Finalmente começamos nossa viagem. Depois de tanto tempo de espera, chegou o dia. Já fiz alguns roteiros de moto pelo Brasil, Uruguai, Argentina e Chile e este roteiro é bem parecido com um que eu já fiz. A diferença foi a flexibilidade que tivemos ao realizar adaptações no roteiro e ao decidir em cima da hora, em função das condições climáticas, se iríamos ou não até Santiago.
Este trecho da viagem consistiu em um trecho de aproximadamente 1.600Km a serem percorridos em 3 dias. Como o Paulo e eu planejamos realizar esta viagem de moto até Santiago (Chile) em pouco mais de 10 dias (período de feiras do Paulo na empresa), adiantamos nosso roteiro nestes 3 dias, aproveitando um feriado no Rio de Janeiro para levarmos as motos do Rio à Porto Alegre, onde dispúnhamos de uma garagem para guardá-las.
Nos encontramos cedo em um posto de gasolina na Barra da Tijuca para realizar os ajustes nas câmeras e nos inter-comunicadores (Scala Rider Q2). Esta foi a viagem mais tecnológica que eu já fiz. Tínhamos 2 GPS’s, 4 aparelhos de filmagem e fotografia, aparelhos celulares conectados ao capacete e inter-comunicadores para conversarmos a uma distância de até 1 Km entre as motos. Tanta tecnologia embarcada acabou gerando uma preocupação a mais com o excesso de controle que teríamos para gerenciar tantos recursos e tanta informação. Sem contar que o check list de coisas a serem checadas antes de ligar o motor já estava extenso. Depois que se sobe na moto é difícil parar para corrigir algo que foi esquecido. Sem contar que descobrimos que é difícil saber se a câmera está gravando ou não, e para isso paramos as motos várias vezes ao longo da viagem para confirmar.Aliás, passamos por lugares que não poderiam ficar sem registro.
Saímos bem depois do horário planejado. Teríamos pela frente 850Km até Curitiba e tínhamos previsão de chuva pelo caminho. Saímos do Rio de Janeiro com muito calor. Justamente o calor que antecede a frente fria. Assim foi até São Paulo, quando o tempo fechou e começou o temporal. Almoçamos no Frango Assado da Carvalho Pinto, nosso segundo abastecimento. O primeiro foi em um Graal na altura de Itatiaia.
O temporal foi intenso e realmente foi um teste para nossos equipamentos e roupas. Decidi vestir uma roupa de chuva por cima da minha roupa de moto, o que foi uma decisão bastante acertada visto que eu teria extremo desconforto em viajar com a roupa encharcada nos próximos dias. Também substitui minhas botas por galochas que são as únicas realmente 100% impermeáveis. Mantivemos o uso dos comunicadores, visto que precisávamos nos comunicar com freqüência em virtude da condição das estradas, ultrapassagens e paradas. Infelizmente os comunicadores não agüentaram este volume de chuva e pifaram definitivamente ao final deste trecho.
Ao passarmos por Registro decidimos esticar o abastecimento até o próximo posto e não sabíamos que teríamos pela frente um longo trecho de serra sem abastecimento, o que causou a pane seca na moto do Paulo a aproximadamente 3 Km do próximo posto. Notando que o Paulo não conseguiu continuar, cheguei ao próximo posto e estabeleci contato através do celular. Levei um galão de gasolina e após o abastecimento seguimos viagem rumo à Curitiba.
Chegamos a Curitiba de noite. A pior coisa na viagem de moto não é viajar com chuva, mas sim viajar com chuva e de noite. A visibilidade fica totalmente comprometida. Em Curitiba nos hospedamos no hotel Roochele e fomos jantar no restaurante Scavollo. Recomendo os dois. Iniciamos aí nosso período de degustação de vinhos e apreciação de bons pratos. A pasta estava maravilhosa.