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A Expedição do Labrador ocorreu em julho de 2008, na região localizada entre o Canadá, Ártico e Groelândia. Veja o relato da manhã do dia 19 de julho, enviado por Nei Maldaner que participou dessa aventura. Amanhecer e urso no gelo.
Não fui dormir e, como a noite não vinha, aproveitei para depois da janta atualizar minhas fotos e vídeos. Depois disso resolvi fazer umas fotos da noite que era dia, já estávamos mais para o norte, então o sol se punha, mas já não escurecia mais. Sai também para ver a lua descer, mas ela não descia, cada vez que subíamos mais, mais tempo ela levava para baixar.
Estava cheio de nuvens, mas aonde o sol nascia haviam poucas. O céu estava lindo, com as nuvens azuladas e o mar, com a claridade do sol no horizonte. Coisas que só se vêem quando se deixa de dormir. A lua ia deixando seu brilho dourado, eu ficava curtindo a claridade do sol misturada com a lua e seu brilho, e assim o tempo ia passando.
Subi para o topo do navio para fazer umas fotos com o navio de lá e filmar o sol nascendo e, com outra filmadora, fazer um zoom nele. As nuvens iam cobrindo agora até a lua, até que vi a lua se despedir de mim e fiquei brincando com as coloridas nuvens acima do nascer do sol. Diferente do Brasil ou perto do Equador, aqui o nascer levava uma hora ou mais, então dava para brincar, aprender, fiz uma medida de branco pra ter a cor real do vermelho, que nem dava para acreditar de tão lindo.
Surgiu um grande iceberg lá na frente. Os pássaros começaram também a aparecer, mas nadando. Era engraçado, ficavam ali na frente do navio e na última hora mergulhavam. Me falaram que elas conseguem mergulhar uns 60 metros.As imagens iam agora mudando, pois algumas nuvens amarelavam também, parecia uma pintura e no final do mar tinha uma barra cinza da miragem, entre o ar quente e o frio da água.
Adiante meu coração apertou, achei que tinha uma baleia, o formato era igual, mas esperei um tempo e vi que não mudava, então percebi que era um pequeno gelo com o formato de uma baleia. Deixei preparada a lente ali na frente junto com a filmadora, e no topo do navio a filmadora esperava pronta que eu acionasse. Fiquei esperando o sol nascer, mas por causa de uma série de nuvens ele não vinha, as nuvens pareciam fogo. Logo apareceu o sol, liguei a filmadora de baixo, mas a de cima não daria tempo.
O sol estava já branco, criando uma áurea amarela, laranja e vermelho, pois já tinha subido atrás das nuvens e eu não via. Assim comecei a brincar e fazer fotos diferentes. Um dos icebergs que passou estava coberto pela cerração e agora, com o reflexo do sol, ele aparecia. No outro lado, mais próximo, um pequeno iceberg apareceu também e junto com eles alguns pássaros.
Eu ficava pensando sobre a luz, a importância da luz e das cores. Comecei a fazer fotos direto do sol, ele branco, ofuscava minha visão, procurei fazer apenas alinhando e apontando, adorei, gosto demais do sol. Eu pensava como pode algo tão simples, tão lindo, me deixar tão feliz, e isso é de graça. Meu problema é que não tiro tempo para ele, e no Brasil ele vem e vai muito rápido.
Começamos a cruzar por icebergs novamente, observei que em cima deles tinha pássaros, talvez os pássaros ficassem neles durante a noite. Surgiram mais pássaros, ontem foi o dia deles. Bom, como o sol estava alto, o melhor seria dormir um pouco, era perto das sete e logo todo mundo ira levantar. Decidi dormir um pouco e acabei dormindo só 4 horas. Acordei com o Fernando me chamando, falando que tinha um urso lá no gelo. Estava ele lá deitado e tudo tomado de gelo.
Ele dormia, nem ligando para o navio. Quando já havíamos quase passado, ele acordou, deu uma espreguiçada, virou para o outro lado e dormiu mais um pouco. No final já estávamos indo embora e ele levantou, seguiu em direção contrária a nos e se jogou na água, mas depois apareceu novamente, ou era outro.
O outro também calmamente seguiu em direção contrária a nós, sobre o grande iceberg baixo, a sua ilha. Depois ele seguiu em paralelo ao navio e parou para se rolar na neve. Andou mais um pouco, se rolou de novo, e depois ficou nos olhando, bocejando. Era lindo ver aquele pontinho no meio da neve. As pessoas o perdiam de vista, só mesmo quem tinha binóculo ou grandes lentes conseguia ver ele. Assim nos afastamos dele, foi uma hora praticamente que ficamos vendo ele. Assim logo o pessoal prepararia mais um desembarque, para navegar entre o gelo antes do almoço.
Fonte:
Nei Eugenio Maldaner Cidade:
Labrador-NL-Canada Fotos: Nei Eugenio Maldaner Publicado: Eduardo Vargas de Oliveira Pedroso Date: 19/07/2008
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