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Dolor e Angela realizaram uma motoviagem partindo de Itajaí/SC ao Alaska, no período de 26 de fevereiro a 18 de outubro de 2003. Confira a Praia Cordobesa desta grande aventura.
Depois do nosso jantar-encontro de ontem à noite, combinamos de nos reencontrar por volta das 9:30 h em nosso Hotel, para passearmos juntos, uma vez que teríamos o prazer de conhecer Córdoba, com um verdadeiro Guia Cordobês.
Tudo certo, na hora marcada, lá estávamos nós no salão de café, onde após os cumprimentos de praxe, e sempre com aquela sensação de se estar em casa, quando se está reunido com pessoas da casa da gente, não importa a extensão desta casa, se país, estado ou cidade, quanto mais próxima é esta casa, mais nos aconchegamos no relacionamento.
E literalmente em casa e após a "mala" durante a arrumação das motos, devidamente estacionadas na vitrine do Hotel, cumprimenta um, dá uma explicação para outro, sorrisos, fotos, faltando apenas autógrafos, etc, fico pensando que realmente as celebridades precisam ter uma preparação psicológica muito grande para não começarem a pensar que podem mudar a rotação da terra, até porque tenho a impressão, que o próprio público, carente e por vezes acreditando que isto é possível, se projeta nos seus ídolos, que, alimentado pela mídia, alimenta o personagem principal, que alimenta seus fãs, que alimentado pela mídia, bem, o círculo esta fechado, faltando tão somente se saber qual a intensidade do foco de luz que a tudo isto clareia, e o tempo, que pacientemente aguarda o fim desta queda de braço, que nunca poupa vítimas.
Após nossa exposição embaixo deste foco de luz de uma lanterninha, e "posudos" tais quais os reis da cocada preta, seguimos Juan, nosso Guia Cordobês, até a casa do Bébi e da Marta, ele uma figura bastante conhecida e querida pelos motociclistas de toda esta região, porque é o mecânico mais antigo de Córdoba, e com todas aquelas características peculiares dos profissionais argentinos de uma época que infelizmente não deverá voltar mais. Talvez pudéssemos dizer que é neste campo, um tipo..., "O último dos moicanos".
Tranqüilo, de fala mansa, detalhista, mãos e oficina limpas, como convém a um bom profissional, e que de imediato me trouxe à lembrança, observações que meu Pai fazia, há mais de quarenta anos, quando afirmava que um bom mecânico deveria trabalhar de terno de linho branco, que com as devidas adequações, é a teoria colocada na prática pelas Fábricas da Honda pelo mundo afora, assim como a sua rede de concessionárias autorizadas, que tem como cor dos seus uniformes, o branco. Valeu meu Pai.
Seguimos então os três casais rumo à região serrana de Córdoba, mais precisamente a um conjunto de cidades, dique e lago que compõem o Valle de Punilla, de uma beleza ímpar e que durante o verão, feriados, finais de semana etc, se transforma na "praia" dos cordobeses, com um movimento de dar inveja a nosso Balneário Camboriú.
Boas lembranças nos vieram durante este percurso, como por exemplo, a apresentação de uma dupla de tradicionalistas argentinos que tivemos a oportunidade de assistir em Bariloche, e que havia ganho o famoso festival da tradição Argentina de Cosquin, e que arrancou com esta menção, aplausos extras de reconhecimento da platéia Argentina que naquela casa de espetáculo se encontrava, e nós, infelizmente sem o devido conhecimento deste detalhe, de repente, nos deparamos depois de alguns milhares de quilômetros, com o palco, objeto de desejo de todos os artistas desta área, sabem onde?
Em Cosquin, que faz parte deste vale, juntamente com outras pequenas cidades cujos limites se perderam há muito, formando um só bloco, quando não se percebe se estamos em Cosquin, que voltaremos um dia durante o mês de janeiro para acompanharmos este festival, ou Bialet Masse, ou Valle Hermoso, ou Huerta Grande, ou La Falda, entre outras, tendo certeza, porém, dos limites da cidade de Carlos Paz, estrela que mais brilha neste conjunto, ou melhor se dizendo, é a "melhor praia" da região.
É uma profusão de gente, de todas as idades e origens, de bares, restaurantes, cyber-cafés, locutórios, confeitarias e alegria, ficando difícil de imaginar que fora deste círculo, e é a impressão que se tem, que o circo está pegando fogo, ou melhor ainda, que já está faltando fogo para o circo queimar.
Com todas estas opções, fomos parar num pequeno restaurante a beira da estrada, que somente os nativos conhecem, onde entre empanadas únicas, e um bom "pollo asado", nos esbaldamos a "charlar" de abobrinhas, sexo dos anjos, e é claro de motos, lembrando que o Bébi fez um horário especial de trabalho, para poder ficar conosco, e, diga-se de passagem, extremamente puxado, indo abrir a sua oficina as 6: 00 h da tarde, e trabalhando o coitado, que nem louco, sem praticamente intervalo para descanso, a não ser por umas três ou quatros rodadas de chimarrão, porque ele também é filho de Deus, ufa! Até as 7:00h.
E assim, por estes e outros exemplos, durante as nossas viagens por estas plagas argentinas, a Ângela e eu já chegamos a uma conclusão e que a cada dia que passa, se reforça mais e mais, quando concluímos, que o que aconteceu com os Argentinos, é que eles mamaram a vaca toda. E eu não sei porque que eu gosto tanto deles!
E gostando de verdade desta gente, é que terminamos nosso dia, depois de outros bons papos pelos barzinhos e sorveterias, outra mania dos Argentinos, na casa do Bébi e da Marta, que muito querida, pegou sua scooter e foi comprar umas empanadas para que pudéssemos terminar o dia, quer dizer noite, pois isto já era praticamente 11: 00 h e exaustos, pegamos o caminho de casa para podermos descansar e começar tudo isto de novo no dia seguinte. Bem, aí é outra trabalheira danada. Olha gente, vocês não sabem como é bom ir para o Alaska. Está aí uma coisa que eu recomendo prá todo mundo. Coisinha boa mesmo!
Fonte:
Dolor e Angela Cidade:
Córdoba-EX-Argentina Fotos: Dolor e Angela Publicado: Eduardo Vargas de Oliveira Pedroso Date: 04/03/2008
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