Sábado, 18 de Outubro de 2008 - Décimo quinto dia
Hola amigos, estamos em Nazca.
Ontem saímos de Cusco por volta de 10:30 h chegamos a Puquio as 19:00 depois de um dia em que teve de tudo. Aproximadamente 500 km de uma ótima e bela estrada, com paisagens de tirar o fôlego.
Saímos de 3.200 m, subimos 4.000 descemos a 3.000 e chegamos 4.400 m, Andamos no topo dos altiplanos Peruanos por horas. Pegamos calor pela manhã depois, chuvinha à tarde, o suficiente para molhar minha bota. Começou a esfriar e muito. Parei num pequeno Pueblo no alto da montanha para rapidamente secar os pés com as mãos, trocar as meias molhadas por secas e colocar um saco plásticos nos pés para tirar o contato com o couro molhado.
Perguntei ao senhor da venda quanto faltava para Puquio, este me respondeu: 1 hora. Sai rapidamente procurando começar a descida para que o frio diminuísse. Estávamos eu Flavio e Vermeio. Mas o tempo passava e nada de descer. A estrada serpenteava o topo da montanha e nem sinal de descida. A paisagem era deslumbrante, passávamos ao lado, aproximadamente 3 km de distancia, de picos com gelo, depois víamos pequenas porções de gelo no acostamento.
Apesar de estar com o pé quase congelado ainda parava para tirar foto. Um entardecer avermelhado maravilhoso à frente. A noite chegava e a estrada a serpentear o topo da montanha que nunca acabava, mas descer não. Para piorar a moto entrou na reserva, falta de combustível com menos de 200 km, normalmente isso acontece com aproximadamente 300 km.
Meu pé doía de tanto que estava frio. Eu para melhorar colocava o pé na pedaleira para o vento pegar na sola. Minha polaina estragou... Joguei-a fora em Markapata e não encontrei nada para substituir, nem bota impermeável. Uma placa indicava Puquo a 41 km. Fiquei preocupado e aliviado ao mesmo tempo. Pois do jeito que estava gastando não conseguiria chegar, mas pelo menos tinha uma indicação.
Finalmente começamos a descer. Eu aproveitava o declive e embreava a moto para economizar gasolina. Devido à dificuldade com a altura, minha moto engasgava e eu não conseguia passa dos 80 km/h. Meus amigos se distanciaram e foram embora.
Estava sozinho no topo da montanha, com o pé quase congelando e com a gasolina para acabar. Passei pelo menos uns 40 minutos assim.
Quando vejo ao longe duas lanternas de moto. Eram o Flavio e o Vermeio que diminuíram para me esperar. Passei-os e por alguns quilômetros segui a frente, quando o Flávio passou e sumiu, ficando o Vermeio atrás de mim...Errando 20 % das curvas. Ele achou uma boa porcentagem.
Desci a montanha na banguela, e quando necessário voltava engrenando. Cheguei... Mas não sei como. La estavam Flavio e Helder. Corri para o escritório do Grifo para tirar a bota e aquecer os pés. Coloquei mais duas meias e pedi para o rapaz levar as botas e aquecer ao no fogão a gás. Trouxe as quentes ainda, pois estavam secas apenas geladas, Sequei-as ao vento. Foi um alivio.
Depois chegou o Caio escoltado pelo Fabrício. O Caio nem conseguia descer da moto, exausto, pois no dia anterior passou na cama se recuperando dos vômitos e diarréia, com as mãos quase congelando. Tirei-o de cima da moto amparando-o e o levei até a BM do Panta para aquecer a mão na manopla aquecida. Logo estava melhor.
Uma aventura... Nem tomamos banho, fomos jantar, na volta quando fomos tomar banho a água estava fria. Fui dormir sem tomar banho e acordei as cinco da manha ofegante, como tem acontecido nos últimos dias, me pergunto o que estava fazendo ali, me arriscando e passando por tudo aquilo. Acho que o ofegante e porque o sono pesado passa e acordo com aquelas cobertas pesadas me sufocando...
Mas a paisagem de hoje mudou tudo... 150 km em 3,5 horas de puro deleite. Céu aberto, estrada péssima no começo, mas melhorou depois. Chegamos a Nazca e fomos direto para o aeroporto ver as linhas. Eram 14:00 h. Depois descobrimos um hotel muito legal por 10 dólares, vai o endereço: San Marcelo (http://www.hotelsanmarcelo.com)
Segunda-feira, 20 de Outubro de 2008 - Décimo sétimo dia
Olá amigos!
Vamos aos fatos e fotos: Ontem saímos de Nazca por volta de 10 da manhã. Eu sei é tarde, mas um grupo grande é isso, ganha-se em diversão e segurança e perde-se em praticidade e tempo, mas foi assim que escolhemos e é assim que esta sendo, muito divertido, valeu super a pena topar esse desafio.
A moca do hotel também colaborou muito no atraso, pois teve muita dificuldade no preenchimento dos boletos do cartão de crédito. A Pan-americana de Nasca a Abancay é perfeita de piso e fabulosa na paisagem... Deserto só. Depois de 100 kms vejo um horizonte mais escuro e uma linha branca a dividi-lo. Não dá para distinguir direito, mas penso: deve ser o Pacífico. Sim era, mas já?
