13 - Navegando pelo Labrador
A manhã estava linda e o céu limpo, mas não fizemos nada. Alguns ficaram ali na proa ou no topo do navio olhando os raros pássaros que apareciam e admirando o mar azul. Estavam dando uma série de palestras, mas eu optei por ficar curtindo ali fora, estava feliz por não ter mais a dor nas costas e ter dormido bem, o remédio tinha funcionado.
James deu uma palestra sobre o aquecimento global e eu tinha brincado o tempo todo com ele, falando que isso tudo era moda, coisa de momento. Então fui lá assistir e achei muito boa a apresentação. Durante o almoço nos falaram que iríamos parar em uma ilha deserta, então logo após o
almoço, fui ver a paisagem e constatei que conforme nos aproximávamos da terra, surgiam mais e mais pássaros.
A maioria dos pássaros não conseguia levantar vôo com tantos peixes que tinham na barriga. Ao nosso lado, Tony explicava tudo sobre os pássaros. Mesmo sendo passageiro, era também um bom guia. Quando estávamos mais próximos das ilhas, mais pássaros apareciam, agora era em grande quantidade.
O pessoal desapareceu da proa e o marinheiro russo voltou para lançar a âncora. O navio continuava avançando, vi a ilha, um farol, ilhas cobertas da pela tundra. Ao fundo, vimos outra ilha e atrás dela um iceberg. Saíram dois botes para verificar um lugar para fazer desembarque, um seguiu reto em frente, e outro foi contornando. O Fernando chegou a comentar: “Será que ele vai no iceberg?”. Eu falei que achava pouco provável porque era muito longe.
Uma senhora do navio ficava mexendo em um talismã para curar seu dedo que estava machucado e se divertia enquanto eu tirava fotos desse momento. Acompanhei o pessoal desembarcar dos botes e desta vez levaríamos armas de fogo em cada embarcação, pois estávamos em áreas habitadas por Ursos Polares.
Saiu um bote só da equipe de organização, que partiu para a ilha, e eu fiquei ali esperando o ultimo. No meu bote foi o pessoal de sempre e também mais o da TV. Ali adiante, nosso bote encostou em outros dois que estavam parados e o pessoal da TV foi transferido para estes. Creio que era por que o nosso já tinha muita gente e fiquei feliz com essa transferência pois assim poderia fotografá-los.
Enquanto esperávamos, uma das guias estava mostrando em um saco plástico alguma coisa que ela pegou da água. Seguimos então nos três barcos para explorar as ilhas. Primeiro, nos aproximamos das pedras e ficamos analisando os formatos. Encontrei uma rocha que parecia uma arvore petrificada e ficamos discutindo essa questão no bote, mas não tinha ninguém que entendesse o suficiente.
Eu via que o Fernando filmava a rocha, então fiz umas fotos dele para que ele pudesse ter algumas recordações destes momentos. Seguimos os outros dois botes contornando a ilha. Na curva, tinha algumas pedras cobertas por limo, num tom de verde lindo. Conforme fomos fazendo a volta pela ilha, avistamos o pessoal dos caiaques e também o pessoal que tinha feito um desembarque na ilha. Mas, os outros dois botes seguiram em direção a outra ilha mais afastada, onde estava o iceberg.
Fiquei eufórico e seguimos para este mesmo destino. A guia pediu para que guardássemos os equipamentos, pois ela ia acelerar e poderia molhar, mas eu disse que estava tudo bem, fiz algumas fotos e filmei o caminho até chegarmos perto do iceberg.
O bote pulava muito, as fotos serviram somente para lembrar os pulos mesmo. Assim que chegamos mais perto tive a oportunidade de fotografar os outros botes ao lado do iceberg e essas fotos ficaram lindas pois o iceberg estava bem derretido, com formas incríveis. Começando a girar em torno dele ficamos longe para evitar que ele virasse e nos jogasse na água.
Fiz uns closes, mas quando chegamos no lado onde estava batendo o sol diretamente, ele ficava completamente branco. Ele assumia formas diferentes a cada momento que nos movíamos em redor dele. Uma hora parecia uma mulher deitada, depois um avião, depois uma vaca... As ondas se tornavam evidentes quando passavam por ele.
No lado onde batia o sol dava para ver a parte de baixo que assumia uma cor verde-claro naquele mar. Tirei um auto-retrato com ele atrás e adorei.
Circulamos novamente o iceberg e eu gostava mais dele na contraluz. Consegui fazer umas fotos dos botes passando na sua frente, uns closes, e ainda consegui clicar uns pássaros cruzando na frente do bloco de gelo. Então pensei: ‘Como gosto destas coisas’.
Então, seguimos para a ilha em alta velocidade, pois era longe, e fomos surpreendidos por uns pássaros e paramos para admirar. Acabamos de ver um tipo pato em cima de uma ilha, nossa guia surtou e chamou os outros botes para ver o pato. Ao meu ver ele deveria ser raro, mas acabei não sabendo que ave era exatamente.
De repente, ele voou e durante o seu vôo eu percebo que havia mais 3 ali na água. Nisso já aparecia outro bote de frente, então deduzimos que foi isso que assustou o patinho. O pato voava em círculos, então o ninho dele deveria ser na ilha. Seguimos adiante, passando pelas ilhas, parando para observar, diversas vezes, os pássaros que estavam na água.
Tinha muitos pássaros pelas ilhas, alguns voavam sozinhos e outros em bando. Uma espécie muito interessante era uma das patas vermelhas. Era lindo ver ele voando com as pernas vermelhas, dando a impressão de que possuía uma rabiola vermelha, como uma pandorga.
Certo momento, paramos para ver alguns animais na água como águas vivas. Uma delas, inclusive era maior que duas mãos juntas. Depois, seguimos para a ilha para nos reunirmos com os outros que já tinham descido.