Quinta-feira, 9 de Outubro de 2008 - Sexto dia
Arriba povo!
Bem no quarto dia chegamos a Porto Velho, ficamos numa cidadezinha 20 km antes, Candeias de alguma coisa que não me lembro, pois nos disseram que não tinha hotel a bom preço com vaga em Porto Velho.
Um rapaz chamado Wilson nos deu grande ajuda nos informando isso e nos indicando um hotel para ficar lá. Depois no outro dia seguiu a gente pela estrada, quando passamos e Abuna, cidade com vestígios na estrada de ferro Madeira Mamoré. Tirou fotos da gente e com a gente, demonstrando grande amizade e espírito de companheirismo; é de Araçatuba / SP.
Vimos até o posto de saúde onde o Fabio Assunção azarava a Ana Paula Arosio, disse a Rita, sobre severo olhar do Caio. Andamos 1.100 km ontem de Candeias, Rondônia a Brasiléia / Acre. Ficamos numa pousada de cinema. Nosso quarto tinha até ofurô, tudo por R$ 33,00 por cabeça.
Amigos, as estradas estão em ótimo estado. Não há mais floresta densa, serrado com pastos e uma castanheira centenária aqui, outra acolá. Fomos brindados com um lindo por de sol quando passávamos por Xapuri a terra do Chico Mendes. Ontem não choveu e nem hoje.
Hoje foi enrolado. Pela manhã fomos trocar óleo das motos e eu tentar pegar grana, mas não consegui. O pessoal pegou piscina e tudo. Saímos eram quase 12:00h. Chegamos assim ao Brasil às 13:30 e a Aduana brasileira abriria apenas 1,5 hora depois. Comemos alguma coisa e voltamos. Encontramos quatro chilenos com 4 KTMs 900. Querem conhecer o Brasil e vão nos contatar.
Todos ficaram estupefatos em saber que a Big reúne mais de 300 motociclistas no Brasil e Europa. Ficamos quase 4 horas na imigração, internando as motos e ‘cambiando moneda’. 1 real equivale a 1,55 soles. Troquei R$ 700,00, pois o Caio tirou R$ 500,00 para mim de sua conta, valeu amigo! Alias só há um banco em Assis Brasil e ele fecha às 13:00h.
Precisa sim de carta internacional para entrar no Peru. Passaporte não e necessário, pode ser com identidade apenas. Como já era tarde, andamos apenas 170 km hoje, dos quais 60 após a fronteira até Iberi. Estamos pagando 35 soles por ‘una habitacion dupla’. As motos estão dentro da Hospedaje, algumas nos corredores internos e as BMs maiores na sala de recepção junto com a TV e sofás.
Amanhã começa a aventura. Muitas informações desencontradas, mas parece que são mais 140 km de asfalto e depois 40 de terra até Puerto Maldonado. Amanhã vamos conferir. O astral continua altíssimo, hoje foi meio complicado por causa da demora nos trâmites.
Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008 - Sétimo dia
Boa noite gente! Vou ser rápido, pois daqui a pouco cai a força, desligam o gerador.
Estamos em Mozuco / Peru e hoje a aventura começou. Foram 380 km de pauleira. 166 de onde estávamos até terminar o asfalto. Diziam que era 30, 40, 60 km, mas na verdade são 166 até perto Puerto Maldonado. Ai a coisa pegou.
Ficamos das oito da manhã às sete da noite para andar somente 380 km, dos quais pelo menos 50 a noite depois de Santa Rosa, já na serra. Mas estamos bem. A XT 66o quebrou a rabeta, mas já foi consertada, tudo por 30 soles.Vamos jantar, agora....
O Vermeio várias vezes quase se borrou todo. Para entrar na balsa em Puerto Maldonado, para sair e no caminho - todo de pedra solta -a moto rebolava o tempo todo. Eu, para piorar, estou com pneu de CB 500 Pirelli MT 75 na traseira, mas andei bem, escoltei o Caio e a Rita durante toda a estrada ruim. Média a noite 40 km/h.
Segunda-feira, 13 de Outubro de 2008 - Décimo dia
Arriba!Estamos em Cusco, sim e com s e não com z (zeta). Vamos as noticias. Levamos três dias para chegar, não foi possível chegar em dois. No segundo dia de rodovia do pacífico andamos apenas 140 km.
Saímos as oito da manhã e depois de uma hora paramos numa cancela, carreteira cerrada, por três horas. Ficamos por três horas no pueblo de San Lorenso. Se para a maioria foi uma tortura, para mim foi o melhor que a viagem poderia ter me propiciado até então. Conheci um senhor de 84 anos chamado Modesto Idalgo Santacruz, um guerrilheiro do MIR (movimento revolucionário), Comandado pelo Luiz Delaponte Uceda, entre os anos de 42 a 55. Conheceu Tche Guevara e tudo mais.
Hoje trabalha de forma itinerante, com um pequena mesa, um banco e um guarda sol surrados, pregando o comunismo, com uma fé ao que acredita que dá gosto conversar com ele.
Claro, com pensamentos totalmente superados, mas o que mais me impressionou foi sua perseverança na luta que ate hoje não deixou. Foca três ou quatro dias em um pueblo e vai para outro. Vive assim, a dizer que Alan Garcia, Presidente do Peru, é um prostituto do império Yanque.
Vai ganhar um capítulo especial no meu livro, com certeza. Depois dessa parada andamos mais um pouco, uma hora, aqui as distâncias não são medidas em quilômetros mas em horas, e paramos de novo por mais quatro horas. Nos liberaram a noite.
