16 - Tarde - Ilha Branagin - Urso Polar
Quando o marinheiro russo puxou a âncora, novamente vi a mulher russa ali no convés, e após cumprimentá-los, fui ver a paisagem.Seguimos navegando com as montanhas lindas ao nosso redor, revelando paredões com rochas de vários tons e com a parte inferior coberta pela tundra. Ao passarmos entre duas destas montanhas, avistei uma estação meteorológica e alguns grandes containers, que deviam ser as casas dos funcionários da estação.
Após passarmos por este trecho, à nossa direita uma nevoa baixa cobria parte de outras montanhas e também o mar, mas por entre ela víamos a brancura de um iceberg contrastando com aquele cenário.Praticamente todos estavam na proa enquanto continuávamos navegando. Andy nos trouxe uns doces para que aquele momento ficasse ainda mais delicioso.
Subi no topo do Navio para fazer umas fotos em que a embarcação aparecesse também, e dali vi outras montanhas. Essas outras montanhas que surgiam na nossa frente eram o famoso e maravilhoso fiorde Saglek Fjord. Voltei ao convés, pois no topo do navio o vento estava congelante. Ali na proa, Chad, um dos guias que era de Seattle, apareceu com um mate ao estilo argentino. Provavelmente era da Carolina, uma guia argentina, de São Martin de Los Andes, um dos lugares que mais gosto na Argentina.
Eu estava adorando aquelas paisagens, filmei bastante, fazendo closes e, conforme o navio ia andando, cada vez mais imagens incríveis ficavam registradas. O Fernando pegou minha máquina e começou a tirar umas fotos. Ele comentou sobre o peso da minha máquina e brinquei, falando que não era possível colocá-la no ombro e acabei saindo em algumas fotos.
Não demorou muito e já nos pediram para descer. Quando eu estava embarcando, pelo rádio avisaram que acharam um urso polar, logo corri para o quarto e peguei uma outra lente. Fiquei em dúvida se levava a lente grande ou não, e no final optei por uma média, de 300 mm 2.8. Este seria o primeiro urso polar desta expedição na Ilha Branagin. Todos os botes seguiram para ilha, e pelo rádio disseram que ele tinha pulado para a água. Olhei para frente, vi uma mancha branca no mar e com a lente dei um zoom, então vi só a cabeça dele.
Minha emoção foi grande, pois ver um urso assim, nadando em meio a sua natureza e sem a interferência do homem, era algo esplêndido. Os botes todos vieram ver o urso, mantendo uma distância razoável para que a gente permanecesse seguro e para que ele não se estressasse.
Estávamos todos reunidos agora, com dois botes na nossa frente e mais três na retaguarda.
Depois de tirarmos várias fotos e observarmos o urso polar, vi que ele se virou para nos, pena que minha lente não era a maior, se fosse eu teria uma boa foto dele. O urso foi nadando até ficar perto da ilha, entretanto em vez de subir na ilha ele nadava paralelamente, e por estar contra a luz, imagens incríveis iam sendo registradas na minha memória e na minha câmera.
Íamos acompanhando ele nadando e de vez em quando ele sumia da visão de um ou outro, então alguém avisava de sua posição. De tempos em tempos ele levantava a cabeça ou apoiava-a em alguma rocha para dar uma olhada em redor. Foi muito interessante ver este costume dele, de ficar verificando continuamente o seu ambiente. Ele foi nadando e nós todos estávamos parados a uma distância bem grande, eu diria que grande demais para boas fotos.
Atrás de nossos barcos havia uma espectadora interessada: uma foca tirou a cabeça para fora da água por um bom tempo, para ver o que aqueles sete botes faziam ali no meio do mar. Voltamos a acompanhar o urso nadando, enquanto ele olhava para tudo ao seu redor: olhava para traz, pro nosso lado, pra ilha... Nadava junto a ilha e eu estranhava que ele não subia nela.
Eis que o urso passou então por uma pequena praia e o pessoal todo enlouqueceu, pois na ilha havia um alce. Com o alce parado na prainha e o urso passando logo em frente, o pessoal se agitava e eu não conseguia ajustar o foco. O urso foi passando nadando e o alce olhava para ele, mas o urso não fez nada além de olhá-lo rapidamente, bem desinteressado, acho que não estava com fome.
