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Rio - Lagos Andinos - Versão light para casais 2008 - Parte I

A viagem que aqui relato foi feita com minha namorada, percorrendo 5 estados brasileiros, 4 regiões chilenas e 12 províncias argentinas em um total de 10300 km. A viagem foi realizada no período de 01 a 27 de fevereiro de 2006. Confira a Parte I.

Esse relato é para você que tem muita vontade, mas também tem uma dose cavalar de prudência e um pouco de receio, você que é muito apaixonado pelos prazeres que tua moto te traz, mas também é muito racional nas suas decisões, é pra você como eu...como nós.

 

01/fev -  Via Dutra, o começo do sonho -  Rio de Janeiro - Lapa   900km

 

Dia 01 fevereiro, 04:30h, hora de acordar, sabia que provavelmente esse seria o único dia que eu e Ludmilla conseguiríamos madrugar nos quase trinta dias planejados para a viagem, então, finalizamos tudo e colocamos toda a tralha na negona (moto). Por volta das 06:00h estávamos saindo do posto da Dutra de tanque cheio.

 

Depois de enfrentar dias de calores intensos no Rio, meu grande receio era ter que passar bom tempo torrando na estrada, como a vida nos reserva várias surpresas, pasmem, um dos maiores frios que passamos nesta viagem, que chegou até Bariloche, com suas altas latitudes, picos nevados e o Parque provincial do Aconcágua, foi aqui do ladinho, na Serra das Araras que trememos um pouquinho, bom, explicação deixamos a cargo de um meteorologista.

 

E nessa hora, me passa na cabeça como é bom saber apreciar cada aspecto singelo ou mesmo rotineiro que a natureza apresenta, até aquela serra com que eu estou super acostumado foi contemplada com mais carinho e estava mesmo linda. A moto estava sem qualquer alteração, com seu consumo médio em torno dos 14 km/l.

 

Assim foram as primeiras centenas de quilômetros, a Dutra muito boa, sem pedágio para motos, assim chegamos ao primeiro dos pouquíssimos pontos baixos da viagem, pois é, não tem jeito, enfrentar SP e suas marginais: Tietê, Pinheiros, adentrar na cidade até pegar a Régis Bitencour, mas fazia parte, foi o roteiro escolhido, rumo a Curitiba e arredores. A Régis estava boa, sem maiores razões para reclamações que já foram rotina...olha outro louco de moto parado na beira da estrada tirando foto da paisagem! Quanta tralha!

 

A partir da Régis Bitencour, saquei as informações que imprimi do site do DNIT (altamente recomendado para informações de qualquer estrada brasileira), para conferir quais eram os trechos que apresentava alguma restrição, foram poucos, em um deles tivemos que parar por 30 min para que máquinas fizessem seu trabalho, nessa hora conhecemos o francês Danny Gonzalvez que tinha alugado uma Falcon em SP, indo até a Bahia e estava voltando para descer até Buenos Aires, era o louco da beira da estrada que estava fotografando, depois de passar várias dicas para ele, tanto de estradas como lugares pra ficar no Sul do Brasil, fomos embora.

 

Na chegada a Curitiba, pude comprovar um ruído que iria me acompanhar ainda por muitos quilômetros, alguma coisa como ferro batendo em ferro, inspecionei algumas vezes e nada de achar o que poderia estar em desacordo, como os componentes críticos não estavam abalados segui a viagem.

 

Assim chegamos a Lapa-PR, cidadezinha bem aconchegante e graciosa onde o Exército bem presente apóia a tranqüilidade por lá, recomendo parar por ali. Até Lapa foram 901 km que devido à boa condição das estradas e à euforia do primeiro dia (fenômeno normal àqueles que se aventuram em viagens longas), não foi pesado ficar as mais de 10 horas a bordo da moto.

 

À noite saímos para experimentar a culinária da região, mas por praticidade e fome mesmo (eu costumo dizer que na hora da fome não se deve arriscar em novidades para o estômago), ficamos com a boa e velha pizza, hummm, por sorte estava uma delícia e foi a primeira de muitas refeições do casal que viriam adiante nesses dias de aventura, umas ótimas outras nem tanto, mas o que importava era compartilhar aqueles momentos.

 

  02/fev  - O Sul verde - Lapa - Treze Tílias  310 Km

 

Depois de alguns quilômetros afastados de Lapa, a Rodovia do Xisto mescla um belo pano de fundo verde (mata densa adjacente à estrada) como perigo dos vários animais que saem da estrada sem acostamento. Na bonita chegada à cidade de São Mateus do Sul, o primeiro contato com o Rio Iguaçu que dias mais tarde iria nos apresentar o espetáculo com suas quedas. A vontade de conhecer a cidade de colonização austríaca nos fez percorrer um trecho bem curto no segundo dia.

 

Depois de uma ajudinha do GPS, pois é, meu mapa não contemplava o trevo que entrei, por sorte estava no caminho certo, rumo a Treze Tílias. Cidade bonita com suas construções típicas e muita gente falando alemão pela rua, isso mesmo, são as várias caras do Brasil. Ali demos uma esticada até Vila Pinhal que é um vilarejo a 9 km do centro, para quem gosta de guloseimas artesanais é prato cheio, literalmente.

