Buenas, tchê! No relato passado, mais precisamente no dia 31/09/07 quando fizemos a 1ª cavalgada eu me esqueci de dizer esta frase. Desta forma inicio mais um relato de deixar amigos de queixo caído e vontade de andar a cavalo.
Vínhamos a tempo nos organizando que faríamos mais uma cavalgada como aquela de 2007. Troca-se e-mail com um, outra hora com outro, e achamos a data certa: dia 22.08.08 sairíamos de Porto Alegre rumo a Grão-Pará/SC e nosso organizador Wilson Fellipe viria de Biguaçu/SC.
Quem seria de Porto Alegre? Eu, Fabio e Amorin. De Gravataí seria Fernando Borba e Fernando Filho. Tudo começa às 15h30min rumo a Freeway. Que dia bom para viajar, não estava quente, temperatura agradável. Céu de brigadeiro. Alguns diziam: vai chover no Sábado. Nunca fomos de dar muita bola para previsões. Se fosse assim não teríamos saídos de casa. Pois era certo que iria chover.
Conversando dentro do carro, vencemos Osório, Capão, Torres e chegamos em Turvo/SC, mais preciso no restaurante da Gruta. Ali fizemos um lanche rápido e pegamos novamente a estrada. Após passar Tubarão/SC, comecei a me preocupar que teríamos que comprar a carne de ovelha. Era uma encomenda do Fellipe para mim. Não podia falhar com ele. Até por que ele estaria nos esperando com um churrasco na Sexta à noite.
Passa Gravatal, Braço do Norte e íamos avisando nosso motorista que ele deixava para trás mais um estabelecimento comercial, tipo supermercado. Até que veio o último, Supermercado Líder. Pára, desce e chora para o gerente nos deixar entrar, pois já estava fechado. A funcionária Márcia que abriu a porta para nós, fomos direto ao balcão pegar os pedaços de ovelha. Pernil e Costela.
Conseguimos e eu estava aliviado, pois chegaria a Grão-Pará com o dever cumprido. Prometi e trouxe. Já era noite, 20h30min. Estávamos no horário programado. Mas nos perdemos várias vezes, pois chovia e não nos entendíamos com o mapa, a estrada já era de terra, era distrito de Aiurê. Passa ponte, passa forno de lenha, passa placa tal. Não deu outra, volta daqui, volta de lá. Chegamos no galpão do Lezo às 22h10min.
Mas para nós tudo era festa, chegamos bem, isto era o que importava. Chimarrão, trago e carne. Fomos até às duas horas da manhã conversando e contando causos. Já era tarde, fomos arrumar as tralhas para dormir, Fellipe cedeu sua barraca montadinha para Fernando, algo ou tipo assim: vou dormir aqui hoje. Meu amigo Amorin levou um baita colchão inflável. Digo baita por que dormimos os dois nele. Mimoso e ao mesmo tempo amigo, pois se dormisse na tabua direto, estaria comprometida minha cavalgada na manhã seguinte.
Era 06h30min da manhã e os cavaleiros já estavam de pé. Lava o rosto, escova os dentes e toma um bom chimarrão para acordar. Arrumamos-nos e fomos para a casa do Lezo tomar café. Desta vez o Lezo seria nosso guia, que espetáculo de pessoa, todo zeloso conosco. Encilhou os cavalos e nos reuniu para algumas explicações. Coisa básica para quem é da cidade.
Dito isto, montamos nos animais e pegamos a estrada. As primeiras 3 horas e meia de cavalgada foram pela estrada de chão batido, até chegarmos à Serrinha, na Pousada da Tia Nida. Na realidade ela fica mais próxima de Grão-Pará, estrada geral, comunidade de Aiurê (significa Aurora). Os proprietários Jose e Leonilda prepararam uma comida caseira. Arroz, galinha caipira, polenta, salada e maionese. Almoçamos e às 13h30min estávamos montando novamente os animais.
Desta vez falamos que queríamos aventura. Queríamos trilha, barro, cruzar rio, e Lezo cumpriu na risca. Tivemos tudo isto. Estávamos no distrito de Espraiado e Boa Vista. De vez em quando, parávamos para descansar, nós e os animais e para tomar um trago. Era 16h30min e estávamos perto do centro de Aiurê, o cavalo do Lezo já não agüentava muito, era um animal novo. Dois anos. Um pouco ele anda no cavalo outro a pé.
Este é o respeito do homem com o animal. Para nós gaúchos é muito mais que respeito, é admiração. Neste descanso, Lezo convidou alguns amigos para à noite fazermos uma cantoria no galpão de sua propriedade. Chegamos às 18h30min ao fim da nossa cavalgada. Missão cumprida e nós realizados. Felizes como crianças.
Que belo passeio tínhamos feito naquele dia. Almoço na pousada, trilha, rio de água cristalina, fotos com a serra geral ao fundo. E o melhor, sem chuva. Já no galpão começamos os preparativos para assar a ovelha. Uns queriam fogo de chão outro queria fazer na churrasqueira. Dizia que era mais rápido. Em outros tempos poderia dar-se uma "peleia" somente por este fato. Deu foi muita risada.
Foi feito fogo no chão, espetamos os pedaços de ovelha e colocamos em volta. Estávamos só esperando os convidados. Amigos! Começou a chegar gente com instrumento, microfone e caixa de som. Pedrinho Serrano (gaita e voz), Dovarino Godin (pandeiro, gaita e voz) e Pita (violão e voz). Alas putchas!!! Que baile!!! Faltavam as prendas, mas frio, as dificuldades para dormir e cavalgada era pra macho e não as levamos. Saudades.
Vieram os primeiros acordes, os primeiros versos e tava feito a cantoria. Uns dançavam outros batiam palmas. A ovelha no fogo. Trago e mais música. Que pena de quem não foi a esta cavalgada. Desopilamos a mente. Lezo nosso anfitrião, passou a cavalgada cantando alguns versos de música gaúcha. Não deu outra, colocamos o microfone na mão dele e o homem se soltou. Era uma música atrás da outra. Todas do nosso rincão amado. Por fim tiramos o microfone da mão do homem para dar fim à cantoria. Necessitávamos de uma boa noite de sono.
Domingo, acordamos mais tarde. Tomamos café na casa do Lezo e pegamos a estrada de volta para casa e de nossas verdadeiras vidas. Por volta das 19h30min estaríamos encerrando nosso passeio a Santa Catarina para nossa 2ª Cavalgada. "Não somos diferentes e nem especiais, somos seres humanos que sabem aproveitar a vida. Dar boas risadas com os amigos e descansar a mente. Não nos critiquem, nos imitem."
Aos que foram um beijos no coração, e aos que faltaram esperamos vocês na próxima. Gaúchos e gauchas de todas as querências: um até breve, pois já estamos pensando na 3ª cavalgada. Um abraço de quebrar costela.
Fabio de Souza