Dia 20 - tarde - Navegando pelo gelo
Depois do almoço, como não tinha nada para olhar além do mar, fui preparar os DVDs para o pessoal, teria que fazer uns 60 DVDs para todo mundo. Então copiei as fotos que tinha tirado de manhã e depois fui lá fora na proa novamente o gelo voltava a aparecer, pequeno e derretido.Os pássaros passavam em bandos, mas era mais raro eles aparecerem.
O barco fazia zig-zag, desviando das partes mais fechadas. Vi uma foca sobre um gelo um pouco maior que ela, ela nos viu, olhou pra nos e continuou deitada. O que impressionava era a miragem dos gelos no horizonte, graças ao calor maior desta tarde. Fomos para a ponta do navio ver, filmar e tirar fotos de quando o navio quebrava o gelo. Mesmo ele não sendo um quebra-gelo, quando não tinha jeito, tinha que abrir espaço do jeito que dava.
A gente sabia que viria um quebra-gelo abrindo espaço para a gente. O quebra gelo da Guarda Costeira era o Terry Fox. À medida que íamos avançando, mais fechado ia ficando o mar de gelo. Eu já tinha a experiência do quebra-gelo da Antártica, mas era diferente, lá era bloco de gelo tudo fechado. Será que enfrentaríamos isso no próximo dia?
Tinha um americano de Santa Barbara, de Utah, que falava um pouco de português e era muito simpático. Lá no início da Expedição ele tinha pegado uma gripe, provavelmente por causa da mudança de clima, do verão da Califórnia para o Labrador.
Depois eu vi uns pássaros sobe um bloco de gelo, sentados como se fossem pingüins e brinquei dizendo que vi pingüins. O Tony que não estava ali depois me explicou que pássaro era e inclusive me mostrou em um livro de pássaro, disse que não é comum eles sentarem assim, mas era pássaro. Eu rindo concordei, pingüim só na Antártica, a menos que alguém os trouxesse pra cá.
Mas eu senti frio neste dia, tive que ficar com o casaco e a toca o tempo todo. Meu Amigo John, de Ottawa, ficava me chamando atenção para as miragens. O tempo nublado tirava as cores, mas deixava o mar prateado e a miragem dourada. Os pássaros continuavam aparecendo, para mim desde o paredão de dois dias atrás que via pássaros toda hora, antes era raro.
Agora em certas direções víamos as nuvens baixas, escondendo um pouco os gelos e os icebergs, aliás icebergs nesta tarde vimos pouco, pois eu não considerava os gelos sobre a água iceberg. O sol já aparecia abaixo das nuvens, uma bola branca, brilhando, deixando tudo vermelho a sua volta.
O reflexo no mar nunca vi mais dourado. Logo ele já mudou sua cor e ficou amarelado. Acompanhamos ele fazer seu pouso, incrível quando ele desce lentamante como é nos pólos, assim ficamos tendo tempo de fotografar, analisar, conversar, e ele se moveu quase nada. Para filmar a descida dele de barco não dava, pois o barco ficava mudando de ângulo toda hora.
Fiz umas fotos do pessoal, pois nem todo mundo gosta do pôr-do-sol, notava que sempre eram os mesmos, outros preferiam o bar. Ficamos tão envolvidos com o sol que esqueci novamente da lua. Ela nasceu atrás do navio e nem vi. Quando me lembrei dela, já estava bem alta, toda vermelha.
Depois de tirar umas fotos dela, vi que só eu estava ali na proa e estava muito frio. Decidi ir para o quarto, onde encontrei meu colega dormindo e procurei então atualizar as fotos para começa a gravar os DVDs para o pessoal.