Nosso guia perguntou se queríamos almoçar, mas a gente não estava com fome de comida e sim de conhecimento, falamos de lugares para ficar e ele disse que tinha um amigo rapa nui que tinha uma pousada próximo dali e que era muito agradável, então fomos ver, o lugar é lindíssimo, um jardim, palmeiras de 10 anos que não tinham um metro ainda, mas tudo florido e bem cuidado, a casinha, um simples barraco, mas agradável, pelos 30 dólares por pessoa, um lugar bem central, seria uma boa pedida para voltarmos a este lugar. A cidade deve ferver no final do dia, com as baladas, muitos estrangeiros, principalmente os chilenos.
Observei várias flores que eu gosto, como jasmim manga, uma flores amarelas grandes, bugaville, tudo muito ao meu gosto. Certamente vou voltar para passar uma semana ali. Também nos falaram de ficar no campo, eles tinha uma casa de campo com cavalos, para andar e curtir o lugar.
Nosso guia falava muito de fazer uma sociedade com um investidor para os negócios de carro dele. Falava que o retorno de investimento seria de um ano. Detalhava para a gente e realmente era uma oportunidade incrível. Também citou os casos de sucesso de outros na ilha, e a vantagem das isenções de imposto da segurança que se tem na ilha, principalmente as perspectivas de crescimento e público o ano todo, inclusive no inverno, pois na ilha não é frio.
Em vez de almoçar, fomos nos moais do mar, onde tinha a festa cultural deles. Os moais de olhos coloridos, também o moais fabricado para passear pelo mundo. Ele explicou os símbolos, nas costas dos moais, do homem-pássaro, da tradição deles. Falou também das pessoas que alugaram bancadas durante a festa por 2 mil dólares, mas que lucram mais de 5 mil. Eu fiquei observando também a decoração, achei muito criativa, dos cabelos de palmeiras e dos monstros que estavam pintados nas paredes..
Tirei fotos de moais e fui bem perto para ver como eram, todos de pedra vulcânica, bem porosa, que antigamente eram usadas pedras como basalto para esculpir as estatuas.
Fiquei pensando sobre a cultura deles, antigamente tinha muita árvore na ilha, uma floresta, que foi sendo dizimada, removendo as árvores para fazer barcos, usarem como alavancas para transportar as estatuas, e. com isso, a ilha foi ficando sem árvores, com o vento e a terra pobre, elas levam muito tempo para crescer, a ilha praticamente se desertificou.
Isso me fez refletir sobre o nosso planeta, nas pessoas que também não tem noção do impacto que as suas atitudes tem, pois pensam que nada vai terminar, voltava o meu pensamento em como eles usavam cordas, naquela época eram cipós? logo não tinha mais. Perguntei ao guia mas ele não sabia me explicar, acho que eles utilizavam folhas de palmeiras.
Chegamos no museu e fomos direto para os moais da beira do mar.Tinha um moai gigante. Nosso guia lembrou de a gente não subir no moai e respeitar os limites.
Na direção tinha uma bancada de artesanatos, fomos olhar na passada e saiu uma menina mulher de baixo, falando q estava muito quente para ficar ali, puxamos papo e ela explicou que era de Santiago e ficava ali no verão, pois tinha bom retorno. Olhamos os artesanatos dela e outros, alguns achei legais, já as estátuas 400 dólares por uma de uns 30 centímetros, sem noção. Fomos então ver os moais.
Chegamos perto do grandão, ele estava como os outros, voltados para o lado de dentro da ilha. Todas alinhadas no chão, formando um tapete. Incrível o bom gosto.
O Gunnar que já tinha visitado há mais de 20 anos, disse que já existia isso desde aquela época.
Tiramos uma série de fotos, também percebi que o certo era vir bem cedo da manhã, pois este horário do meio dia, as fotos não ficariam muito boas. Também observei bem e vi que este tinha os olhos desenhados, coisa bem diferente dos outros moais.
