Claudia Heidrich, 25 anos, tem gosto por cavalos desde criança. Seu pai sempre lhe incentivou a cavalgar e esse incentivo continuou a ser dado pelo seu marido. Dona do crioulo Velho Barreiro do Josimar ('Mouro'), participa da Cavalgada de Prendas de Canela desde a primeira edição, sendo poucos os anos em que não pôde estar presente.
Cláudia já participou da Cavalgada das prendas de Farroupilha - Vale dos Vinhedos, Cavalgada da Serra, Cavalgada das prendas de Gramado (na qual foi coordenadora), Cavalgada das Prendas de Canela, na qual desempenhará a função de coordenadora no ano de 2011, Cavalgada do Salto, Cavalgada das prendas de São Francisco de Paula e Cavalgada do Litoral.
Já sabendo que a cavalgada acontece sempre no mês de Agosto, ela apenas confirmou com os amigos a data do evento, pois o prazer de estar entre amigas e o gosto pela tradição a levam e participar da Cavalgada das Prendas sempre que possível.
Neste ano, a Cavalgada de Prendas de Canela partiu do Santuário de Nossa Senhora de Caravagio, e percorreu os bairros Caçador e Tiririca, na periferia da cidade, passando em seguida pela Vila Boeira e Centro de Canela, retornando pelo Saiqui, e término na Fazenda da Serra com almoço e brincadeiras, totalizando 22 km de percurso.
Este ano, a cavalgada iniciou logo cedo, teve parada para o almoço e depois foram realizadas brincadeiras e laço durante à tarde, com premiações. "Foi uma cavalgada muito bem organizada e diferente das anteriores", diz Cláudia.
Apesar do tempo nublado, frio e com chuvisqueiros, tudo ocorreu bem com Cláudia e seu cavalo durante o percurso, mesmo ela tendo que carregar seu cavalo e abrir mão da cavalgada pouco antes de terminar o trajeto, para não prejudicar o animal. Mas isto já estava nos planos, pois ela estava ciente de que o cavalo estava com os rins inchados. Com antecedência, Cláudia tratou bem o animal, dando água, escovando e verificando os ferros.
Cláudia teve o privilégio de ter o apoio da família durante a cavalgada. Seu pai, o marido e o filho de apenas 2 anos, aguardaram a saída da cavalgada no santuário, e voltaram para ver o desfile no centro. Após, a esperavam no Canelinha para carregar o cavalo.
Sobre os momentos mais marcantes, Cláudia destaca as provas de Califórnia Xucra realizada pelas prendas e a cavalgada em meio à natureza, nos arredores da cidade, onde as prendas ficaram mais descontraídas. A relação entre elas foi muito amigável, todas interagiram umas com as outras.
Para Cláudia, a dedicação e o conhecimento das coordenadoras e de seus apoios e, principalmente a colaboração das prendas (referindo-se a não se portarem de maneira vulgar e desordeira), contribuíram para o sucesso da cavalgada. Pois para manter o tradicionalismo, é fundamental a seriedade e o respeito. Sobre a imagem que a cavalgada passa para a cidade de Canela, ela diz: "É imporante poder mostrar que existem mulheres de fibra, capazes de honrar o tradicionalismo e dar continuidade a um evento por tantos anos".
Esperando criar seu filho nesse ambiente familiar de cavalgadas, ela considera o evento como um esporte saudável, um lugar que ela ama, pois é uma forma de estar perto de pessoas que gosta, fazendo o que gosta: estar sobre o lombo do cavalo.
Cláudia encerra dando dicas para que está iniciando na cavalgada: "Nunca se esqueça do que você está fazendo: cavalgando. Você está em cima de um animal, em meio a vários outros animais e pessoas. Muitos pensam que é só montar, e deu! Mas não é bem assim, você tem que saber que o animal tem limites, assim como você, e que existem animais que são diferentes do seu. Por isso, respeitar os espaços entre uns e outros, para evitar acidentes, é muito importante. Se preocupe com o estado e necessidades do seu animal, para não acabar ficando sem ele, e preste sempre atenção em cada movimento, tanto do seu animal, quanto dos animais dos outros. Ao contrário do que muitos pensam, cavalo é um bicho sensível".