Dia 19 – Tarde - Ilha Lower Savage.
Eu não estava no café para saber o que seria feito no dia, mas estava lá na proa quando me falaram que seria um passeio pelo gelo quebrado, com os botes. Logo nos chamaram para o desembarque, fui em um barco com o pessoal da TV, mais propício para fazer imagens do gelo.
Assim descemos logo depois do pessoal do caiaque, e fiquei imaginando que deve ser legal ficar passeando de caiaque pelo gelo. Fizemos um passeio pelo gelo, o Kyle era nosso guia e a correnteza estava forte, movendo o gelo para cima do bote sempre que tentávamos parar para umas filmagens.
Passeando pelo gelo vimos diversos formatos e também encontramos uma parte onde o navio raspou no gelo, tinha uma marca vermelha. Outro bloco de gelo, todo cheio de pedras e sujeira, era a um gelo que deveria ser parte da praia. Achamos muitas formas de gelo, até um ‘cogumelo’ gigante de gelo.
Depois fomos ver os pessoal andando de caiaque e também os pássaros, tinha bastante ali, mas não como no dia anterior. As gaivotas estavam muito brabas e então vimos os filhotes na parede de pedra.Depois disso voltamos a passear no gelo.
Circulamos alguns icebergs pequenos, e voltamos para o paredão, o Tony estava com a gente e explicava sobre os pássaros. Dentre eles achamos novamente os dos pés vermelhos. O passeio foi rápido, assim voltamos para o barco e fomos almoçar hambúrgueres.
No almoço comentamos sobre a manhã e o que se faríamos pela tarde, seriam outros passeios no gelo. Duas horas depois estávamos novamente na proa, olhando o navio desviando do gelo que já estava por todo lado, mas não os icebergs, estes não estavam mais. Ficávamos vendo quando o navio não tinha opção e tinha que quebrar os gelos. A água estava um ‘espelho’, refletia tudo. Era lindo também o azul do gelo, e sobre ele a água derretida, formando laguinhos azuis.
Três horas e meia depois de subirmos no navio, já voltávamos a fazer o outro desembarque, que seria só passeios de bote entre o gelo. Na descida, pela primeira vez vi o capitão do navio, na ponte ao lado do barco. Eu não tinha subido na ponte, pois no início estava sempre fechada, e no final não tinha tempo.
Saímos no bote andando pelo gelo, agora a Carolina era nossa guia, e estávamos mais voltados para fazer as tomadas do pessoal da TV e eu fui junto. O médico pegou minha filmadora e filmou um pouco, afinal eu tinha que aparecer também. A Carolina parecia que conhecia como fazer filmagens, ela dirigia muito bem, sem dar as aceleradas, e também contornava bem os gelos, dando para fazer imagens incríveis, filmei bastante também.
Uma hora a Carolina falou para me firmar, que ela subiria com o bote num bloco de gelo, e foi o que fez, ali puderam filmar uma passagem com todo aquele gelo atrás. Depois disso voltamos a passear pelo gelo.Alguns blocos eram grandes, eu descobri uns gelos verdes, reflexos da água, sol e mar. A correnteza era forte, dava para ver a água fluindo numa direção, como tinha gelo a gente notava, parecia uma estrada só aquele gelo que se movia. No fundo o horizonte mostrava uma barreira de gelo, mas era miragem.
Acompanhamos o bote onde o Tom estava, ele se aproximou de uma ilha rochosa, e escalou ela para fazer umas fotos lá de cima, nisso a gente viu uma longa linha no ar, era uma teia de aranha no meio do mar, estendida desde as pedras, consegui fazer umas fotos. Voltamos a ver o gelo verde, eu falava isso para o Fernando mas ele estava envolvido em outra filmagem.
Impressionava-me com algumas coisas, como a correnteza, como o espelho que a água formava, e como ela era gorda, tipo gelatina, pois se via isso na água, como explicar isso? Gelos pequenos pareciam que afundavam com a água em redor, já tinha visto isso na Antártica. O espelho e a correnteza eram fenômenos que me impressionaram muito, pois a água tinha inclinação, não via isso em mar, só em rio.
Acharam aquele bichinho pretinho novamente, que tinham mostrado do dia anterior junto com a medusa. Uma daquelas aves lindas deixou a gente chegar bem perto, creio que a menos de um metro, e depois de um tempo mergulhou, voltou continuou nadando devagar, depois se afastou e mergulhou novamente. Carolina encostou o bote em um gelo e deu uma entrevista para o pessoal da TV, falando do trabalho dos embaixadores do Ártico.
Voltamos então para o navio, tinha sido bom o passeio, os gelos baixos, deveriam ser o gelo do mar congelado que tinha derretido em partes e quebrado. Fui para a proa do navio, onde todos estavam tomando sucos e comendo uns pães.
Ao nosso lado as formações rochosas avermelhadas, tinha uma corrente forte perto dela, dava para ver o gelo descendo como se fosse um rio. Filmei isso, pois só em filme para mostrar. Era incrível fomos jantar, ficava espiando pela janela o gelo descendo, era impressionante, uma hora e meia mais tarde voltei para a frente do navio. Nem parecia que já eram 9 da noite, pois o sol estava alto ainda. O reflexo da água era tanto que dava para ver o navio se a gente se inclinasse na borda, assim fiz umas fotos e filmamos o navio e as pessoas que se penduravam ali.
Ali estava o John, que era o atirador Inuit, tinha um olho muito bom e viu outro urso nadando ao lado de um bloco de gelo, e uma foca devorada por ele sobre o gelo, em vão tentei achar onde era. O gelo aumentava e o barco ficava fazendo um zig-zag para desviar dos gelos e pegar o melhor caminho. A gente acompanhava e fazia fotos de pedações de gelos.
Depois de um bom tempo, o pôr-do-sol iniciou, ficamos fazendo as fotos, e comecei a brincar com as cores novamente, ai fizemos umas fotos do pôr-do-sol com as pessoas que estavam, na proa era, poucas as pessoas ali, pois estava frio. Olhei para a ponte e vi lá dentro o capitão atento com binóculo, procurando o melhor caminho para evitar o gelo.
Quando vi do outro lado do navio a lua tinha nascido, no horizonte tinha uma parte de nuvem e por isso não tinha visto, agora ela toda fora, mas toda ainda amarela e vermelha. Fiquei fazendo umas fotos, depois fui para o quarto atualizar as fotos e finalmente dormir, pois tinha dormindo apenas 4 horas.