Logo o alce saiu em disparada pela pequena praia e, ao chegar no final da ilha, pulou na água e foi nadando na direção aposta a do urso. Voltamos nossa atenção ao urso, que continuava nadando, até que uma hora ele saiu do mar e deu uma chacoalhada para tirar a água do pêlo. Ver este momento foi incrível. O grande mamífero ficou então parado sobre umas pedras, a água escorrendo do seu pêlo enquanto ele olhava para nós durante um longo tempo.
Chacoalhou novamente a cabeça, subiu sobre uma grande pedra e ficou olhando para nós. Então seguiu andando sobre as pedras. Me impressionei pois tinha uma prainha, com terra e grama, que poderia ser melhor para ele andar, contudo ele preferia andar sobre as pedras mesmo, sempre dando uma conferida para o nosso lado. Provavelmente alguém estava usando um bom perfume, uma vez que o urso tem um faro apurado. Ele só foi caminhar na praia e na grama quando terminaram as pedras.
No meio da praia ele abocanhou algo no chão, que deveria ser comida, e seguiu caminhando. Quando terminou-se a praia, havia um paredão, então todos devem ter pensado que ele ia entrar na água, mas para surpresa geral (inclusive minha) o urso começou a escalar as pedras. Eu me impressionei com a facilidade com que um animal tão pesado realizava tal atividade.
O grande animal só deu uma parada lá em cima, achamos que ele não iria continuar, pois à partir dali era muito íngreme, mas ele sentou um pouco, olhou para todos os lados e subiu mais. Lá em cima o ângulo era praticamente vertical. Eu estava eufórico, pois aprendi uma coisa nova que nunca imaginaria. Ele parou lá e comeu o que tinha na boca. Olhou muito para nós lá de cima, foi até uma pedra e novamente olhou ao redor.
Eu olhei para os botes, era lindo ver também os contrates e daquele cenário, iluminados pelo sol da tardinha. O urso continuou subindo e desapareceu sobre a montanha. Os barcos circularam a ilha, vimos a galhada de um alce no outro lado da ilha, provavelmente que o urso já tinha comido alguma uma outra vez.
Voltamos felizes para o navio por termos visto nosso primeiro urso polar desta expedição. Aprendemos várias coisas sobre os ursos, como suas reações e suas capacidades peculiares. Algo que já sabíamos, mas que reforçamos com o encontro, é que é muito importante manter-mos uma distância segura destes rápidos animais, tanto em água como em montanhas quase verticais.
Veja mais informação sobre o Lugar:
Torngat Mountains National Park Reserve
Torngat Mountains National Park Reserve is a national park reserve located on the Labrador Peninsula of Newfoundland and Labrador, Canada. The park was established on January 22, 2005, making it the first national park to be created in Labrador. It is the southernmost national park in the Arctic Cordillera.
The park aims to protect wildlife (caribou, polar bears, peregrine falcon and golden eagle among others), while offering wilderness-oriented recreational activities (hiking, scrambling, kayaking). Set in the Torngat Mountains, the name comes from the Inuktitut word Torngait, meaning "place of spirits".
The park extends over an area of 9,700 km², from the northern tip of Labrador to Saglek Fjord.
This is the first national park reserve to be established in Labrador. It is expected that full national park status will be achieved once the territorial claims of the Nunavik Inuit of northern Quebec are resolved.
Saglek Fjord
Located north of Nain, Saglek Fjord offers passengers an opportunity to experience the unspoiled, natural wilderness of Labrador. Stretching many miles inland from the Labrador Sea, Saglek Fjord is majestic and awe-inspiring.
Branagin Island is on the north side of the entrance. The shores on both sides of the fjords rise steeply to over 3,000 feet (915 m) and are broken in places by streams with deltaic formations at their mouths. Anchorage is not recommended in Saglek Fjord because of the great depths and sudden high winds.
Ugjuktok Fjord, West Arm, Southwest Arm, and North Arm extended from Saglek Fjord.
The area of Labrador is 294,330 km sq., and the area of the island of Newfoundland is 111,390 km sq. The total combined land area of Newfoundland and Labrador is 405,720 km sq.
Placed in relative terms, the province is bigger than Germany, larger than Italy and more than three times the total area of the Canadian Maritime Provinces (Nova Scotia, New Brunswick, Prince Edward Island).
In fact... Newfoundland and Labrador is bigger than England, Ireland, Scotland, Belgium, Denmark and Holland combined!
A lot to explore.
source:
http://en.wikipedia.org/wiki/Torngat_Mountains_National_Park_Reserve