14 - Icebergs e baleias.
Depois do almoço, a líder falou do local que visitamos e também apresentou os 3 atiradores inuits que ajudariam a dar segurança contra os ursos polares até o final de nossa viagem. Praticamente todo mundo foi para a proa ou para a torre do navio, para apreciar os pássaros que surgiam de vez em quando, para a euforia dos mais apaixonados.
Passei na minha cabine e meu colega "devorava" os livros, era um ou dois por dia. Fui para a proa, como sempre, para ver vários icebergs passando ao longe, com um dia lindo servindo de cenário. Depois de uma hora passaram vários ao mesmo tempo.
Também surgiram várias algas boiando, algo que eu não tinha visto ainda nesta viagem. Então usei a lente grande para fazer uns closes dos icebergs. Eu fiquei maravilhado quando vi-os de perto, derretendo, com diversos tons de branco, azul e verde, e pássaros voando em sua volta. Falei isso para o Tony, que já estava observando o local com o auxílio do binóculo e da luneta.
Eis que surgem mais cinco grandes icebergs, um desses bem perto da gente, aproveitei e fiz muitos closes, não parava de tirar fotos.
Então parei para refletir de como me identificava com estes momentos mágicos. Os pássaros passavam perto de nós em bandos. À medida que o barco andava, o iceberg mais próximo se movia e permitia que víssemos ângulos diferentes e maravilhosos.
Assim que tinham passado os icebergs, vimos duas baleias que, a principio, eram minkeis, mas depois, vendo mais algumas do grupo, percebemos que era humpback pela cor branca das nadadeiras na água. Uma delas chegou a levantar a cauda, não muito, mas deu para ver o suficiente para tirar umas fotos. O pessoal estava eufórico, tivemos a sorte de ver muita coisa em pouco tempo.
Os icebergs isolados não paravam de descer. Com o contraste entre o calor do sol e o frio dos icebergs, formavam-se miragens, e ficávamos discutindo se eram ou não icebergs. O tempo nos mostrava se era um reflexo ou se de fato tínhamos um iceberg pela frente.
As pessoas estavam muito felizes, então o pessoal do bar veio para a proa, servir licor e um suco estranho que nem me lembro de que era, mas era bom. O pessoal brindava e até meu colega de quarto, que lê um livro por dia, estava ali na frente do barco. As amizades entre as pessoas ficavam mais fortes com estas celebrações. Já se notava que as pessoas se abraçavam quando algo positivo acontecia. Isso me deixava feliz, pois adorava estes momentos. Fiz muitas fotos de pessoas justamente para marcar estes momentos.
Para completar, o céu conspirava a nosso favor e soprava nuvens incríveis, com formas maravilhosas! Não tinha visto ainda na viagem nuvens tão semelhantes a algodão e em tantos tons diferentes. As baleias resolveram nos saudar novamente conforme o sol ia se escondendo no horizonte. Por entre as nuvens víamos imagens incríveis.
Como se não bastasse, uma chuva ao longe fez aparecer arco-íris e não foi apenas um! Dois destes lindos fenômenos nos brindavam com sua presença. Estávamos todos muito felizes, principalmente por que as pessoas que vem para uma expedição destas adoram a natureza, e isso tudo era um dos espetáculos mais lindos que a mãe natureza poderia dar.
Os icebergs continuavam passando, muitos deles quebrados e pequenos, e a maioria não estava arredondada ainda, isso demonstrava que eles a recém haviam quebrado e também que estava frio. Eu e o pessoal ficamos brincando com o pôr-do-sol, fazendo fotos, comentando, rindo...
Quem olhasse de fora acharia que estávamos todos bêbados, mas era de felicidade. Nos chamaram para o jantar, mas eu, Tony e Fernando ficamos ali na frente por mais tempo. Eu jantei rapidamente e já voltei para fora. Ao mesmo tempo em que o sol sumia, a lua vinha brilhando por entre as nuvens avermelhadas, foi mágico, só as fotos explicam.
Era lua crescente e ela já tinha passado da metade, sendo que na próxima semana estaria cheia. Agora muito gelo picado passava boiando, sinal que os icebergs tinham quebrado. Com o sol batendo na lua, ela ficou levemente avermelhada também e à medida que o astro rei sumia, ela voltava a sua cor original, branco-prateada.
Fiquei então me entretendo com a lua e seu reflexo na água. Tentei fazer algumas fotos com o barco em movimento e foi bem divertido . Como estava muito frio, algo em torno de 4ºC, o pessoal se recolheu para os quartos mas eu fiquei ali até a lua ser encoberta por uma nuvem preta.
Desta vez não deu para esperar ela descer então fui para o bar, conversar um pouco com o pessoal. Em seguida, muito feliz com o dia proveitoso, fui para o quarto descarregar as fotos e descansar das atividades do dia intenso.