Dia 20 - manhã - Yellow Beach, Brewers Bay - Um dos 50 ADP
Acordei com todo pessoal olhando, desta vez deveria ser tarde, pois não ouvi meu amigo ir para o café ou voltar, mas ele estava ali detonando os livros dele. Ele sempre me contava um pouco do livro, era sempre algum suspense.
Fui lá na frente e vi que tinha poucos gelos na água, alguns grandes icebergs, diferente do dia anterior. Estávamos em frente a uma ilha, com uns paredões, estavam todos ali olhando a ilha e o barco se movimentando. Então começou a operação de lançar a âncora na água. O pessoal todo continuava ali na proa. Lançaram a âncora na água e eu acompanhei olhando lá fora, coisa que não tinha feito ainda.
O marinheiro russo ficou irritado as pessoas continuavam ali na frente, pois quando se lança a âncora deveriam sair. Eu sai, fiquei no lado onde poderia ficar, já tinha levado uma chamada lá nos primeiros dias. Então entendi o interesse do pessoal. Estávamos chegando a uma estação secreta da guerra fria, uma das 50 ADP, que é uma espécie de alarme se viesse algum ataque russo.
As outras estavam mais para o norte, desde o Alaska até estas regiões mais ao leste e sul. Tem uma história toda sobre esta estação, que depois conto. Assim que lançaram a âncora, vi que o John, meu amigo inuit, tinha achando outro urso no paredão.
Fiz umas fotos do urso, mas estávamos longe e o calor do sol sobre as pedras criava um ar quente que não deixava as fotos nítidas. Acompanhei um pouco o urso e prestei atenção nos botes que estavam sendo lançados na água. Iríamos visitar a estação desembarcando numa minúscula praia, chamada Yellow Beach.
Em frente à praia tinha um grande iceberg e os botes passearam em redor dele, realmente deu pra ver como ele era grande. Depois foi a vez de irmos, fui no bote do pessoal que iria fazer excursão de bote, mas me largariam na praia. No caminho passamos por umas rochas marrom-avermelhadas, achei muito lindo, também andamos em redor do iceberg. Ele era gigante e, apesar de não chegarmos tão perto como os outros botes, fiz uns closes das texturas. Ele tinha uma torre ligada por baixo da água na outra base.
Outros botes chegaram do navio, assim deu para ver como era grande, e imagine que para baixo tem mais sete vezes. Outro bote cruzou também na nossa frente, deu para fazer umas fotos dele com o iceberg, mas a gente não tinha jeito de chegar mais próximo. Em toda viagem eu tive este problema, esse praticamente foi meu único azar.
Por entre o iceberg eu vi a estação secreta. Os dois botes estavam desembarcando enquanto fomos conferir uns pássaros ali na enseada. Vi uns quantos e vi os de pés vermelhos fazendo um pouso, legal ver ele de patas abertas, parecidas com as de pato.
Chegamos bem próximo, me empolguei também e decidi não descer na estação, tinham me falado que não dava para entrar, só andar por fora ou subir na montanha. Então preferi ficar ali tirando fotos de pássaros, icebergs e ursos, quem sabe iríamos ver os ursos lá para o outro lado, onde tínhamos visto ele antes.
Fomos então passear de bote pela costa, antes passando de volta no iceberg e depois indo a outro iceberg mais arredondado. Passamos pelas pedras, eram todas arredondadas, com formas, e também cheias de musgos nas partes próximas ao mar.
Tínhamos contornado as pedras e nossa guia se virou como se tivesse acontecido algo, pelo rádio falou algo que não ouvi, então disse que o iceberg que estava em frente à estação havia quebrado. O pessoal disse que foi um barulho muito forte, mas a gente não escutou, talvez por causa das ondas e por estarmos atrás das pedras.
Comecei a olhar as pedras, pois ali que tínhamos visto o urso, vi que a arma estava ali na frente do bote. Eu pensava “será que deixo a gente chegar perto dele para avisar ou aviso de longe?, mas se eu falar de longe ela nem vai chegar perto...”
As rochas eram muito interessantes, ficamos passeando próximo as pedras, eu atento as pedras e também ao possível urso. Vimos uns patos voando em frente às pedras, a nossa guia explicou o que eram, pois ela é bióloga. Um senhor que estava no bote passou o tempo todo conversando com ela.
Depois encontramos mais um monte de pássaros, eram os de pernas vermelhas, estavam ali nadando. Percebi que quando começam a colocar a cabeça uma ou duas vezes na água é porque vão mergulhar. A gente estava bem perto e pude ver e fotografar eles levantando vôo, pesados e gordos de tanto comer peixe.
Eles tinham dificuldade de levantar vôo, assim além de bater as asas, os pés começam a pedalar, só que as ondas batiam nas asas deles e faziam com que eles levassem bem mais tempo para sair voando. Quem olha pensa que eles estão correndo sobre a água.
No final da enseada, havia uma cascatinha de um glacial. Ali fiquei preocupado com algum urso inesperado. Estávamos muito próximos as pedras e elas era um pouco mais alto do que nós. Mas um urso não ia se atirar em cima de um bote, pelo menos isso que eu esperava.
Uma senhora da Florida, EUA, estava no bote, ficava atenta, não falou nada, mas estava muito concentrada no passeio, tirou uma foto na sua máquina de filme descartável e eu brinquei com ela sobre isso. Avistamos mais um iceberg e nossa guia decidiu voltar, pois estávamos longe, mas sempre estabelecendo contato com a líder pelo rádio.
Voltamos então para pegar mais algumas pessoas lá na estação e voltar ao navio. Na passada vimos o iceberg que tinha quebrado, mas foi só uma partezinha lateral. Estava fazendo frio, tanto que o pessoal ficava se encolhendo e se agasalhando mais ainda. Vi o Gerard, de Montreal, em cima de umas pedras, ele estava com calor pelo jeito, pois estava sem jaqueta. Na estação pegamos um casal que veio com a gente.
Vi a Ellen e o Fernando nas pedras, ele se entendendo com o refletor. Voltamos então para o barco, fizemos uma volta em redor do navio e subi nele. Quando estava no navio olhei para o iceberg quebrado e depois vi uma baleia, era minkey provavelmente, mas estava tão longe que nem tirei fotos, apenas curti ela. Logo depois já era hora de almoçar.