Dia 17 - Tarde - Nachvak Fjord
Depois do almoço, festejaram mais uma vez ter visto o urso polar, ainda mais com dois filhotes, mesmo que fosse de longe. Eu achava que poderíamos ir, um bote de cada vez, para dar uma aproximada. A líder falou sobre o feito de termos encontrado novamente um urso, sobre seguirmos para o norte pela costa do Labrador, e que se tivesse algum lugar para desembarcarmos, ela avisaria. O tempo bom colaborava para que navegássemos sem atrasos.
Assim fomos todos para fora, olhar a paisagem. Estava um pouco frio, mas com uma ajuda do astro-rei, logo a sensação térmica já era um pouco mais quente. As montanhas contrastando com o céu azul meio enevoado era lindíssimo. E como estávamos contra a luz, criava-se uma pequena névoa, dando um ar mágico ao lugar.
Começavam a aparecer mais e mais icebergs, criando cenários incríveis com as montanhas no fundo, estas ainda com um pouco de neve. Eu ficava pensando como gostava desta natureza, destas paisagens, destes animais e destas pessoas adoráveis. Realmente estas viagens me deixavam muito feliz.
Eu acompanhava cada Iceberg de perto, com a lente gigante, que já tinha me detonado o ombro, pois eu não usava tripé para ser mais ágil. Fazia closes, tirava as fotos, mas também ficava analisando, pensando. Conforme nos movimentávamos, víamos aqueles icebergs mudando de ângulo, assim como as montanhas no fundo, e era incrível isso. Começavam a surgir grandes icebergs, todos quebrados, diferente dos que eu tinha visto na Antártica, pois lá eram blocos, aqui eram partes. Os closes que eu fazia eram lindos, dava pra ver as diferentes texturas dos icebergs.
Eis que avistei um grande iceberg em nosso caminho. Fui avisar ao pessoal que vinha um grande e passaríamos perto, então todo mundo veio ver os grandes icebergs. Eu aproveitei e tirei muitas fotos deles, closes, e quando um passou perto de nós, ele ficou na contra luz e o lado mais bonito ficou escondido, dai fiz umas fotos do pessoal admirando o iceberg. Eu deixava a filmadora fazendo um close e outra filmadora fazendo um ângulo aberto enquanto eu ficava tirando as fotos.
Muitos icebergs passavam mas estavam longe, lindo é quando você chega bem perto. Minha amiga canadense ficava fazendo tricô com os icebergs ao fundo, e ela chegou a falar que eu era louco, pois ficava todo excitado de olhar aqueles icebergs. Eu brinquei que ela que era louca, de vir pra uma expedição destas e ficar de costas para os icebergs, fazendo tricô. Depois contei para ela do meu tempo de criança, em que eu fazia mantas de tricô numas tábuas. Também falei sobre um pessoal aborígene que conheci lá no Ártico, que fazia tricô com os dedos.
Os icebergs continuavam passando, longe, mas em quantidade boa. Eu com minha lente conseguia fazer algumas boas fotos, havia uma pequena nevoa junto as montanhas que dava uma vista maravilhosa. Eu estava extasiado, adorava aquilo. A gente voltava a chegar perto da costa e o calor do sol estava bom, deixando a temperatura próxima dos 16º C. Os pássaros voltaram a aparecer aos poucos.
Mais tarde o barco parou e desceram os botes, seria feito um desembarque ali. Já era tarde, e como o sol se punha perto da meia noite, já deveríamos estar além das 18:00 horas. A gente estava perto da terra, tinha uma praia ali e muitas montanhas grandes, lindo o lugar.
Apesar do sol, estava muito frio, dava para ver pela respiração das pessoas o ar quente saindo. Fui me vestir, colocar o colete salva-vidas e as botas, já era hora da gente embarcar, eu e o mesmo pessoal de sempre, o pessoal da TV, alguns que tinham dificuldades de andar e eu, ‘o atrasado’.
Parece que seria o último desembarque que faríamos, e eu não entendia o motivo, pois tínhamos vários dias pela frente, mas então me explicaram que na entrada para Iqualit tinha muito gelo e com isso poderíamos perder 2 dias, que teriam que chamar um quebra gelo.
Bom, decidi então ficar mais por aí e não caminhar muito, pois meu dedo do pé doía muito graças a uma unha encravada, e meu ombro também estava dolorida. Eu estava um caco, mas quando tinha algo para ver ou fotografar eu nem lembrava destes detalhes.
No céu cruzou um rastro de avião, era o primeiro que víamos, e deveria vir da Europa pelo seu sentido. A praia tinha as ondas, então os pessoal da equipe de organização ficava com água até a cintura para segurar os botes e colocar em terra firme. Quem não tinha bota se molharia certamente.
Assim que descemos mostraram um rastro recente de pegada de urso. Os atiradores estavam a postos nas elevações. Dividiram novamente naqueles três grupos: os que fariam as caminhadas, os de meia caminhada e os de contemplação, eu optei pelo grupo da contemplação. O pessoal da caminhada desapareceu atrás da colina, e a maioria foi no intermediário caminhar pela praia e arredores. Eu vi eles olhando algo mas decidi ficar ali, vimos umas pegadas recentes de alce também.
