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Nara Votto Klafke realizou com sua filha, uma viagem de Porto Alegre rumo à Encruzilhada do Sul. A aventura aconteceu no feriado de Páscoa, dias 09, 10, 11 e 12 de abril de 2009. Confira como foi o passeio pela cidade que tem mais de 150 anos.
Faz algum tempo que eu vinha planejando conhecer a cidade que uma de minhas filhas escolheu para morar... As oportunidades surgiam, e sumiam! Foram várias, mas a verdadeira chance não chegava. Até que na Páscoa, finalmente, peguei carona com minha filha, e fui!
Entramos na cidade em torno das vinte e três horas da quinta-feira, 09.04.2009, e já na entrada tive a atenção voltada para uma casa antiga. Nesse primeiro momento, por causa do escuro da noite, não pude ver detalhes da casa. Só cinco dias depois, à luz do dia, consegui ver melhor a casa, e fotografá-la. Essa casa, mesmo em ruínas, talvez abandonada, e cheia de pichações (praga dos tempos modernos!), contudo ainda mantém seu charme... e revela - quem sabe? - mistérios inimagináveis de vidas ali vividas. “Vila Assis Brasil”, lê-se no alto da parede frontal. Talvez ali tenha morado alguma família importante, com histórias fascinantes! Não sei...
Mas, na verdade, minha primeira visita nesta cidade de mais de 150 anos foi à Fonte do Pedroso um dia restaurada, hoje meio abandonada, e bastante pichada; este foi um local onde os tropeiros, vindos de São Paulo em direção à colônia, iam se abastecer de água, por ocasião de suas longas cavalgadas. Depois, a fonte passou a abastecer a cidade, por muitos anos. Dizem que quem bebia daquela água voltava sempre à cidade...
O local é interessante, tem detalhes bonitos, e seu acesso já é um convite! Esta visita foi durante um pequeno “tour” que minha filha me proporcionou, dia 12.04.09. Por esta ocasião, passei pelo hospital da cidade, todo construído em pedra, e conheci várias e interessantes casas e ruas, umas antigas outras não, umas simples, outras sofisticadas; todas cheias de charme!
Dois dias depois, dia 14, fiz novas visitas, e conheci outros detalhes interessantes dessa cidade. Pela manhã, visitei a Casa de Cultura, situada num bonito prédio, mas que eu, infelizmente, não consegui fotografar. Ali visitei o Museu Municipal, onde encontrei algumas peças bem curiosas, como, por exemplo, um sino, que é o documento mais antigo do município e que fora trazido pelos índios missionários das reduções jesuíticas. Neste sino consta a seguinte inscrição: “Apostele S. Pero, Ano 1766”.
E encontrei ali outras curiosidades, bastante variadas, como, por exemplo, uma máquina de calcular, um antigo ferro de passar, com bocal quadrado, ou um estranho ferro, que pertenceu a um alfaiate de Encruzilhada, ou moedas antigas, como a de 300 réis, de 1937, ou a de 200 réis, de 1923.
Encontrei ainda um fogareiro de pressão, a querosene... Esse fogareiro mexeu muito com meu emocional, pois ele fez parte da minha infância e juventude: muitos cafés matinais e noturnos foram feitos por minha mãe num fogareiro semelhante a este. E foi também na chama de um desses que meu irmão caçula acabou com um precioso bebezinho de celulóide que eu ganhara de meu pai... há quase 70 anos atrás!
Nessa mesma manhã, conheci o prédio do antigo presídio, onde hoje funciona a Casa de Passagem. É um prédio bonito, bem cuidado, onde podemos observar grades duplas nas janelas. Conheci ainda o prédio do Tabelionato, cuja fachada é toda em azulejos portugueses, com uma romântica sacada de grade de ferro, e com desenhos de animais em alto relevo.
Na tarde desse dia fomos conhecer a Fazenda da Lapa, que pertenceu ao primeiro bispo da Diocese do Rio Grande do Sul, D. Feliciano José Rodrigues Prates. Consta que ele, como religioso, prestava serviços ao exército, e, por esses serviços prestados, recebeu terras do governo, localizadas em Rio Pardo. Como não se adaptou ao clima dessa cidade, vendeu suas terras para comprar outras em Encruzilhada, propriedade hoje conhecida como Fazenda da Lapa.