 

Ali, mais uma vez procurei algum mecânico que pudesse me ajudar a localizar o ruído chato e com extrema alegria, descobri que a grade do escapamento estava sendo pressionada pelo alforje esquerdo e batendo na chapa de alumínio do escapamento, depois de forçar a grade para o seu lugar, uma volta para testar e ótimo, estava sanado o problema...na verdade era um paliativo, como eu iria descobrir mais tarde, o problema principal não era esse.

 

E como a terra mudou de cor nos últimos quilômetros, um marrom bem vivo, quase vermelho, que nos acompanharia por muito tempo no do Sul do Brasil e boa parte da Argentina (e mudaria também a cor da moto e de nossas roupas até a ducha mais próxima), acho que esse solo é o responsável pela imensas plantações de soja, verde puro, muito bonito.

 

Viagens como essa servem e muito para quebrar tabus, quando muitos imaginam o Sul do Brasil como uma área fria, nos surpreendemos com o maior calor enfrentado na viagem, entre Passo Fundo e São Miguel das Missões e pra piorar, mais uma parada forçada para esperar reparo na BR 285, nossa, parecia que estávamos derretendo ali, parados, sem nenhum vento, sol a pino, tentando entender por que o Sul ali não estava frio como deveria? Fiquei com medo da Lu não agüentar. Foram 10 min de pura agonia, só 10 min até liberarem a pista, mas como aquilo demorou, só de lembrar já me faz suar.

 

Em São Miguel fomos em busca de um lugar para descansar o esqueleto e muita, muita água, impressionante como o calor torna a viagem muito mais cansativa. Depois de recobrados, direto às ruínas das Missões, vale ressaltar que nos preparamos para isso, desde ler artigos sobre a civilização que ali prosperou até assistir o filme “A Missão” com Robert de Niro, pois agora ali estávamos, contemplando de perto o que já tínhamos planejado, acho que isso é uma das coisas mais bacanas de se fazer em concretizar viagens ou sonhos, contemplar com os próprios olhos, estar presente, onde um dia, só tinha sido imagens e planos em nossas cabeças.

 

O lugar te envolve, impossível não respirar a cultura guarani naquele espaço de muito verde e imponentes ruínas, é fácil voltar no tempo ali. Como nem tudo é perfeito, a luz faltou as 1800h e não chegou até a madrugada, adeus ao tão esperado espetáculo de luz e som nas ruínas, que fazer? O lado bom é que dormimos mais cedo.

 

03/fev - Frio no RG do Sul? Que frio? Trezes Tílias - São Miguel das Missões  537 km

Saindo de Treze Tílias, passando por Água Doce em direção a Catanduvas, uma informação errada me fez cair no sentido oposto ao desejado, a intuição falou alto, e como não havia nenhuma placa depois de alguns quilômetros rodados, mais uma vez o GPS me orientou...bendita setinha indicando o lado oposto. No caminho certo, lá fomos rumo ao Rio Grande do Sul. Linda passagem pela divisa, o Rio Uruguai, que calmamente fascina pelo seu porte e suas águas espelhadas, ele que mais tarde iria nos acompanhar por um longo trecho nas cidades de águas termais argentinas, pausa para fotos.

E como a terra mudou de cor nos últimos quilômetros, um marrom bem vivo, quase vermelho, que nos acompanharia por muito tempo no do Sul do Brasil e boa parte da Argentina (e mudaria também a cor da moto e de nossas roupas até a ducha mais próxima), acho que esse solo é o responsável pela imensas plantações de soja, verde puro, muito bonito.

Viagens como essa servem e muito para quebrar tabus, quando muitos imaginam o Sul do Brasil como uma área fria, nos surpreendemos com o maior calor enfrentado na viagem, entre Passo Fundo e São Miguel das Missões e pra piorar, mais uma parada forçada para esperar reparo na BR 285, nossa, parecia que estávamos derretendo ali, parados, sem nenhum vento, sol a pino, tentando entender por que o Sul ali não estava frio como deveria?

 Fiquei com medo da Lu não agüentar. Foram 10 min de pura agonia, só 10 min até liberarem a pista, mas como aquilo demorou, só de lembrar já me faz suar.
Em São Miguel fomos em busca de um lugar pra descansar o esqueleto e muita, muita água, impressionante como o calor torna a viagem muito mais cansativa.

Depois de recobrados, direto às ruínas das Missões, vale ressaltar que nos preparamos pra isso, desde ler artigos sobre a civilização que ali prosperou até assistir o filme “A Missão” com Robert de Niro, pois agora ali estávamos, contemplando de perto o que já tínhamos planejado, acho que isso é uma das coisas mais bacanas de se fazer em concretizar viagens ou sonhos, contemplar com os próprios olhos, estar presente, onde um dia, só tinha sido imagens e planos em nossas cabeças.

O lugar te envolve, impossível não respirar a cultura guarani naquele espaço de muito verde e imponentes ruínas, é fácil voltar no tempo ali. Como nem tudo é perfeito, a luz faltou as 1800h e não chegou até a madrugada, adeus ao tão esperado espetáculo de luz e som nas ruínas...que fazer? O lado bom é que dormimos mais cedo.
 

Fonte: Adriano Ferreira
Cidade: Rio de Janeiro-RJ-Brasil
Fotos: Adriano Ferreira
Publicado: Fernanda Cristina Gonzales Ferreira
Date: 01/02/2006 <%insert_data_here%>

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  Evento 10000 - Rio - Lagos Andinos - Versão light para casais

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