15 - Manhã – Costa da baía de Okak
Amanheceu com cerração, estávamos em uma baía. A costa da baía de Okak. Bem humorado, meu colega de quarto me deu boa tarde e novamente matei o café da manha. Assim dormi um pouco mais. A vantagem era que Trevor, o meu colega, sempre voltava do café e me dizia aquele debochado ‘boa tarde’.
Levantei, e depois de uma passadinha no banheiro, fui para área externa. O pessoal já tinha baixado os botes e inclusive pude ver um deles seguir para a terra em meio à cerração. O pessoal da organização estava atento pois a região era habitada por ursos polares, então antes de nosso desembarque, deram uma geral e o pessoal dos botes passou bom tempo vistoriando a área com o auxílio de binóculos. Do convés, conferi que o pessoal já estava na fila, desci, larguei minha mochila na porta da escada e fui vestir o colete salva vidas e calçar a bota.
À medida que o pessoal ia embarcando a neblina ia subindo. Em algumas partes da terra a gente via algumas geleiras, mas eram poucos. Como sempre, fui no último bote e seguimos para a praia. Chegando na praia um dos membros da equipe de organização entrou na água para puxar o bote.Dois atiradores inuit foram se posicionando em cada lado e um terceiro subiu a montanha.
Foram criados três grupos: um de caminhada, outro de fotógrafos e outro de contemplação, que se movimentaria muito pouco. Fui no de fotógrafos que era o meio termo, apesar de saber que se quisesse tirar fotos das plantas teria que ter ficado no de contemplação, mas optei por explorar mais as terras. Além dos atiradores, um dos guias de cada grupo tinha uma arma também e no final do conjunto ia outro guia mantendo o grupo unido, sempre com rádio.
Cada grupo foi criando sua trilha. Nosso grupo parava a cada 50 metros para olhar e fotografar a flora. Eu via muita diversidade de flores, decidi tentar fazer umas fotos macro. Fiz duas, mas não deu tempo para fazer mais. Troquei de lente e segui o grupo, imaginando a fotos maravilhosas que poderia fazer com tanta diversidade.Pelo caminho, além de plantas e flores, achamos excremento de urso preto, de veado e de coelho.
Chegamos no nosso objetivo, que era o ponto intermediário entre os caminhadores e os contempladores, pois dali tínhamos uma ótima vista da baía. Paramos próximos a um laguinho entre as rochas, acumulado com água da chuva. Eu fui fazer meus saltos sobre a rocha, como sempre, e com um pouso tão fofo na tundra, sai rolando. Tiramos fotos do ambiente e uma do grupo, depois começamos a nossa descida por outro caminho.
Fiquei para trás e comecei a falar com o John, que era o atirador, sobre aquecimento, a vida local, sobre estradas, animais, etc... John era o mais velho dos inuit e me explicou quando é que os animais vêm para a praia: no período mais próximo do fim do verão. Também falou que no próximo dia deveríamos ver os ursos.
O John achou um túmulo bem rústico, onde apenas pedras eram colocadas sobre a pessoa, e pudemos identificar os ossos de duas pessoas. Na volta, ainda achamos um animal semelhante a um porquinho da índia, um ratinho, andando por entre as plantas. Tirei algumas fotos e depois o filmei. Ele não era arisco,mas acho que foi a primeira vez que via seres-humanos. Mais além no caminho, vimos mais flores e plantas.
O caminho usado agora era um diferente do que subimos, cheio de riachos e com arbustos de um metro na beira da praia. Ali também achamos outros excrementos de urso preto.
O outro grupo da caminhada também estava voltando, por um novo caminho, com dois atiradores. Na praia, todos logo seguiram para os botes. A maré havia baixado e podíamos ver uma considerável quantidade de algas.
Quando cheguei ao navio, Hellen e Fernando já estavam de volta. Desta vez tinha eu tinha chegado mais cedo e a chamada para o almoço demorou, me dispondo tempo suficiente para eu organizar as fotos no quarto e constatar que meu amigo tinha devorado mais um livro.