16 - Manhã - Desabitado vilarejo de Hebron.
Tinha ouvido a chamada do café-da-manhã, mas aproveitei para dormir um pouco, ou melhor, pra ficar mais um pouco na cama. Tinha ficado acordado até tarde na noite anterior, descarregando as fotos e filmes. Acordei de vez quando meu colega de quarto voltou do café com o seu típico “boa tarde”. Saí da cama e fui verificar o clima: fechado e com neblina. Avistei também o pessoal seguindo para a vila nos caiaques.
Desci rapidamente e saí num dos últimos botes. Ao passarmos pelo morros, vi no topo de um deles uma estátua de pedras, daquelas que os antigos aborígenes faziam, no formato de pirâmides. Em uma parte que ainda tinha neve, os rastros de alces eram visíveis. Olhei para o navio e quase não via mais nada por causa da neblina.
Estávamos seguindo para o desabitado vilarejo de Hebron, uma cidade fantasma desde 1959. Mas a igreja Moravian, o antigo prédio da HBC e algumas construções menores de madeira restaram nesse bem protegido porto, onde a pesca e a caça eram atividades excelentes para o povo esquimó Thule, de 1000 anos atrás, e os Inuits do século XX.
No caminho avistaram uma foca linda, branca e que deveria ser filhote. Ela estava sobre a pedra, olhava curiosa, levantava a cabeça e se escondia novamente. A gente estava longe dela, mas era muito divertido. Nosso guia decidiu levar a gente para a vila, mas eu e o pessoal preferíamos ficar ali eu fiquei realmente chateado, parece que ele não ouvia, ou melhor, não queria ouvir. Quando estávamos chegando, vi uma lança com um bote inflável ali na baía, com uma bandeira da província de Nunavut.
Chegando à vila, descemos e um guia local ficou explicando as peculiaridades do local. Decidido a ver natureza, olhei as casas parcialmente destruídas e outras totalmente, a igreja já restaurada, ouvi um pouco da explicação e fui para um local repleto de flores.
A cerração começou a abrir e o céu foi se azulando. Dei uma olhada nos atiradores, pra me situar, e vi que estavam um de cada lado e outro na frente, protegendo a região onde era a vila. Achei algumas plantinhas interessantes e fotografei-as, juntamente com alguns ossos de alce.
Vi o Fernando voltando da igreja e ele me falou que tinha uma foca sobre a pedra daquele lado. Segui o Fernando e a Hellen para ver a cena. Ali tinha outra foca tentando subir na pedra, mas sem sucesso, ela foi para o meio das algas marinhas. Daquele ponto, a vista do lugar era muito linda.
Só sentia falta dos animais, mas quando aparecia algum, o pessoal não ficava curtindo. Percebi que o foco estava mais na história do que na natureza. Na minha direita vi o pessoal chegando de caiaque, vindo na direção da foca, mas, assim que ela notou o movimento, se afastou. O Fernando subiu em direção à igreja e eu decidi ficar ali fotografando flores. Enquanto algumas pessoas foram ouvir sobre a história do lugar, eu pensei “isso tem nos livros, eu quero é sentir o lugar, o momento”. Outro grupo foi fazer uma caminhada longa enquanto o sol anunciava mais um dia ótimo.
Passeando pelo cemitério, achei mais flores diferentes e continuei caminhando para ver as casas de ângulos diferentes. O pessoal da caminhada seguia na minha frente e vi que eles estavam vendo umas flores e plantas no outro lado da entrada do mar, e com a maré baixa cruzei por ele para o outro lado.
Estava tirando fotos quando o médico veio me dizer que eu não poderia ficar ali sozinho, então voltei para onde estavam os botes. No caminho achei uma cabeça de alce e imagino que o pessoal que trabalhava na restauração deveria ter matado um deles para comer.
Eu estava ali por perto dos botes tirando fotos quando o Fernando apareceu dizendo que iria voltar para fazer algumas imagens da foca. Um bote iria levar ele e eu fui junto, mesmo sem muita esperança de encontrá-la.
Navegamos até lá e de longe vi uma enorme foca sobre as pedras; tiramos fotos e o Fernando filmou, mas quando fomos chegar mais perto, ela pulou na água e só botou a cabeça para fora d’água antes de desaparecer. Ficamos vendo as plantas subaquáticas, pois a água era clara e rasa, então dava para ver tudo. Depois seguimos em direção a outra foca na frente das casas, mas não achamos mais ela e voltamos para o barco. Chegamos no navio e logo que ele começou a se mover, fomos almoçar.
Saiba mais sobre o Lugar:
Hebron, Newfoundland and Labrador: Meaning
Hebron is the name of a former Moravian mission that was the northernmost settlement in Labrador. Founded in 1831, the mission disbanded in 1959. The settlement was situated at approximately 58°12′N, 62°24′W. Abraham Ulrikab and his family were from Hebron and they were exhibited in zoos in Europe in 1880.
Early history
The Moravians began establishing missions in Labrador in 1771. The first was located at Nain. The Moravians sought to evangelize the Inuit people in Labrador.
In 1831, the Moravian church established a mission at Hebron, a site located about 200 kilometers north of Nain.
Life was hard at the settlement. Epidemics of whooping cough, influenza and smallpox ran through the community periodically. The 'flu epidemic of 1918 was believed to have wiped out a third of the 1,200-member Inuit population of Labrador.
By April, 1959, there were 58 families at Hebron.
Abandonment
In 1955, a member of the International Grenfell Association, an organization dedicated to the health and welfare of residents of Newfoundland and Labrador, wrote to the Canadian government expressing concern about cramped living conditions at Hebron that had lead to tuberculosis and a shortage of firewood.
After consultation with Moravian leaders, the decision was made to close the mission. The Inuit would be resettled into larger communities. "I see no other way than to suggest the Mission withdraw from Hebron this summer," said the Rev. Siegfried Hettasch. The decision was announced at an Easter Monday service in 1959.
By the fall of that year, half of the families had moved on their own. The remainder left soon after the Grenfell nurse was withdrawn and the community store closed in the fall of 1959.
A report written for the Canadian Royal Commission on Aboriginal Peoples said the relocation led to poverty for several of the Inuit. "They were put in places where they weren't familiar with the local environment so they didn't know where to hunt, fish or trap and aside from that, all of the best places were already claimed by people who originally lived in those communities," said the report's author, Carol Brice-Bennet.
The buildings of the original mission still stand today, and are in reasonably good condition considering the passage of time, and the site is frequently visited by cruise ships.
Source:
http://explanation-guide.info/encyclopedia/Hebron,-Newfoundland-and-Labrador.html