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Ténéré Experience 2012 - Por Jerre Rocha

A lendária família Ténéré tem no Brasil uma representante de um quarto de litro. Desde o seu lançamento, a Yamaha XTZ 250 Ténéré causou uma boa impressão, tanto por seu apelo moto-turismo quanto por suas qualidades off-road. Para conhecer melhor esta máquina, este teste foi proposto em uma distância de 1.125 quilômetros em um roteiro extremo, no qual poucas vezes levei uma moto a um limite como este.

Estilo

Em um primeiro contato: sensações. Ela transmite a sensação de ser uma moto maior, frontalmente há faróis duplos, possui carenagem e seu tanque é volumoso. No entanto, a traseira deixa a desejar por ser muito compacta. Acredito que os engenheiros da fábrica consideraram que o consumidor sempre iria instalar baús laterais e traseiros. Este é um item que merece mais atenção, pois a moto é belíssima.

O assento é bem amplo, possui degrau que é ótimo para caronas baixinhas. A princípio pode parecer que sua espuma tem a densidade muito dura, mas após alguns quilômetros esta sensação desaparece.

O painel é bem apropriado ao moto-turismo, possui marcador de combustível e dois hodômetros parciais (Trip A e Trip B). Além disso, o painel tem boa leitura diurna e noturna. O guidão alto com amortizadores proporciona boa ergonomia para pilotagem. A motocicleta freia bem, pois está equipada com freios a disco em ambas as rodas. Para completar, piscas com bom tamanho, na medida, e  lanterna traseira que cumpre com seu papel, em uma rabeta inexistente.

Rodando

Para uma estatura de 1 metro e 90, a posição de pilotagem foi confortável nas varias situações enfrentadas, diga-se asfalto, chão batido, cidade e estradas. Velocidade máxima chegou na casa dos 130 km/h, com alforjes carregados, piloto e carona.

Na cidade, gostei, impõe respeito, isso é ótimo e na questão de manobra, vai tranquila entre os carros.

Consumo

O consumo ficou entre 27,33 e 29,67 km por litro, considerando trechos planos e serras.

Motor

Já tradicional, o motor 250cc tem um ótimo histórico: é o mesmo que equipa a Fazer e a Lander. Com pistão forjado, cilindro com revestimento cerâmico e injeção eletrônica, o motor é confiável e econômico. Na Ténéré continua cumprindo seu trabalho. O câmbio algumas vezes é um pouco duro, nada demais, mas pode melhorar.

Considerações sobre o roteiro do Teste e situações enfrentadas

Saímos de uma altitude de 10 metros e fomos a 1.421 metros acima do nível do mar (pressão atmosférica). Mas ela sofreu mesmo foi na região dos Campos de Cima da Serra, estrada em péssimo estado entre Cambará do Sul e São José dos Ausentes/RS, onde fui obrigado a rodar usando 1ª, 2ª e 3ª marchas somente por 50 quilômetros, sempre em estrada de chão batido.

Melhorou entre São José dos Ausentes/RS e Morro da Cruzinha, 2º ponto mais alto do RS, trecho de 42 quilômetros, chão batido.

Na Pousada Fazenda, usaram cavalos para ir ao Cânion Monte Negro, ponto mais alto do Rio Grande do Sul, mas eu usei novamente a moto para rodar nos campos, atravessando riachos, trechos sem estrada nenhuma. Os pneus Pirelli Scorpion MT 90 que equipam a Ténéré cumprem otimamente a que se destina a moto. Outro fato é o tanque com 16 litros, excelente, para quem quer sair e não ficar se preocupando com abastecimento e roteiro.

Mas como era uma viagem de sete dias, continuei até Santa Catarina, mais exatamente Serra do Rio do Rastro, tudo por chão batido, e estradas sempre passando por campos, plantações de maças, até sair em Bom Jardim da Serra/SC.

Curvas para ver como ela se comporta nada melhor que as 284 que se encontram na serra, e novamente não decepcionou.

Asfalto até Praia Grande/SC, a cidade dos Cânions. Subi e desci a Serra do Faxinal por duas vezes. Curvas e curvas, pedras soltas, asfalto e chão batido.
No próximo trecho, ela teve moleza, entre Praia Grande em SC até próximo a São Francisco de Paula/RS, asfalto de boa qualidade.

Mas na descida da Serra do Umbu até Barra do Ouro/RS, chão batido e chuva por um trecho de em torno de 50 quilômetros, sendo a estrada um misto de cascalho e bons quilômetros de barro e pedras soltas, onde fui obrigado a rodar muitas vezes em 1ª marcha, ela carregada total, eu carona e alforjes.

Em algumas vezes, como a Ténéré tem o recurso de desligar o farol, usei-o desligado. Outra ótima sacada foi o lampejador.

Subida da Serra da Boa Vista entre Barra do Ouro e Riozinho/RS, novamente, colocada à prova a moto, pois os trechos acima descritos sempre em estradas de chão batido.

Em meus roteiros pela cidade, ela foi ao limite em termos de estradas.
Utilizei uma estrada que ainda não foi inaugurado, um trecho de ladeira de cinco quilômetros com um misto de saibro em uma pequena parte e restante chão argiloso, mesmo sabendo do risco do para lama baixo rente a roda dianteira trancar com a junção do barro. Não deu outra, trancou tudo.

Quando já tinha pedido para a Mara ir buscar ajuda na pousada que estávamos, que não era longe, para conseguir tira-la daquela situação, me veio à mente o kit de ferramentas.

Normalmente, eles são com poucas opções de chaves. Surpresa, lá estava à chave que eu precisava. A retirada do para lama dianteiro foi fácil e rápida.
Subir na moto, acelerar morro acima, pegar a Mara na subida e sair do sufoco. Mais um ponto para a Yamaha na questão do Kit de ferramentas.

O restante foi o retorno para Porto Alegre/RS, em um percurso de 1.125 quilômetros rodados em sete dias.

A Ténéré foi utilizada em minhas matérias turísticas, levantamentos de novos roteiros de moto turismo que conduzo. Passou no teste. Motor de um quarto de litro para ser usado no dia a dia e em suas aventuras, solo ou com carona.

Agradecimentos - Yamavale Motos

Por Jerre Rocha

Fonte: Jerre Rocha
Cidade: Porto Alegre-RS-Brasil
Fotos: Jerre Rocha
Publicado: Joana Dias
DATA: 16/02/2011 <%insert_data_here%>


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