22 - Iqaluit - Nunavut
Cheguei a Terra, desembarquei do bote, meio atrapalhado com minhas bagagens de mão, me despedi do pessoal que ali estava. Vi um bebê nas costas de uma pessoa local que entrava em um daqueles barcos de pescadores parecidos com sapatos, aproveitei e tirei um monte de fotos, a criança estava uma graça com óculos escuros.
Depois avistei o pessoal que veio do barco com roupas e botas alugadas, deixei ao lado onde ficavam os itens alugados, o meu colete salva-vidas e segui para o ônibus escolar que nos esperava para fazer o tour pela cidade e depois nos levaria até o aeroporto.
Primeiro fomos ao parlamento, tipo uma assembléia legislativa, fica em frente ao local que antes era o plenário, um mini museu, muito interessante. Como tínhamos pouco tempo, antes corri tirar um monte de fotos das bandeiras que significavam as tribos do povo Inuit. Então fomos a uma loja com artigos árticos, mas estava fechada, isso é estranho, não é?
Este estabelecimento fechado em plena terça feira, talvez fosse muito cedo. Então seguimos para um museu. Quando chegamos, chamou-me atenção umas barracas ao lado de uma casa, ao fundo um prédio em construção. Fui ver o que era. Em redor da casa alguns pelos de animais secando, e também carne defumada ao sol. Na casa ao lado havia uma barraca, trenós e snomobiles em volta da casa.
Em meio a tudo isso, uma senhora idosa sentada ao lado da casa, com ela um senhor, cheguei para conversar, ela ria, simpática, não sei se me entendia, do interior da casa vinha sua filha, começamos conversar, nessa conversa descobri que a senhora foi referência de um livro, a tempos atrás, livro de uma escritora inglesa, que falava sobre o povo Inuit. O livro se chama The Long Exile, A true story of deception and survival amongst the Inuit of the Canadian Artic.
Da autora Melanie McGrath, ela era a menina maior da capa. Nós ficamos ali conversando um pouco, chamei o pessoal para ir la falar com ela, e ela toda orgulhosa, sentamos, tiramos fotos, e depois tivemos que seguir. Então o Gerard nos encontrou e apresentou uma senhora que deveria ser a prefeita da cidade ou uma líder comunitária. Eles estavam tendo um encontro sobre aquecimento global.
Eu segui com o ônibus, vimos um carrinho com quatro bebês, um atrás do outro, o da frente mais loirinho e o ultimo mais escurinho. Ao lado, outra mamãe levando o seu filho nas costas como costume local. Canadá é um pai fascinante, de muitos contrastes, nas placas desta cidade tudo era inglês e na língua Inuit, em outras partes do Canadá Inglês e Frances.
Ali no centro havia muitas obras de arte esculpidas em pedra, mas eu não tinha tempo de olhar isso, então, entrei em uma loja para ver o que tinha de artesanato. Eu estava sobrecarregado de coisas, mas não me custava olhar. Achei muitas coisas legais, o que me impressionou foi o dedal, aquilo que as costureiras usavam antigamente, era com símbolo Inuit e cheio de pedras, muito bonito, não teve outra comprei dois um para mim, pois era lembrança, pequeno e um para minha amiga que ficava fazendo tricô no navio.
Além disso, comprei uma lembrança deste lugar para minha mãe e para a Ayumi. Ainda procurei ver se conseguia um cortador de unha o frio seco da região tinha quebrado minhas unhas e no ônibus acabei quebrando a unha ao meio. Como o cortador de unhas estava na bagagem, coloquei um adesivo enrolado no dedo para evitar rasgar mais, como pode uma coisinha tão pequena nos incomodar tanto.
Seguimos para uma galeria de arte em frente ao aeroporto, no caminho dei de presente para minha amiga o dedal, foi divertido. Na galeria de arte muita coisa interessante, mas minha bagagem não comportava, eu pensei um dia vou voltar aqui, quem sabe em outubro, pois a Ayumi e a mãe dela querem vir para o Canadá na parte do atlântico.
Voltei ao ônibus levei minhas bagagens para frente do aeroporto, ali estavam todas nossas malas, imagine isso no Brasil, não ficariam nem 10 minutos, peguei uma, depois a outra e levei para dentro do aeroporto, depois mais duas viagens da bagagem de mão ali dentro, fiz meu checkin achando que iria pagar uma bagagem de excesso ou de peso, mas não, como era um vôo fretado não tinha problema.
Fiquei ali cuidando da bagagem do Fernando e da Hellen que foram fazer umas filmagens la fora, mais tarde eu consegui um corta unhas e acertei minha unha, coloquei um band-aid, ufa, me senti muito melhor, agora é só esperar o Fernando chegar e entrarmos no vôo, eu estava como sempre com minhas 3 bagagens, o me viu Tom e se ofereceu para levar uma, foi muito legal, entramos no avião, sobrou lugar para muita gente.
Neste mesmo avião chegaram cem passageiros que iriam fazer outra parte do ártico. Assim voamos tranqüilos até Ottawa, eu não dormi, mas muitas pessoas dormiram, fiquei atento analisando a paisagem, estudando como era o lugar, tentando ver isso no mapa, depois olhei as fotos, as do Gerard ficaram muito boas também. Show de bola. Li um livro e já estávamos chegando.
Para surpresa de todos, a saída do avião era na traseira, tornando-se semelhante aos aviões de guerra, nunca tinha saído assim. Ali nos separamos em um grupo que iria ficar na cidade e outro que iria seguir viagem, porém o pessoal local foi todo no de seguir viagem, pois provavelmente a família pegaria eles ali. Corri então para me despedir do pessoal que estava envolvido com suas bagagens, e voltei ao nosso ônibus.
Desembarquei no hotel como todo mundo e la peguei um taxi, dei o telefone para a Hellen e o Fernando para nos encontrarmos a noite, passear pela cidade e jantar. Quando estou colocando as minhas bagagens no taxi vi que alguém esqueceu uma mala de mão, deixei com o porteiro do hotel, eu nem sabia de quem era.
Fui para meu hotel, adorei o caminho era perto e eu tinha escolhido no outro lado da ponte, em Quebec, mas era só atravessar a ponte que estava em Ontário, na cidade de Ottawa, no outro dia pegaria o carro e conheceria estas cidades que já estava achando muito 10. Só o taxista não era amistoso.
Assim foi minha incrível viagem pelo Labrador, região praticamente deserta de vida, sejam pessoas, aves ou animais. Aprendi muito, fiz novos amigos. Tirei muitas fotos, e terei lembranças disso por toda minha vida. O que achei mais marcante nesta foi ver os ursos polares no seu mundo, as dificuldades que eles têm quando o gelo se vai.