7º Dia Calama a Arica - CH (590 km):
Logo ao sair da cidade encontramos o Luis de Curitiba que havia sumido, ele continuou novamente conosco, pois seu destino era Arica. Em pouco tempo entramos na Panamericana e cada vez mais o visual impressiona, o que mais chama a atenção são as cruzes na beira da rodovia, centenas delas, junto a elas muitas vezes destroços de veículos e pertences dos sepultados. Outra curiosidade da Panamericana são algumas placas enormes com frases tipo: No Corra Papá, Su Familia Usted Espera isso fazia com que a saudade de casa aumentasse e a emoção tomava conta.
Faltando uns 30 m para chegar a Arica, eu e o Pé pedimos socorro ao Luis, pois a gasolina das Falcons estava no fim e ele tinha um galão precioso. Chegando a Arica, tratamos de trocar óleo das motos e eu fui atrás do pinhão para minha Falcon. Depois fomos conhecer El Pacífico e os pontos turísticos de Arica. À tardinha encontramos com o Casal de Curitiba que estava viajando de automóvel e nos levaram até o Hotel que estavam.
Frase do dia: Pé para Luis: “Tu só pode ter três huevos para viajar sozinho por este deserto!"
8º Dia Arica - CH a Arequipa - PE (485Km):
Enquanto eu fui atrás do bendito pinhão que ainda não tinha conseguido, os demais integrantes foram tirar mais algumas fotos da praia. Quando retornei com o pinhão no bolso fomos direto para a Aduana: Fila demora, carimbo, carimbo, carimbo. Agora estávamos no Peru, muda tudo, agora a Cordilheira tem vegetação, muita criação de alpacas, vacunos, etc, só que de uma forma curiosa, pois não há cercas, apenas cães pastores, as centenas, no acostamento da rodovia cuidando os rebanhos, parece que voltamos no tempo.
Passamos por Tacna e à tardinha pegamos uma chuva gelada, chegamos a Arequipa a noite todos molhados e achamos um Hotel onde entramos com tudo literalmente, pois como não tinha garagem a proprietária autorizou que colocássemos as motos dentro da sala de estar do Hotel. Depois uma sopa quente para recuperar os pilotos.
9º Dia Arequipa a Hayaviri - PE (370 km):
Acordei cedo e tratei de ir trocar o bendito pinhão de $50, isso mesmo cinqüenta dólares. Mochilas, sacolas, muambas, tudo em cima das motos, lá vamos nós. “Hoje chegamos a Cuzco” intenção de todos. Ao meio dia chegamos a Juliaca, que espanto o trânsito é uma loucura, gente, bicicleta, triciclo, automóveis, animais, buzina, buzina, e buzinas, chegamos a entrar no clima e buzinamos também, o Chico se divertia.
À tarde continuamos, bastante frio e as motos no mesmo, falhando e pouca potência podia-se comprar a Falcon a uma Biz. À tardinha, em um posto em Hayaviri, encontramos um Ônibus da empresa Transgiro de Marechal Candido Rondon com brasileiros, foi um agito e um dos excursionistas pergunto se conhecíamos o Canela de Crissiumal. É claro que sim, ele até já fez parte da Companhia da Trilha, pois era um sobrinho de nosso conterrâneo que viajava a Cuzco. Ficamos por ali mesmo, pois o dia estava no fim e ainda faltava muito chão para Cuzco. À noite mais sopa para esquentar.
10º Dia Hayaviri a Cuzco-PE(248 km) + City Tour:
Neste dia conseguimos finalmente chegar a Cuzco com 3.930 km rodados e conseguimos nos hospedar a 100metros da Plaza de Armas. Após descarregar as motos e nos instalarmos tratamos de acertar os passeios. Neste dia fizemos o Circuito Turístico de Saqsaywaman com grupo de turistas dos mais variados continentes, onde acompanhados de Guia Turístico, visitamos o Convento de Santo Domingo - “QORIKANCHA”, TAMBOMACHAY, PUCA PUCARA, entre outros. Ótimos visuais da cidade de Cuzco.