Fomos em direção aos outros moais, observar, no caminho vimos o pessoal tomando banho no mar, e as rochas vulcânicas tinham criado uma piscina natural, com diversas crianças brincando ali, gritando muito.
No outro ponto, bem ao lado, tinha uma série de moais, mais ou menos uns cinco, muitos quebrados e colados com cimento. Dava para ver os impactos da natureza. Tiramos fotos e eu como sempre empolgado queria saltar.
Coitado do meu amigo Gunnar, ele rejeita tecnologia, e não tem nem celular, muito menos máquina fotográfica digital. Pedi para ele tirar fotos de mim saltando. A gente ria muito, eu tentando dar meus saltos e ele tentando tirar as fotos. Estava muito divertido, aliás, achei que poderia ser chato viajar com alguém que não gosta de fotos e de tecnologia, mas nesta vigem, está muito divertido. O Gunnar é um cara muito experiente, então, tenho muito a aprender... e ele de me aguentar.
Caminhamos por ali, olhamos as casas das pessoas, o Gunnar falou que toparia viver ali, viu uma casa toda de pedras, disse que seria a casa que ele gostaria. Estimulei ele a vir morar ali.
Nós nos divertimos muito. Olhamos para o carro do nosso guia todo aberto, por causa do calor. A gente não entendia porque não criavam locais para proteger do calor, acho que deve ser porque não gostam de trabalhar ou não gostam de fazer algo e sim esperar o dia passar.
Voltamos para a menina do artesanato, que saiu novamente debaixo da barraca.
Toda simpática, conversamos mais sobre o local, sobre ela, sobre o motivo que ela não vivia ali, ela falou que gosta das festas, do agito de Santiago, mas que ali na ilha ela ganha mais dinheiro e tem que viver a festa e ganhar para viver. Comprei um amuleto,q eu representa o meu estilo, uma pessoa pulando de alegria, é o que significa nos desenhos dos antigos.
Voltamos para o carro todo aberto, estava lá dormindo nosso guia, melhor, nosso motorista. Seguimos então para o vulcão, na subida tinha uma floresta de eucaliptos nada cuidado, e do alto deu para ver a dimensão da cidade, não paramos ali, pois queríamos chegar logo no vulcão.
A estrada estava péssima, muita poeira, muito calor, os vidros do carro não abriam, ríamos muito. Quando chegamos ao topo, e fomos ver o vulcão, fiquei emocionado, ele estava com muita água e cheio de plantas flutuantes, era imenso. Na subida, o motorista nos explicou que a água que o povo antigo usava era a do vulcão acumulada da chuva, hoje já possuem poços artesianos. Fiquei pensando no trabalho que eles tinham para subir e descer, também onde armazenava a água, respostas que o nosso motorista não tinha. Outra coisa, aquela área era usada só em setembro porque naquela época era escolhido o chefe da tribo, disputa entre os clãns.
Ficamos ali curtindo o vulcão, eu nos meus saltos, de fazer o Gunnar e o motorista rirem. Tinham medo que fosse cair, mas estava sem forças. Tentava o salto, eu estava muito feliz, o motorista falava que antigamente o pessoal plantou muitas frutas lá em baixo, tipo uvas, bananas e outras mais, procurei e consegui ver algumas bananeiras.
Minha vontade era descer lá, mas não podia. Por isso, as coisas no mundo ficam cada vez mais limitadas. Depois de muita diversão, o guia falou que antes, quando ainda não existiam fotos, as pessoas saltavam e rapidamente alguém escrevia nas pedras o desenho do salto. Morremos rindo.
Fomos então para a região de onde acontecia a competição dos pássaros.
Eu tinha lido muito que mudou a religião e os valores da ilha de moais para a competição dos clãns. A disputa era de quem conseguia chegar em uma ilha a 1400 metros da ilha maior e buscasse em setembro um ovo de um determinado pássaro.
Quem chegasse em primeiro tinha direito a uma virgem que era preparada.
Do homem- pássaro tem muitas cosias escritas nas pedras sobre a união do homem com o pássaro, e também a forma que era disputada.