Então disputamos com os mesmos caminhões a estrada em construção, um verdadeiro inferno. Pilotando a noite com um barranco ao lado e um abismo do outro, uma mão só e caminhões atrás e na frente: Não recomendo. Para todos um grande desafio, não se admite erro. Errou morreu! E não estou exagerando.
Mas a paisagem começa a ficar interessante e não da para não para e tirar fotos a cada pouco. O inferno da estrada só foi superado pelo inferno da cidade que chegamos, Markapata. Suja e cheia de caminhões. Depois de uma rápida procura ficamos numa hospedagem menos ruim por dez soles para dormir e dois para guardar as motos. Um lugar horroroso, sujo e um povo sem a menor vontade de servir. Super desconfiados.
Estavamos ainda descarregando as coisas e a Adriana um peruaninha mal encarada entrou no quarto sentou na porta, nos pediu os dados e nos pediu para pagar, batendo o caneta na perna, para dizer que deveria ser adiantado.
Os que foram tomar banho o encontraram com água fria depois da promessa que seria quente. Eu simplesmente não tomei banho, estava muito frio. Fui negociar a comida, pois as nove “todo cerrado”, disse-me Adriana. Quando insistia ela dizia, amañana a las 4, ahora no hay.
Fui ter uma conversa com o dono do "restaurante" que também era dono da hospedagem, para nos dar comida. Depois de implorar consegui um prato para cada um de nós, com arroz e ovo. Depois de muito insistir concedeu-nos a graça de nos dar comida. Cobrou o olho da cara, fomos literalmente roubados, mas era o único jeito.
Fazia frio, estávamos exaustos e pela primeira vez pensei o que estava fazendo ali, arriscando minha vida naquela estrada maldita e naquele lugar nojento. Pela manhã tentamos não tomar café no mesmo lugar que jantamos, mas não foi possível, tivemos que voltar, em outros lugares só tinha arroz com ovo - é isso mesmo, arroz com ovo às sete horas da manhã.
Saímos com a informação que teria um gringo, posto a 14 km. Não tinha, nunca confie em informações por aqui, todas são muito desencontradas. Logo acabam-se as obras na estrada e nos encontramos com a estrada antiga, muito melhor. A paisagem começa a ficar deslumbrante e tudo que disse na noite anterior se dissipa e me deslumbro com a cordilheira maravilhosa.
A viagem não rende, mas agora ninguém reclama, pois a paisagem exige contemplação. Pueblos, picos nevados, lhamas, pôneis, e a estrada serpenteando a cordilheira, curvas a 360 graus, dava para ver a placa da moto. Precipícios sempre.
Minha moto desde antes de Markapata está difícil de pilotar, engasga, só ando em primeira e segunda usando muito a embreagem, só anda após elevar a rotação e soltar a embreagem. Horrível, não acho que seja apenas a elevada altitude - agora já acima de 4800m.
Um outro problema já ha dois dias se mostrava. Quando desligava a moto, quase sempre depois para religá-la precisava abrir o tanque para soltar a pressão. Fiquei sem combustível com apenas 200 km rodados. Esperei o povo ao lado de um lago verde lindo, já descendo. O Flavio chegou primeiro e foi na frente buscar combustível que de acordo com informações dos caminhoneiros transportadores de combustível estava perto, um falou cinco minutos o outro 20.
Chegou o povo e tirei gasolina da moto do Vermio que tinha abastecido em Markapata, logo chega o Flavio com duas garrafas pet de 2 litros. Pagou 14 soles o galão, aqui 4 litros por galão. Andamos 10 minutos e chegamos todos ao local que vendiam combustível em baldes e colocavam na moto com funil.
Depois desse pueblo só asfalto até Cusco, 140 km de uma estrada perfeita em todos os sentidos asfalto liso, sinalizada e paisagem deslumbrante. Chegamos a Cusco por volta de cinco da tarde e fomos direto a Plaza de Armas. Descemos das motos, nos abraçamos, tiramos fotos e fomos cercados por curiosos de todos os países, curiosos pelas nossas figuras e máquinas, totalmente empoeirados e cansados, mas felizes.
Fomos direto ao hotel que nos recomendaram: 120 soles o double e 180 o triple e 15 o desayuno (café da manha), mas estava cheio. Pedi para Giselle, a recepcionista, ligar para tentar encontrar algum lugar para ficarmos, pois ja comecava a escurecer. Ela nos indicou uma casa a 60 soles a pessoa, com desayuno. Negociei e deixou por 50, mas não tinha cochera (estacionamento para as motos). Depois arrumou e deixamos num colégio em frente por três soles por pernoite por moto.
Quem nos recebeu e está nos tratando como família foi a Patricia. Nos arrumou tudo e nos leva para baixo e para cima. Estou aqui digitando no computador dela, pois ela está na cidade com o pessoal. Deixo aqui para todos essa excelente dica: Rua David Chaparro 105 Urb. Magisterio mail patycerf@hotmail.com.
Deixou até a porta da casa conosco. Arrumou-nos lavadeira e deixou a gente lavar as botas e bauletos no quintal. Seu irmão nos levou até a oficina de moto e depois nos trouxe de carro. Já compramos todos os pacotes, para o city tour de 4 horas que acabamos de fazer, vale sagrado o dia todo das 8 às 21 horas amanhã e Machu Picchu depois de amanha.
Não havia mais passagem para Machu Picchu para hoje, nem amanhã e em muitas outras nem para depois. Pagamos 262 dólares por isso, com tudo incluso, para o Vale Sagrado até o almoço é incluso. Minha almofada de gel furou e já comprei uma outra de algodão sintético, uma delicia. Patrícia me arrumou uma costureira que vai fazer uma capa com tiras para eu amarrar no banco da moto. Estou louco para testar.