A casa, construída em 1834, está bem conservada e bem pintada, por fora. Por dentro ainda está em fase de reforma. Ali encontramos animais soltos, cães e cavalos, cheios de docilidade e receptividade para com os visitantes. Mas, um dos aspectos que mais me encantou foi a alameda que dá acesso à casa, com duas fileiras de plátanos magníficos.
Depois fomos visitar a escola estadual agropecuária. Enquanto minhas filhas tratavam de conhecer a escola, eu me preocupei em observar a paisagem em torno dela. Dali, percorremos outros pontos da cidade, e pude fotografar novos prédios antigos, muito fascinantes, como, por exemplo, um antigo posto de gasolina TEXACO, hoje oficina mecânica. A caminho do centro, fotografei a estátua de João Cândido, o Almirante Negro, e o monumento em homenagem aos 150 anos da Revolução Farroupilha.
Já no centro, fotografei a fachada da Igreja Matriz e seu alegre interior. E depois, as fachadas de duas casas antigas, uma quase ao lado da outra, e que, no entanto, parecem que vão ter destinos muito diferentes... Uma, da esquina, onde funciona um escritório de advocacia, está devidamente cuidada e conservada: uma bela casa, oportunizando a vista de uma bela esquina: no alto da parede frontal, ao centro, duas iniciais, G e A, que, muito provavelmente, identificavam seus antigos proprietários.
A outra casa, em plena praça, está em estado de abandono. É uma bela construção de 1887, que deveria ser preservada, pois tem estilo e grandiosidade; no entanto, encontra-se num triste estado de “não conservação” e, segundo ouvi falar, prestes a cair, sua fachada, ao menos... Espero que as autoridades culturais da cidade encontrem uma maneira de preservar esse patrimônio!
No dia seguinte, à tarde, voltamos à Fazenda da Lapa, para conhecer o interior da casa e a capela... belas surpresas nos aguardavam! Tivemos oportunidade de ver encantadores objetos antigos, uns pertencentes a D. Feliciano; outros, a um de seus herdeiros, avô do atual morador da fazenda. Numa das fotos, temos detalhe da bainha da espada de D. Feliciano, com o brasão da República; conhecemos também a espada que ele ganhara por ocasião de uma batalha, na Argentina.
E várias outras preciosidades, como um calça-botas, o cabo de um relho, todo em metal, um aparelho de chá, castiçal, tinteiro, uma cômoda, e alguns quadros antigos: uma vista geral de Porto Alegre, uma foto de militares, entre os quais estava Getúlio Vargas, o 3º da direita para a esquerda, e Flores da Cunha, á esquerda de Getúlio, e ainda a imagem do bispo.
Por fim, fomos conhecer a capela. E aqui um registro interessante: ela faz parte do corpo da casa, mas não se comunica diretamente com esta. Ela fica ao lado da sala e entre as duas, apenas uma janela... Explicação: as mulheres não assistiam à missa junto com os homens da casa, empregados e escravos; todos esses ficavam dentro da capela, mas as mulheres ficavam na sala e assistiam á missa através da janela.
Nessa capela, encontrei outras relíquias, como, por exemplo, o recipiente para água benta: simplesmente lindo! No altar, todos os objetos necessários à celebração da missa, todos muito antigos, todos muito curiosos, com destaque para o Missal, de 1808. Também na capela me chamou a atenção um móvel peculiar, o Confessionário. Por fim, ali, duas últimas particularidades: uma medalha de Nossa Senhora das Graças, de 1830, e a caixinha de coleta, onde encontrei moedas muito antigas. Com essas lembranças, na mente e no coração, me despedi de Encruzilhada do Sul...
Fonte:
Nara Votto Klafke Cidade:
Porto Alegre-RS-Brasil Fotos: Nara Votto Klafke Publicado: Fernanda Cristina Gonzales Ferreira DATA: 09/04/2009
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