Achei que era um pouco mais adiante. A partir dai a paisagem que já era linda, passa a ser ainda mais, com o oceano Pacifico à minha direita e dunas imensas a minha esquerda. O mar não está longe, mas ali abaixo do despenhadeiro...
Lindo, verde esmeralda e a as espumas brancas ao quebrar das ondas nas pedras. Paramos para um foto e ouvimos ruídos , como se fossem vozes, vindos lá de baixo. Eram marmotas ou coisa parecida, estavam muito longe para distinguir... Faziam um algazarra. Eram muitas, e estavam camufladas, pois a cor delas era a mesma da pedra: a natureza fazendo a coisa certa.
De novo quase fiquei sem gasolina, entrou na reserva com 280 km, teoricamente fazendo 14 km/l. Portanto me restava 4 litros, ou seja, daria para andar 56 km. Insuficientes para os 65 km que faltavam. O que fazer? Dar um jeito de a moto gastar menos. Reduzir a velocidade, diminuir o atrito ao vento e aproveitar as decidas das montanhas, descendo na "banguela".
Cheguei Claro, mas fiz mágica, assim tem mais graça. Mas o Caio estava me escoltando, qualquer coisa pegava um pouquinho dele. Essa é uma das vantagens de estar em grupo. Chegamos a Abancay por volta de 16:00 h. Para Arequipa ainda 180 km de serra e muitas curvas.
Um pessoal queria ir, outros, eu inclusive não, pois estava cansado de passar aperto em serras e a noite, além do que tempo fechava e começava a esfriar. Decidimos ficar, pois a votação foi 5x2. Mas o grupo vencido decidiu se separar do grupo vencedor no dia seguinte, visto a indisponibilidade de tempo e o diferente ritmo de viagem.
Apesar de querer ficar, o Helder optou por acompanhar o Flávio e o Vermeio, pois precisa chegar antes, por causa do nascimento próximo do seu filho. Lamentou muito ter que ir e deixar muitos lugares a ver. Vá com Deus amigo, bom retorno, Ainda teremos chance de viajarmos juntos. A todos que se foram, obrigado pela companhia e 'suerte'!
Saímos agora Caio, Rita, Fabrício e eu, um pouco depois dos outros. Em Abancay, ficamos em chalés num lugar chamado Cabanas, na saída da cidade. Na noite anterior comi o melhor peixe do mundo, num lugar chamado Chivas, no centro.
Como sempre como muito doce depois de jantar, todos muitos gostosos. Tomei um sorvete e voltamos para casa de taxi/moto/riquixá - uma moto 150 cc adaptada com dois eixos atrás e capota para abrigar até três passageiros atrás. Estávamos muito curiosos para experimentar esse meio de transporte. Chegamos cheirando a fumaça no hotel.
Duas horas e meia depois chegamos a Arequipa, por uma estrada boa, sem buracos, mas perigosa, cheia de curvas. Foi prudente a decisão de não vir à noitinha. A paisagem continua deslumbrante e depois de 30 km quando a pan-americana deixa o Pacífico para trás enxergamos o primeiro dos três vulcões que circundam Arequipa, o Pichu Pichu.
Depois avistamos o Misty, acho lindo esse nome.
É incrível, do centro, da Plaza de Armas, todas as praças centrais de todas as cidades se chamam assim, avista-se a esquerda o Misty e a direita o Chanchany, estão realmente ameacadoramente muito próximos.
Arequipa é a segunda cidade do Peru, atrás apenas de Lima. Vivem aqui aproximadamente 1.000.000 de habitantes. Linda, limpa, movimentada e com muitos prédios em ótimo estado de conservação. A melhor ate agora. Logo que estacionamos as motos na praça uma moca nos abordou: Carmem, falando português com forte sotaque espanhol. Professora de português num Instituto de Turismo aqui.
Não cabia em si de alegria de ver e poder perguntar tudo sobre o Brasil. Nasceu em Rio Branco e está aqui há 6 anos. Levou-nos a uma agência de turismo para comprar o pacote para o Cannyon Del Colca, que sai às três da manhã num percurso de 4 horas para ver o vôo dos côndores às 9:00 h. Vou fotografar para você Panta. 30 dólares com desayuno, sem almoço e sem entrada de 30 soles.
Quero agradecer a gentileza da Carmem pela atenção e o carinho com que nos tratou, fez até uma oração em plena praça pedindo-nos proteção, ela também é religiosa. Saímos à tarde para almoçar e passear, uma delícia. A viagem começou a tomar o feição de férias.
Para variar fui numa Pastelaria (doceria), onde encontramos Lenito e sua esposa, casal de mineiros missionários da Igreja Assembléia de Deus, que estão aqui há dois anos. Ótimo papo e muitas informações. Estamos no hotel Tristán, três quadras abaixo da plaza de armas, calle Tristán , 205. 40 soles o quarto duplo. Consegui por 35. Falando da Big. Usem e abusem do nome Big quando vierem, já estou deixando as portas abertas. Estamos todos ótimos e felizes. Boa noite e vejam as fotos.