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No dia 08 de janeiro de 2010, Jacson Padilha na companhia de seu amigo Luiz Alberto Weinfurte, realizou uma moto viagem pela América do Sul. O ponto de partida foi em Canoinhas/SC. Confira a terceira parte dessa grande aventura.
Dia 24 janeiro (domingo) – 17º dia – Saímos de La Callera pela manhã, com destino ao Atacama, Estradas perfeitas, retas intermináveis, mas um visual excelente. As motos rodavam perfeitas, sem nenhum problema, apenas a shadow do Luiz falhava de vez em quando.. Almoçamos na estrada e seguimos até a cidade de Copiapó. Dormimos nesta cidade. Uma cidade feia com poucos hotéis e caros, não encontramos nenhum bar decente para tomar umas cervejas… compramos umas latinhas no mercado e pastéis sem recheio, só a massa, mas enfim, deu para enganar o estômago... Rodamos neste dia 750 km
Dia 25 janeiro (segunda) – 18º dia – Saímos cedo direto ao Deserto do Atacama, passando por algumas cidades pequenas, mas muito bonitas, a exemplo da Bahia Inglesa, onde pescam carangueijos gigantes, com cerca de 40 cm só o corpo, fora as garras. Quando chegamos ao Deserto uma paisagem incrível. Nunca estive na lua ou em marte, mas a paisagem do deserto é bem parecida com o que vejo em revistas e internet. Muito calor e muito vento lateral. As motos chegam a inclinar na Ruta 5, Panamericana. Rodamos bastante, parando para conversar com camioneiros que carregavam máquinas gigantescas para extração de minérios e conservação da Ruta. Depois de muitos kilômetros chegamos a famosa MANO DEL DESERTO, escultura situado 70 km antes de Antofagasta. Tiramos algumas fotos e seguimos para Antofagasta, que preferimos não pernoitar, seguindo direto para Mejillones, onde chegamos por volta de 8 da tarde.
(Lá anoitece por volta das 10, 11 no Brasil). Foi uma dificuldade para achar onde dormir, pois todos os hotéis estavam lotados. É uma cidade onde existem muitos trabalhadores do Porto e também nas minas de extracão de cobre, ouro e outros minerais. Conseguimos uma pequena pousada, desconfortável para caramba, mas para dormir foi o suficiente. Antes, claro, bem a frente da pousada havia um bar. El Rincon de La Loba. Tomamos algumas Cristales comemos um pescado e para caminha. Neste dia Rodamos 680 km….
Dia 26 janeiro (terça) – 19º dia – Saímos pela manhã deMejillonnes, e a idéia era ir até Machu Pichu, mas através da TV e Internet soubemos que havia acontecido uma grande chuva por lá e Cuzco e Machu Pichu estavam isoladas. Resolvemos abortar a idéia e tocamos por uma estrada dentro do deserto do Atacama, com pouquíssimos veículos transitando, apenas minas e mais minas de extração mineral, e retas de kilômetros em kilômetros. O vento era muito forte e arrastava a areia para a pista, tornando a viagem de uma certa forma, perigosa. Tocamos até Calama, onde trocamos o óleo das motos. O mecânico era meio atrapalhado mas foi eficiente e fez o serviço. A dona da loja foi muito legal e serviu até pudim para nós. Seguimos até San Pedro do Atacama, passando por trechos simplesmente maravilhosos, ao lado do Vale de La Luna, fotogrando e chegando quase a noite. San Pedro é uma cidade no meio do deserto, estilo Parati no Rio. Antiga com construções a base do material do deserto, enfim, simples mas bonita. Com muitos bares e hostales. Muitas coisas bonitas para se ver em São Pedro. Conseguimos uma pousada a 55 reais cada um, simples, mas aconchegante. Jantamos uma pizza muito boa, tomamos umas cervejas e cama….Rodamos neste dia 420 km
Dia 27 janeiro (quarta) – 20º dia – Ficamos em San Pedro do Atacama para conhecer os pontos turísticos da cidade.. Acordamos as quatro da manhã para pegar uma Van e percorrer 100 km até o Vulcão El Tatio, onde tem os Geiseres. Eles só entram em erupção as 7 da manhã e por um tempo determinado somente. Chegamos ao cume pelas 6 da manha, com 6 graus negativos. Foi sensacional, no deserto é assim, de dia chega a 50 graus o calor, e na madrugada até 10 graus negativos. Ficamos por lá visitando outros lugares bonitos e voltamos ao meio dia para a pousada, eu pelo menos super cansado. Tomei um banho gelado e um descanso, o Luiz saiu para tomar cerveja, quase acabou com o estoque da cidade. Descansei bem a tarde fomos ao Vale de La Luna, para um passeio com as motos. Muito bonito mesmo. Voltamos a cidade batemos um papo com motociclistas de Telemaco Borba, que também pensavam em ir para Machu Pichu, mas em consequência das fortes chuvas por lá, desistiram e foram fazer o trajeto inverso que fizemos e talvez passem por Canoinhas na volta. A noite fomos tomar umas cervas e comer alguma coisa. Cama, pois sairemos cedo amanha pelo Paso de Jama, em direção a Argentina. Operação RETORNO. Rodamos apenas 100 km passeando pela cidade e arredores..