Fiquei lendo tudo o que tinha ali, e me impressionei, viajei, foi ótimo ter visto as danças da polinésia antes, pois dá a dimensão da disputa, da força e da sensualidade das mulheres. Estes momentos foram incríveis na minha vida, assim como vão se formando valores e sentimentos. Tem que estar aqui para vivermos e maturarmos estes valores. Olhei também para as plantas que estavam sofrendo.
Ali também tinha uma série de casas de pedras onde viviam os sacerdotes e a alta aristocracia da ilha, que acompanhavam as disputas.
E a falta de água, ninguém vinha molhar as plantas, pensei no pessoal, nos guardas do parque e dos porteiros , eles não tinham gosto pelas plantas, era um trabalho de cuidar de algo e não de ajudar a natureza. Pensei muito sobre isso aqui, no mundo e no Brasil. Será que eu estou certo que são as pessoas que dão valor mínimo ou minhas pretensões por gostar da natureza e saber que é preciso fazer algo? Foi legal pensar nisso. O mundo deve mudar, talvez terão que perder tudo que tem para valorizar, mas deixa para lá.
Voltei então para o local, cruzei por um casal de gay que estava no navio, a mulher tinha uma boneca, que impressionava as pessoas, mas para mim era o amuleto dela, não me afetava como a muitos, tinha consciência do mundo que eu vivia. Chegamos a um ponto onde eu via as duas ilhas, as ilhas das disputas. São lindas, vi um barco chrgar, era um bote, trocava de lentes, para ter fotos diferentes.
Ficamos vendo as casas de pedras onde a aristocracia permanecia durante os jogos do homem- pássaro. Passamos até chegar a encosta do vulcão novamente, ali tinha uma área onde só poderiam ficar cinco pessoas ao mesmo tempo, pois há risco de desmoronamento.
Seguimos vendo as casas de pedra, cobertas de grama, já tinha visto algo assim no Canadá, onde os vikings viviam, é uma forma interessante de manter o ambiente interno e protegido.
Caminhando de volta, vimos uma árvore muito antiga, mas não conseguiu ficar alta, tinha alguns tubos de plástico para alimentar beija-flor. Voltamos ao nosso carro.
A volta foi naquela estrada difícil, um calor, uma poeira. Assim, seguimos depois de parar meia hora no bar de volta ao barco, já eram 18 horas, no caminho aprendemos sobre algumas regiões magnéticas que os carros sobem em vez de descer se for desligá-los. Também encontramos mais cavalos pela estrada e finalmente chegamos à praia.
Despedimo-nos do nosso motorista e guia, o Gunnar voltou para o barco e eu fui tirar mais umas fotos dos moais e conversar com o guarda parque.
Aprendi como fazer um chapéu de taquarinha, para proteção solar. Também conheci mais sobre a cultura deles.
Voltei ao barco, troquei de roupa, peguei um calção e a máquina para tirar foto na água, fui para a praia, ainda tinha mais uma hora para curtir aquela areia branca, água limpa e nadava entusiasmado, conversei com diversas pessoas locais, a maioria chileno de Santiago.
De vez em quando vinha uma onda de água mais geladinha, maravilhoso. Fiquei nadando ali até o limte do tempo.
Retornei ao barco incrivelmente feliz, conversando com o JJ, o naturalista, era bem amigo.
Tomei um ótimo banho, demorado. Depois fui jantar, enquanto viajávamos, o barco circulou a ilha, eu me dividia jantando e indo tirar fotos até anoitecer, depois ficamos no bar conversando até chegar a hora de dormir, eu e o Gunnar estávamos exaustos, principalmente porque pegamos muito sol e eu brinquei muito naquele mar.
Estava chegando o meu aniversário, já estava certo de que eu tinha ganho meu presente, provavelmente quando acordasse, pelo fuso de 4 horas, eu receberia muitos e-mails pelo aniversário, seria o momento de me emocionar, pois sei que tenho muitos amigos de valor. Mesmo que eu não conviva tanto assim com eles, mas são amigos do peito.