amplo.
O número de pássaros aumentou assim que nos aproximamos da costa e a numerosa quantidade de passageiros admiradora desses animais veio munida de binóculos para o convés, orientada pelo empolgado Tony, para ver as mais variadas espécies destes animais voadores
Avistamos uma vila e também um farol, logo antes do barco parar lançando a âncora e pendurando a bandeira do Canadá no mastro. Permaneci na proa, observando o processo de ancoragem e tentei conversar com um simpático marinheiro russo, mas não obtive sucesso e desisti do contato, logo antes de sua namorada (creio eu) chegar; deixei os dois e fui ver o desembarque.
Estava ficando cada vez mais frio e o tempo mais fechado, trazendo a chuva pro nosso lado. Seguimos então, para Battle Harbour. Chegando nesse vilarejo, avistamos casas com estilo colonial e dois veleiros ancorados, um grande e outro menor, mas ambos com bandeiras norte-americanas.
Nossa chegada foi lenta no porto e pude ficar admirando os veleiros, pois é um tipo de embarcação que sou apaixonado. Assim que chegamos, dava para ver tudo arrumado como se fosse um museu a céu aberto, dando a impressão de cenários. Deixei minha mochila ali na entrada do porto enquanto ouvia um dos guias locais falando sobre o lugar e depois nos dividir em dois grupos.
Acabei indo em um dos grupos, mas não gostei, pois ele ficava falando muito e eu queria olhar livremente por ai, até por que o tempo de duas horas que tínhamos era pouco para mim. Fui em cada prédio olhar o que tinha e fotografei alguns. Em muitas casas haviam objetos que eram encontrados com facilidade nas colônias do Rio Grande do Sul. Também nessas casas vi acessórios de pesca bem interessantes.
Voltei, encontrei o Fernando filmando do ancoradouro e fiquei ali durante um tempinho observando a igreja e o funcionamento do gerador a diesel do vilarejo. Decidi então ir até a igreja para ver o interior e também ter uma vista mais alta da vila. Dali pude perceber que o pessoal do veleiro maior era da academia marítima americana e estavam fazendo a Arctic Voyage 2008. Segui então, para a igreja e bem quando encontrei um grupo que de lá voltava, uma forte pancada de chuva começou.
Entrei na pequena igreja e gostei bastante, tanto que me segurei para não badalar o sino. A igreja chamava-se St. James e foi construída no período de 1852-1857. Foi o último trabalho do Reverendo William Grey e a igreja faz parte das missões na costa do Labrador, construídas no padrão gótico, toda em madeira, como as igrejas anglicanas do Canadá.A vista de cima era linda e a chuva continuava caindo.
Vi a sede da polícia, que era uma casinha de 4 metros de largura por 4 metros de comprimento. Depois fiquei imaginando como era um processo daqui, em que as pessoas secavam os peixes em instrumentos de madeira que tinham em frente as suas casas. Lembrei então do guia falando que nas casas normalmente haviam 35 lugares.
Molhado e cansado, para mim já seria o suficiente, afinal de contas esta é mais uma história do Labrador. Da natureza eu não teria nada mais para ver com aquela chuva, assim voltei ao navio no primeiro bote. Logo todos estavam também de volta no navio.
Fomos jantar, enquanto o navio se afastava e isso era algo que eu realmente não gostava, pois na chegada ou na saída estávamos sempre almoçando ou jantando. Mas como sem comer não dá pra ficar, eu fiz rapidamente minha refeição e já sai para me despedir das terras de Battle Harbour. Neste dia vi a chuva castigando o continente até seguirmos mais um pouco e a chuva desaparecer na imensa distância.
Mesmo com o frio, fiquei curtindo o pôr-do-sol e o nascer da lua. Fiquei bastante tempo no convés e via as pessoas saírem para dar uma olhada, mas logo voltarem devido a baixa temperatura, que nessa hora estava em torno de 4ºC, mas com o vento a sensação térmica era de muito mais frio.
Creio que era meia-noite quando rumei do frio convés para recuperar as energias no conforto de minha cama.