Dia 28 janeiro ( quinta) – 21º dia – Saímos cedinho de São Pedro do Atacama em direção a Aduana Chilena que fica a uns 10 km da cidade. Muita gente na fila, mas em meia hora tudo estava resolvido. Pegamos as motos e tocamos então para o Paso de Jama, uns 110 km onde fica a Aduana Argentina. Foi aí que o frio nos pegou. Trechos em cima da montanha que chegaram a 5 graus negativos, mas com sensação térmica de 10 negativos. A moto do Luiz rodava falhando muito devido a altitude que chegou a 5.000 metros acima do nível do mar. Tínhamos que parar mais frequentemente devido ao frio. Foi aí que o calor do motor da Harley fez sucesso. Enquanto no calor do deserto, o motor esquentava demais as pernas, no frio da montanha, o calor amenizava o frio das mãos e dos pés. No caminho a beira de lago, com muitos Flamingos, duas chilenas com uma camionete com guia e motorista, tomavam o “Desayuno” (Café da manhã) a beira da estrada. Paramos e fomos bem recebidos, inclusive com café e chá de coca para diminuir a sensação de falta de ar causada pela altitude.
Chegando a aduana argentina, poucos minutos e estávamos liberados. Tomamos mais um café e um pedaço de pizza e começamos a andar novamente. Subimos mais um pouco até a Grande Montanha, e mais frio e neblina, mas um visual magnífico. Causava um misto de admiração pela beleza das montanhas e ao mesmo tempo MEDO pela altitude. Realmente é sensacional “ EL CAMINO DE LA MONTANA”....CURVAS E MAIS CURVAS, com óleo na pista e pedregulhos que caem dos grandes paredões e também pelos caminhões. Foi um dia cansativo, mas gratificante pelo visual da região. Descemos toda a montanha e fomos até São Salvador de Juy Juy. Paramos para abastecer, e orientados pelo dono do posto, desviamos a cidade de Salta, indo dormir numa cidade chamada METAN, muito acolhedora e pegamos um hotel muito bom, a 120 pesos argentino, cerca de 60 reais para dois. Barato mesmo...na frente do hotel um barzinho simpático, onde tomamos 4 quilmes de litro e um lanchinho esperto. Lá pela uma da manha fomos dormir, pois no dia seguinte um grande trecho e com muito calor nos esperava. Neste dia Rodamos 670 km, apesar do tempo perdido com aduanas e paradas por causa do frio.
Dia 29 janeiro (sexta) – 22º dia – Saímos de Metan e nossas motos começaram a engolir kilômetros as 7:30 da manhã...Neste horário já sentíamos um certo calorzinho e imaginávamos o que nos esperava. Estrada ruim, com muitos calombos e depressões e lá pelas 10 da manhã o sol estava muito quente. Iniciamos rodando 100 km a cada parada, mas fomos diminuindo a medida que o calor aumentava. O calor nos pegou mesmo a partir do meio dia e toda a tarde, chegando a uns 50 graus. Foi realmente o pior dia da viagem...superando até o trecho que citei anteriormente. Retas intermináveis, calor insuportável, mas tínhamos que seguir....era a Provincia Del Chaco, com muitas fazendas de gado e banhadões, e foi neste trecho que pegamos o maior número de borboletas. Muitas borboletas mesmo, foi aí que agradeci mais uma vez, o fato de minha moto ter uma bolha grande, pois graças a ela quase não peguei os insetos em meu peito.
