Ver o O Iceberg já tinha valido o meu dia, foi ótimo chegar tão perto de algo tão fascinante. Depois dessa experiência inesquecível fomos para a ilha, onde já existiam dois grupos, um no topo e outro indo. Chegamos à enseada onde duas pessoas da equipe de organização, o médico e o fotógrafo, nos esperavam para ajudar no desembarque.
Descemos e a líder da expedição deu instruções para os dois grupos. Ela disse que um poderia ir até o topo da ilha e outro ficaria ali na beira curtindo as plantas. Como estávamos em uma região onde vivem ursos polares, teríamos que ficar sempre em grupo para não haver descuidos com a segurança. De um ângulo diferente, na outra ilha víamos destroços de um barco e talvez de uma casa com as madeiras completamente deterioradas.
Após a líder falar, o geólogo James ficou explicando sobre as formações rochosas. Eu fiquei ali vendo as plantas e também vi que tinha uma casa abandonada na ilha, com madeiras pelo chão e um fogão detonado bem antigo. Fui juntamente com o grupo que subiu a ilha, queria ter a vista lá de cima.
Dava para ver lá em cima um atirador de vigia. O pessoal da TV seguia o grupo carregando um tripé e a grande filmadora profissional. O terreno era rochoso e coberto em partes por uma tundra fofa que chegava a afundar uns 10 centímetros quando nós pisávamos.
Um guia seguia conosco explicando sobre a flora. Em algumas partes da ilha, se viam lagos formados pelas chuvas e ali nasciam plantas interessantes. Na metade da subida, vi que no topo da ilha havia mais um atirador.
Tinha muitas plantas para fotografar, mas como estávamos a recém na metade da subida tirei poucas fotos só para me lembrar e depois iria tirar mais detalhadas dessas tantas lindas flores que se espalhavam pela ilha.
Chegamos a outro laguinho, cheio de plantas que pareciam árvores. Tentei fazer uma boa foto, mas não saiu exatamente como eu esperava; além de ter muitos mosquitos, queríamos subir logo no topo da ilha. Novamente pensei: “Na volta faço uma melhor.”
Cheguei ao topo, a vista era linda e ampla, fiquei olhando todas aquelas ilhas rochosas.
Depois desse momento de contemplação, a euforia tomou conta de mim, eu estava muito feliz. Pedi para tirarem algumas fotos minhas, e sem que eu percebesse meus pulos já demonstravam toda minha animação. O pessoal já estava descendo e eu, como sempre o último, desci também, observando o navio lá em baixo.
Tinha sido bom este dia, e nem havíamos programado esse desembarque. Na descida, vi que Fernando ainda estava filmando, então aproveitei e tentei fazer algumas fotos das plantinhas no laguinho, mas não saíram como queria, e como estava sem minha lente macro desisti pois o tempo era curto. Peguei o último barco de passageiros, só ficou faltando o pessoal da equipe de organização.
Vi o pessoal descarregando as armas e testando-as antes de guardá-las. Após chegarmos ao navio, fomos avisados que tínhamos chocolate quente com rum na proao. Lembrei-me de fazer uma foto do topo do navio, então subi lá e fiz umas imagens. De lá avistei uma senhora que passava o tempo fazendo tricô. Voltei pra proa e fiquei conversando com o pessoal, que estava muito feliz com o nosso último desembarque.
Durante o jantar, a líder, bem no estilo neozelandês, fez revisão do dia, festejando a decisão de termos desembarcado. Depois do jantar, fui ao bar e quando me dei por conta já era noite. Convidei o Fernando para irmos para a proa e esperamos para ver se a lua saía, mas como as nuvens obstruíam nossa visão do céu, fomos dormir.