Terça-feira, 14 de Outubro de 2008 - Ainda Cruzando os Andes. Atingimos 4.800 metros de altitude
Saímos de Mazucco depois de uma viagem cansativa e tensa. Já estava mais preparado para o que vinha pela frente. Seriam mais 190 km até a cidade de Marcapata. Saímos logo cedo e enfrentamos mais terra e obras. Vários trechos interditados naquelas plaquinhas, sempre seguradas por mulheres, de pare e siga. Depois começou a travessia de uma infinidade de cursos de água que atravessavam a pista. Com certeza foram mais de vinte e embora não muito profundos, exceto dois ou três, tinham o fundo de pedras, o que assustava um pouco na passagem, principalmente nos primeiros.
Depois peguei a manha e já passava tranqüilo. Descobri que em situações ruins o melhor era acelerar a BMW e não passar devagarzinho. Os riachos mais profundos, um deles ao atravessar me jogou até água na cara, tinha uns 40 cm de profundidade. Outro mais largo tivemos que atravessar a pé para primeiro vermos a profundidade e o melhor local de passagem. A paisagem era muito bonita e tinha um rio verdinho que sempre nos acompanhava. As montanhas também iam ficando mais altas ao redor. Tudo ia bem até que a 50 km de Marcapata havia outra interdição da estrada.
Eram 14h30min e a estrada só iria ser liberada às 18h00min. Iríamos à noite para Marcapata, que se situava a 3.300m de altitude e seria uma subida e tanto, pois estávamos parados a cerca de 1.300m. Aproveitei a parada para trocar toda a minha roupa, pois estava toda molhada já que eu até deitei num dos riachos que atravessamos de tanto era o calor. De meias até cueca, escondidas dentro de um buraco.
Formou uma fila imensa de caminhões que deixamos ir na frente, pois a experiência anterior mostrou ser melhor assim, pois estes caminhões peruanos vinham com tudo atrás buzinando e pressionando passagem, numa pista da largura de um carro só e ainda deixavam o maior poeirao. A subida final foi recheada de curvas em U em subida, cotovelo com a mão virada para seu rosto. Para piorar estas curvas todas eram forradas de pedras grandes. Ubatuba, Taubaté faço agora segurando só com uma mão no guidão e com chuva! Rio do Rastro é brincadeira de criança!
Finalmente chegamos a Marcapata e se Cuzco significa em Quéchua o umbigo do mundo, Marcapata é o cú do mundo! Frio demais e o melhor hotel era uma espelunca que fez o hotel de Mazucco parecer cinco estrelas. Banho frio e coletivo, quarto com 1,5m de altura. Tivemos que implorar para termos janta, pois já estava tudo fechado. Eram quase 22h00min. O mal da altitude estava fazendo alguns efeitos. Subir qualquer escadinha cansava muito.
De manha, mais chá de coca e seguimos para atingir o ponto de maior altitude da nossa viagem, em direção a Cuzco, a 190 km. Depois conto esta parte.
Eu em Machu Picchu
Não há muitas palavras para descrever a magia de Machu Picchu. Chegar lá foram 4 horas de trem mais meia hora de ônibus. O dia que fomos estava chuvoso e nublado, nem víamos os picos, mas por sorte na parte da tarde o tempo abriu completamente. São escadarias infindáveis para subir e descer. O Local é majestoso e lotado de turistas de toda a parte do mundo. Para tirar uma foto só é difícil.
Quinta-feira, 16 de Outubro de 2008 - Subida triunfal.
Cheguei aos 4.800m de altitude. Saindo de Marcapata prosseguimos em direção ao ápice de nossa escalada. Seriam mais 190 km até Cuzco, sendo 65 km ainda de terra e o restante já de asfalto. A estrada que sobe proporciona uma visual espetacular. Lhamas pastando pelo caminho, e o mais impressionante, a visão dos picos ainda nevados. A estrada também trazia seus perigos, pois além de terra, era muito estreita, de um lado rocha e do outro um precipício de quase não se ver o fundo e claro sem nenhuma proteção lateral.
Uma estrada que não permitia erros nem distrações. Paramos muitas vezes para fotos e descansarmos já que a altitude começava a mostrar seus efeitos: cabeça meio zonza e qualquer passo mais rápido ou o simples subir e descer da moto já cansava muito. Quando o GPS do Caio acusou 4.800m, paramos para contemplar a imponência dos Andes com seus picos nevados. Embaixo o vale onde se via infinidades de lhamas pastando. Muito frio e silêncio absoluto.
Aproveitei para um momento isolado de contemplação e orações. Este trecho, Sidney, Flávio e Vermeio foram à frente e os encontramos logo depois, pois havia acabado a gasolina da moto do Sidney. Já estávamos perto de uma vila e conseguimos a gasolina. Depois de mais 2 horas de incansáveis curvas, e mais visão de picos nevados, chegamos finalmente a Cuzco, com todos nós tocando suas buzinas.