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No dia 29 de dezembro 2008, Tatiane, de Hornet, seu marido, Luciano, de Fazer 600 e o casal de amigos, Omar e Eloá, de TDM 900, partiram para a realização de um grande sonho: conhecer Macchu Picchu de moto! Sempre juntos, mas cada um na sua! Confira a quarta parte do relato.
Dia 17 de janeiro de 2009 - De San Francisco, ARG, à Uruguaiana Resolvemos não ter pressa hoje! Depois do café arrumamos as bagagens e, por volta das 9 horas, apontamos as motos na direção de nossa terrinha amada! Há dias faz muito calor nesta região, que até está passando por uma seca já considerada histórica no país. A temperatura hoje beirou os 40 graus!
Depois de San Francisco, paramos para abastecer as motos e escapar um pouco do calor em Santa Fé e Vila Federal. Em San Jaime coloquei um pouco mais de gasolina na Hornet para não chegar em Paso de Los Libres muito na reserva. No posto Shell antes da fronteira paramos para abastecer pela última vez com gasolina azul e gastar o que ainda possuíamos da moeda argentina. Ah! Comprei também uns alfajores, é claro!
Cruzamos a ponte internacional que une Argentina e Brasil felizes da vida, em paz de espírito, cientes que estávamos completando um grande sonho.
Fomos direto ao Hotel Fares, onde sempre ficamos. Não tem erro! Enquanto o Luciano dava um trato nas jaquetas e nos capacetes, e o Omar e a Eloá descansavam, fui em uma Lan House, ao lado do hotel baixar as fotos do dia no pen drive. Sentei em um computador perto da porta, e quando olho para a calçada, vejo um senhor preparando sua churrasqueira, colocando carvão, fogo, mexendo, colocando os espetinhos e..., até esqueci o que eu estava fazendo!
Fiquei com um olho na tela do computador e o outro nos espetinhos da calçada. Logo chega o Luciano e eu termino de baixar as fotos. Fomos obrigados a fazer uma boquinha ali mesmo na rua. Nada melhor do que chegar de volta ao Rio Grande e comer um churrasquinho como primeira refeição! Estava muito bom! Encontramos o Omar e a Eloá na recepção do hotel e fomos em direção à linda praça da cidade, onde jantamos e depois, de sobremesa, mandamos uma taça de sorvete!
Dia 18 de Janeiro de 2009 - De Uruguaiana à Sapucaia do Sul Amanheceu chovendo em Uruguaiana. Tomamos um belo café da manhã no hotel, do tipo que só no Brasil tem. A chuva havia sido forte durante a noite e pela manhã já dava sinais de trégua. Na direção em que iríamos, o céu estava limpo. Saímos de Uruguaiana por volta das 9 horas e o tempo sem sol era muito mais agradável que o calorão do dia anterior. Esta rodovia é o corredor por onde entram os argentinos que vem passar férias no Brasil, e desta vez, eles estão lotando as estradas! Nunca havia visto um movimento tão intenso de carros e de ônibus com placas do país vizinho!
Após um longo trecho na estrada, o painel da minha moto começa a sinalizar que entraria na reserva. Estávamos a poucos km do posto e não me preocupei. Ao chegar no posto, não conseguimos abastecer, pois o lugar estava sem energia elétrica e o frentista avisou que poderia demorar para a luz voltar. Pegamos a rodovia novamente e começo a controlar minha autonomia de combustível.
Pelos meus cálculos a moto andaria mais uma certa quilometragem e fui seguindo. Rodei a distância que o frentista disse que faltava para o próximo posto e nada! Só campo, boi e retas. Quando avisto, ao longe o telhado do posto, a moto, num último suspiro, se arrasta até uns 500 metros e ali ela fica! O Luciano e o Omar não perceberam e entraram no posto e eu fui parando no acostamento. Não dava para ir no embalo, pois havia uma subida.
Logo o Luciano volta para me "socorrer". Eis que surge novamente, no meio da nossa bagagem o milagroso galão de combustível reserva, cheio de gasolina azul, ainda abastecido em San Luis, na Argentina. Despejamos o precioso líquido para dentro do tanque, rodei uns 300 metros e entrei no posto! Faltou tão pouco! Completamos o tanque e fomos até São Gabriel. Lá, abastecemos novamente e fizemos um lanche.
O frentista, quando viu a sujeira da minha moto veio gentilmente com um balde e uma "esponjinha". Eu, inconscientemente devo ter feito uma cara feia, pois ele perguntou: "só o farol, então?" Não tem graça chegar em casa depois de ter rodado quase 10.000 km com a moto limpa! Tem que deixar todos os mosquitinhos e borboletinhas onde eles estão!
Fizemos mais uma parada no posto do trevo de acesso à Cachoeira do Sul e pouco após entramos finalmente na conturbada BR 116! Em Sapucaia paramos para tirar a última foto da viagem, junto com nossos grandes companheiros de estrada. Nos despedimos e então, tomamos rumos diferentes, pois entramos em Sapucaia e nossos amigos rumaram para Novo Hamburgo, onde moram. Foram 21 dias de viagem, 4219 km até Cusco, no Perú, e 5392 km de volta, já que resolvemos voltar pela Panamericana, costeando o Pacífico. No total, foram 9.611 km de um sonho realizado, juntos, mas cada um na sua!
Fonte:
Tatiane Andréa Becker Kremer Cidade:
San Francisco-EX-Argentina Fotos: Tatiane Andréa Becker Kremer Publicado: Fernanda Cristina Gonzales Ferreira Date: 17/01/2009
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