Ao lado da praia havia uma planície toda verde,coberta pela tundra. Fiquei tirando fotos das plantas e vi que o Fernando e a Hellen estavam ali na praia também, fazendo imagens. Era lindo o lugar, dava para ficar dias ali. Quando vi que o pessoal da caminhada já voltava, tirei poucas fotos, curti demais o lugar. O outro pessoal seguia para a praia. Meu grupo se arrumava para voltar ao navio, e nisso achamos um ninho de pássaro e muitas plantas interessantes, mas não tirei fotos pois estava sem a lente macro comigo.
Saímos da praia com a água subindo, e eu cuidei para não me molhar, esperei a onda recuar e subi no bote. Assim que saímos da praia, olhei para trás e vi que as nuvens baixavam lentamente sobre a terra. O barco começou a se movimentar, eu fui para a proa e fiquei lá tirando fotos. Ouvi me chamarem para a janta, mas fiquei mais tempo do lado de fora, pois sabia que os almoços e jantas eram os melhores momentos para tirar fotos, pois o barco estava chegando ou saindo do local.
Uma gaivota estava voando ao lado do barco, fiquei entretido admirando ela. Quando vi, as nuvens foram encobrindo o barco, mas com o sol ainda baixo, o navio ficava iluminado para que eu fizesse umas fotos da proa.Quando fui jantar, é obvio que não tinha mais nada, mas acabaram arranjando algo para mim comer.
Depois da janta fui para o bar ver mais umas fotos do Rene. Em seguida, segui para o quarto, onde meu colega já estava dormindo.Copiei as fotos de todo o dia, levou um bom tempo, e também gravei os vídeos no meu winchester de 500 gigabytes e coloquei as baterias para carregar.
Saiba mais sobre o Lugar:
Nachvak Fjord, Labrador
Near Natchvak, the Torngats are a particularly beautiful range. It means "the place where the spirits live". For sure no one will disturb them there.
Kaleigh will look at that picture for long periods and finally pick a place on the shoreline because she knows no one has ever penetrated the hidden valleys. And when she has the exact spot pinpointed, she'll ask, "Grampa, were you ever right there? What is it exactly like?" I've been in Natchvak Fiord, and have felt that in its grandeur and absolute natural state, it is nature's cathedral, because while men have been there now and again, they cannot stay, and their futile works soon disappear. I've been right there.
I can tell her what a beautiful place it is. The sun shines into the fiord from the easy for a few hours everyday, then it is blocked by the hills at certain times of the year. In spring and early summer, when the sun is at its highest, it can shine directly down the great chasm.
The rest of the time there is little sun, but because of the great crags covered with snow, there is lots of light.
All manner of animals congregate there: seals, whales, walrus, arctic fox and polar bear. Once I saw a lonely and puzzled looking black bear. The great brown bear, now extinct as far as anybody knows, that used to haunt the barrens inland from Natchvak, has been seen in the fiord by the early HBC and Moravian mission people.
The natives, whose legends over the years are surprisingly accurate, say that he was larger than a polar bear, much stronger, and would attack men on sight when the polar bear has never been known to do that. I have seen the surface of the fiord alive with huge flocks of eider ducks feeding on the millions of shrimp and beds and beds of mussels.
Lesser ducks and gulls, terns, shearwaters, sea pigeons, puffins and murres are there in the millions. Arctic char, salmon and cod are there for the taking, and in the days of the sailing schooners, Natchvak was known as a good place to "bring up" for a season's fishing, but so far away and lonely that only a few ever took advantage of the plenty there. It was a place of security for a native culture, and so recognized by the HBC and Moravians who built there. They tried to entice the natives to settle also because there they would never go hungry.
Neither trade nor religion would entice the natives to dare the spirits and all efforts to settle them there failed. There was another practical consideration; the shores of the fiord are so steep that land animals are necessarily restricted to the shoreline.
How long the wildlife would survive if a number of hunters were to wander thee is doubtful. The sea life is also concentrate in the narrow fiord and greater activity from the fishing boats and hunters might well deter the animals from using the fiord. There is a route westward to the barren caribou birthing area inland. Greater pressure on the does and calves could have an adverse effect on the herd. So perhaps the natives knew that not only the spirits were against a large population there. Perhaps they recognized how fragile the environment there was.
Anyway they restricted themselves to an occasional foray for seals, walrus and whales, and left the place in peace most of the time. And what of the whites? Why didn't they wait it out? Well the lack of sun in the winter got to them. The HBC was staffed by Labrador people who were able to handle the situation. Sam Ford had his wife there with him for several years. He told me that even for them, born and brought up on Labrador, it was a tough place in winter, but had the trade been there, he would have stayed.
- Letters of Leonard Budgell 1933-40.
http://www.benlo.com/arctic/nachvak.html