Dia 21 - manhã - Trancados no gelo
Eu nem fui dormir, entrei lá pela meia noite no quarto e fiquei atualizando as fotos, depois me dediquei a reduzi-las, para caberem as 20 mil fotos que eu tinha tirado. No dia anterior tinha tentado, mas ficou em 15 gigabytes, assim reduzi para 1024 as fotos e dessa forma deveria dar certo.
Deixei gerando as fotos e pelas 3:00 fui ver se a lua já tinha descido, tinha conferido algumas vezes mas ela continuava no alto, e percebi que ela não desceria mais como nos primeiros dias. Lá fora tinha um pouco de neblina, mas esperava que com isso o sol aparecesse direto.
Lá pelas quatro da manha, o vermelho do sol já estava aparecendo. O contraste com o azul do céu e do gelo ficava muito lindo. Fiquei ali fora curtindo, e bem agasalhado. Notei que o navio não andava, estava trancado em meio ao gelo, ele só movia-se para um lado ou para o outro, para afastar um pouco o gelo.
A lua permanecia lá em cima, então fiquei mais concentrado no nascer do sol, tinha nuvens no horizonte. Com muito frio fui para o topo, o vento estava forte e eu estava agasalhado, mas não para tanto vento frio. Com a filmadora fiz umas imagens lá de cima e também me filmei, pois vivia me esquecendo de me filmar.
Quando estive na parte mais alta do navio, vi o capitão e um outro oficial conversando e olhando o gelo ao lado do navio. Ao nosso lado esquerdo tinha a terra, dava para ver no horizonte. E dava para ver a correnteza da água pela forma que se moviam os gelos e as manchas da água.
Voltei a olhar a lua e seu reflexo na água, ou onde tinha água entre o gelo. Voltei a olhar pra frente e vi dois grandes blocos de gelo fechando a frente do barco, e via o navio tentando se livrar deles. Só eu e o pessoal da ponte que estava acordado, mas eu estava feliz de estar tendo este momento.
O dia clareava, então desci novamente para a proa, ali vi só duas pessoas na ponte de comando. Achei uma graça em dois passarinhos que apareceram ali no lado. Um deles achou um cone, um gelo em forma de cone e ficou bem na ponta.
O tempo ia passando e eu curtia ver todo aquele gelo em redor do barco e nem pensava em dormir, assim como o sol também não queria sair. Subi então para a torre pois tinha deixado a câmera filmando. Então lá de cima vi que sobre a montanha, sua parte mais clara na verdade uma camada de neve, muita neve. Na descida tirei uma fotos das placas em russo que eu vi no caminho e quando cheguei na proa o sol estava finalmente surgindo.
Eu comecei a curtir o nascer do sol e a brincar com ele. Principalmente no momento que ele fica com as 3 cores: vermelho, amarelo e branco. As fotos pareciam pinturas, a água que o sol deixava dourada e a lua lá encima ainda. Fui conferir se meu processo das fotos no computador estava ok e no caminho tirei umas fotos da clarabóia da porta, ou seja a janelinha, que ficaram bem boas.
Com a luz do amanhecer deu para ver a quantidade de gelo e constatar que estávamos presos. O navio tentava se mover, mas acho que não conseguia. Ele só criava um espaço em um dos lados dele, mas o resto estava fechado de gelo, para todos os lados.
Fui para cima do navio novamente, agora para fazer umas fotos gerais para documentar a situação do navio, ali em cima estava ventando muito, assim fiz as fotos e já desci rapidamente.
O sol já estava alto, e eram umas 6:00 horas da manhã, decidi ir dormir para me recuperar plenamente. Gravei alguns DVDs e fui dormir um pouco.