Seguimos até Resistência e Corrientes, desistindo de dormir nesta cidade por ser grande e complicado para achar hotel. Passamos “derecho” e fomos até a cidade de Itá Ibaté, as margens do Rio Paraná. Achamos um excelente hotel e muito barato. O Hotel Piedra Alta, é usado por grupo de pescadores e muito bom. Pretendo voltar lá para uma pescaria. O Dono, Sr. Coco, muito simpático nos acolheu e pegamos um apartamento com ar condicionado, bom banheiro por 35 reais cada um. Deixamos as bagagens e saímos para comemorar mais um dia de boa viagem. Fiquei sabendo que o Flávio, o mineirinho, havia passado ali, dois dias antes. Neste dia rodamos 910 km, puxado mesmo...mas compensado pela bela recepção nesta simpática cidade.
Dia 30 janeiro (sábado) – 23º dia – Penúltimo dia da viagem. Dormimos bem, café da manhã à beira do Rio Paraná, dia bonito e muita vontade de chegar em casa, estavámos a 1.000 km de Canoinhas, aproximadamente, saímos pela manhã em direção a Dionisio Cerqueira... a princípio íamos entrar por Foz do Iguaçu, mas abortamos a idéia por causa da falta de tempo. Tocamos direto e na cidade de Eldorado e encontramos um casal de Floripa, o Clênio, funcionário da Celesc, que estava voltando de Machu Pichu, escaparam da chuva por um dia. Seguimos juntos até Dionisio Cerqueira, fizemos a Aduana e nos despedimos, pois eles iam para São Miguel do Oeste e nós para Pato Branco.Chegamos em Pato Branco, nos hospedamos e saímos para jantar, um belo bife acebolado, arroz, feijão e salada, pois no Uruguai, Argentina Chile não encontramos esse tipo de maravilha. e, claro tomar umas “SKOLS”, pois até então só Quilmes, Cristal Stella, Budweiser, Heinequen e outras. No restaurante encontramos com o Ulisses e mais um amigo, que são Brazil Riders e também do Old Duck, da simpática Pato Branco. Nos receberam muito bem e até pagaram nossa janta. Batemos altos papos e fomos pra caminha cansados, mas realizados, afinal faltava 320 km pra chegar em casa....neste dia rodamos 650 KM......
Dia 31 janeiro (domingo) – 24º dia – Depois de contatos telefônicos com as esposas e amigos de Canoinhas, tocamos de Pato Branco “derecho” a Canoinhas. Minha preocupação era com o trecho até nossa cidade, pois é comprovado que no primeiro e último dia de uma grande viagem, é que acontecem mais acidentes. Rodamos tranqüilos, mas o Luiz parecia que havia tomado um café da manhã diferente. Estava com pressa de chegar, com saudade dos filhos e da esposa também, é claro. Passamos por Clevelandia, Palmas, União da Vitória e ao meio dia chegamos a nossa cidade, onde fomos recebidos por familiares e amigos na AABB, com almoço e mais uma cervejas. Muitos abraços, beijos, relatos, vídeos e lá pelas quatro da tarde fui para casa descansar, foram 10.500 km de muita adrenalina, alegrias pelos amigos encontrados pelas “ Rutas Uruguaias, Argentinas e Chilenas.
Queremos agradecer em primeiro lugar a Deus, que temos certeza, sempre esteve conosco, a seu filho Jesus, a meu guia espiritual Pai Quinca, meu avô, e também a meu filho Kaike, que lá de cima, tenho certeza, cuidaram de nós, mostrando o caminho a seguir e seguimos bem, e também a todos os familiares e amigos de Canoinhas e outras cidades, que torceram pelo sucesso da nossa empreitada....neste dia rodamos 320 km...
Agradecimentos a todos e até a próxima... Se Deus quiser, e Ele há de querer...
Fonte:
Jacson Padilha Cidade:
Canoinhas-SC-Brasil Fotos: Jacson Padilha Publicado: Fernanda Cristina Gonzales Ferreira Date: 24/01/2010
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