11º Dia Cuzco - PE - Vale Sagrado:
Ao levantarmos encontramos adesivos nos bancos de nossa motos, que foram deixados por um gaúcho de Nova Petrópolis “outro Chico”, que viajava sozinho e já havia saído naquela manhã. Após o café, novamente com grupo de turista em Micro ônibus fomos ao Vale Sagrado dos Incas começando com uma parada para ver o Riu Urubamba (um dos principais afluentes da bacia Amazônica), depois PARQUE ARQUEOLÓGICO DE PISAQ, após o almoço, Parque Arqueológico de OLLANTAYTAMBO.
12º Dia Cuzco-PE - Machu-Picchu:
Às 4:30horas da madruga levantamos para não perder a saída do trem às 6:00 horas. Tudo certo, viajamos de trem até Águas Calientes, em torno de 3:00 horas no trem, apreciando as maravilhas da mata e morros. De Águas Calientes até Machu Picchu o transporte é com Micro Ônibus em uma subida espetacular, o relevo assusta pela exuberância.
Com câmeras digitais, filmadora e trajes oficiais é claro, lá estávamos nós, misturados a gente de todas as partes do mundo que vem vislumbrar aquele lugar. Através de nosso Guia tivemos relatos de toda história Inca, cultura, engenharia, deuses. Muita provocação de brasileiros que estavam por lá por causa dos uniformes do Grêmio e Internacional. O tempo passa rápido em torno de 15:00 horas começamos a retornar chegando em Cuzco à noite.
13º Dia Cuzco-PE a Copacabana - BO (601 km):
Segunda-feira, bem cedo tratamos de encher os tanques, pra variar chuvisco gelado, almoçamos em Puno, e começamos a beirar o TITICACA até Copacabana. Outra Aduana: Fila, carimbo, carimbo, carimbo. Ali encontramos um motociclista do CANADÁ, com uma KTM que já havia rodado mais de 20.000 km e logo nos perguntou quando seria o Carnaval no Rio de Janeiro. Já era noite e tratamos de nos alojar em um Hotel a beira do Lago Titicaca.
Frase do dia: Wak´s com um maço de bolivianos: “Pé, estamos ricos olha só quanto dinheiro deu o câmbio!"
14º Dia Copacabana a La Paz-BO (96Km):
Pela manhã fizemos o passei a ILSA DEL SOL, nada agradável, pois além da demora, frio, superlotação no barco, tivemos muito pouco tempo para apreciar o local. Em terra firme, TRUCHA de almoço. À tarde fomos a La Paz, onde primeiro fizemos a travessia do canal do lago em uma espécie de balsa que dava arrepios. Curvas especiais para arranhar as pedaleiras. La Paz, um formigueiro humano, meu Deus, quanta gente (1.200.000 em El Alto + 1.000.000 em El Baixo), buzina, buzina e mais buzinas.
À noite fomos contratar os passeios para o outro dia. O Chico foi comprar outra máquina digital pois havia perdido a dele. O Pé, com febre, ficou no quarto.
15º Dia La Paz a Ururo-BO (221Km):
Pela manhã fomos de Van ao CHACALTAYA (5.300Msnm). Falta de ar, gelo para pegar nas mãos, até a Estação de Esqui somente o Jacó o Fernando e eu chegamos e tiramos fotos da estação desativada a cinco anos por falta de gelo em virtude do aquecimento global. Em seguida fomos ao City Tour e ao Vale de La Luna. Ás 14h00min carregamos as motos e fomos até Ururo.
Frase do dia: Wak´s quase no topo do Chacaltaya: 'Non to sentindo nada, non sinto os pés, non sinto as mãos, nem o nariz!"
16º Dia Ururo a Santa Cruz D´La Sierra -BO (787 km):
Foi o dia em que mais gelou as mãos pois a altitude chegou aos 4.100 metros. Comemos uma deliciosa Trucha antes de começar a descer. Quantas curvas, túneis, na descida, finalmente esquentou e foi para valer, tratamos de tirar os casacos na beira da rodovia mesmo. Que beleza as motos voltaram a funcionar e dele máquina.
Relato: Evandro Ribeiro
Fotos: Fernando Utzig e Jacó Lindener