08:30 - Foto oficial e saída do Ecoposto de Porto Alegre em direção ao Parque do Itapuã. Formamos o primeiro grupo de ciclistas autorizados a entrar na reserva desde sua reabertura, no ano de 2002. Méritos para João Leite, organizador do evento. Contamos ainda com dois carros de apoio já dirigidos ao parque levando os apretrechos para o churrasco que comemorará esta data!
Comandando a churrasqueira está o nosso Marcelo! Tatu, como é mais conhecido, deixou a bike em casa especialmente para garantir o reforço no estômago dos nossos guerreiros de pedal.
Devemos agradecer também ao importante apoio dado pela Naná durante a maioria do percurso com sua caminhoneta, apesar das constantes buzinadas deferidas por motoristas menos compreensíveis. Mas isto é exceção e já estamos acostumados, assim como nos acostumamos também com o apoio recebido por outros motoristas e pedestres durante nossos freqüentes passeios pelas ruas da capital.
Entristecido pelo recente roubo da minha bike, uma Haleigh Mojave comprada há cerca de três meses, aceitei a gentileza do João, que me ofereceu uma Ecos para que eu pudesse realizar a aventura! Já ele optou por deixar sua MB GT estacionada em casa para pedalar com sua híbrida, com maior autonomia no asfalto.
Muitas Speeds nos acompanharam no percurso, mesmo com um trecho sendo realizado em chão batido. Logo na saída, cerca de 20 metros após a largada, já temos um pneu furado! Deve ser para dar sorte!
Primeira parada para reagrupamento na avenida Guaíba, início da Vila Assunção. Pessoal firme, até porque estamos recém no início de nossa jornada!
O alto da Juca Batista significou o paraíso, um tempo de descanso e fôlego para os iniciantes, ou “reiniciantes”, como no meu caso! Apesar de extenso (cerca de 60 km de distância na ida), o percurso foi realizado em ritmo de passeio, o que facilitou muito a participação de qualquer perfil de ciclista.
Terceira parada para reagrupamento - descanso e encontro com nossos companheiros da Zona Sul, no Zaffari da Juca Batista.
Com o grupo agora completo, deixamos a Juca Batista e encontramos a Edgar Pires de Castro, nossa referência como trajeto de ida.
O asfalto vira chão batido e começa o terror para os “speederos”. Alguns optam por diminuir a calibragem dos pneus para dar mais aderência ao solo. No entanto, o começo do percurso em terra é complicado para todos. Com muitas pedras na estrada, até mesmo os MBikers passam por dificuldades em permanecer em pé! Cuidado redobrado para os companheiros que utilizam as sapatilhas de clip ou pedaleiras para evitar um tombo feio. Na minha mochila, nem a câmera aguentou o tranco e o fotômetro pifou!
À cerca de apenas 500m de chão batido percorrido e nossa equipe descansa sob a sobra da mata! O sol está forte e a constante movimentação de carros de passeio levantam muita poeira.
Não demoramos muito e seguimos de novo. A estrada melhora um pouco podendo seguir por trilhas de terra sem pedras encontrada na estrada. Alguns metros depois o solo melhora e as bikes começam a render mais. Com o declive da pista, pegamos velocidade e nos aproximamos logo da entrada do parque. Depois de reabastecidas nossas caraminholas e camelbacks, percorremos a parte final do trajeto de ida.
Chegada ao parque: chegamos impressionados com a organização da vigilância no parque, necessária para a preservação desta que é a última amostra do ecossistema original de Porto Alegre e região.
Ao estacionarmos as bikes (pois é proibida a circulação das mesmas no interior da reserva) recebemos instruções sobre como nos portarmos em seu interior. Tudo no parque é proibido! Jogo de bola, bóias no rio, tudo! Não dá nem para tirar uma folhinha da árvore, muito menos fazer um churrasquinho com as lenhas da floresta! Mas a direção tem seus motivos: o Parque Estadual do Itapuã sofreu muito com a ação do homem, até ser fechado para visitação, no ano de 1991. Casas ilegais foram construídas na área e a utilização sem cuidados foram as principais ações causadoras desta medida. Hoje, já livre da interferência do homem, o parque, reaberto, admite a entrada de apenas 700 pessoas por dia, funcionando de quarta a domingo, das 09:00 às 17:00!
O principal objetivo dos responsáveis pela reserva é a plena integração dos seus visitantes com a natureza sem este causem qualquer interferência no ambiente. Todo o cuidado é tomado uma vez que devemos considerar que estamos numa área inóspida, onde podemos nos deparar, a qualquer momento, com os animais da floresta, como aranhas caranguejeiras, cobras e o quase extinto bugio-ruivo, uma das principais atrações do local.
Aliás, tivemos duas oportunidades desse encontro: o primeiro, ao pegarmos nossas bikes no final da tarde, quando avistamos um exemplar bem acima das nossas cabeços, quieto, observando toda a nossa movimentação. O segundo encontro, porém, não foi tão feliz. Encontramos outro bugio na estrada de volta, só que morto por atropelamento, o que nos faz refletir sobre as conseqüências da nossa presença a todos os animais que habitam o lugar.
Depois de uma “caça ao Tatu” – pois não sabíamos exatamente onde ele havia montado nosso acampamento, nos livramos das mochilas, tênis, enfim... nada como um chinelo nos pés depois de 60 km em cima de uma bike debaixo de sol forte e calor intenso.
Mortos de fome, começamos a devorar tudo o que estava assado. Tatu completamente aprovado como assador. Só precisamos saber se o paladar estava apurado pela qualidade do churrasco ou pelo tamanho do buraco em nossos estômagos! Méritos também pela caixa de uvas trazidos pela Naná diretamente do seu sítio: sucesso entre os amigos.
Depois da comida, um convidativo banho nas raras águas despoluídas do Guaíba. Água morna no começo e fria ao fundo, podemos dar umas braçadas e integrar ainda mais o grupo com altos papos submersos. Muito cuidado com o “Nego D'água”!
Tarde perfeita, muita diversão e papo onde o assunto preferido era, como não poderia deixar de ser, bikes e viagens com elas!
No final da tarde levantamos acampamento. Eu, com medo de minhas pernas recém reintegradas às pedaladas atrasar o grupo, optei por voltar junto com Tatu, levando a magrela sobre o carro. Com aperto no coração, acompanhamos nossa equipe durante boa parte do trajeto de volta até Porto Alegre, agora pelo Belém Novo devido ao grande movimento de carros voltando das praias de sal e água doce!
A tarde trazia brisa e nos livramos da interferência contínua do sol, garantia de um retorno muito mais ameno.