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Aventura no Ártico

A simples menção da palavra Ártico evoca em quem a ouve. A imagem de terras geladas, tempestades de neve e iglús habitados por esquimós, o Ártico é um pouco disso, mas, também, muito mais.

Todas as terras que ficam acima do Círculo Polar Ártico são chamadas comumente de Ártico, de um lado no Canadá e Alaska, do outro na Russia (Sibéria). O Pólo Norte, ao contrário do Pólo Sul, que fica no continente Antartico, fica no meio do nada, ou melhor, em plena calota polar, que nada mais é do que a superficie do mar congelada. O interesse maior do ártico reside em sua fantástica e variada fauna, e os povos que habitam esta região desolada e extremamente rude. Chamados de esquimós (comedores de carne rua) pelos indígenas que habitavam ao sul do Canadá, estes povos chamam a si mesmos de Inuit (o povo), ou no singular: Inuk. Meu nome é Camille Kachani, sou fotógrafo, e já participei de 4 expediçoes ao Alto Ártico, sendo dos pouquíssimos brasileiros que estiveram na região. Na ilha de Ellesmere, onde estive em julho de 91, existem grandes concentrações de animais como boi-almiscarado, focas barbadas, narvais, belugas, além de uma infinidade de espécies de pássaros. Durante o curto verão ( Junho- Agosto) a temperatura sobe para 5 º C , e o sol brilha durante as 24 horas do dia. É uma época maravilhosa para o trekking e avistamento da exuberante fauna local. Na estação Internacional de Pesquisas do Ártico, onde fiquei hospedado por 2 semanas, cientistas de vários países pesquisam os aspectos da ecologia da região. Como por exemplo, o "permafrost". Trata-se do solo congelado, formado por uma camada de 30 cm de terra orgânica, sobre outra camada de terra mineral, que nunca derretem, e funcionam como isolante térmico, sem o que a tundra viraria um imenso lodaçal durante o verão. Em 1995, percorri 450 km sobre o mar congelado, no extremo norte da Groenlandia, acompanhando Inuit caçadores de foca. Usando apenas trenós puxados por cães, e dormindo em barracas sobre o gelo, durante 15 dias enfrentamos temperaturas que variavam entre -20º a -35º C. Os cães, animais semi-domesticados, não são em absoluto animais de estimação, mas sim de carga, e são tratados como tais. Animais extremamente fortes e resistentes, aguentam puxar até 300 kg por matilha (12 caes), durante mais de 12 horas por dia. Ao fim da jornada, cada Inuk alimenta seus caes com um pedaço de carne de foca crua, pesando 1 kg, com pelos e gordura inclusive, e que é deglutido de uma vez só pelos bichos. Foram destes corajosos animais a lembrança mais impressionante que até hoje guardo da Groenlandia. Voltando de uma pequena ilha chamada Qiqiktarjuaq, ao leste da grande ilha de Baffin, no ínicio de setembro deste ano, fiquei literalmente ilhado por 12 dias numa aldeia Inuit. O mar, que nesta época deveria estar livre, por causa de um violentíssimo vento norte, acabou completamente tomado por blocos de gelo e icebergs, que ao invés de se espalharem por mar afora e derreterem, voltaram para a costa. O evento foi terrível para a comunidade Inuit, já que lhes foi impossível saírem ao mar para caçar focas. As focas são o principal sustento deste povo, pois fornecem carne, gordura e pele. Infelizmente, o clima no Ártico é completamente imprevisível, passando de um extremo a outro em questão de poucas horas. Isto é um pouco desta terra bela e selvagem, cujo encanto nunca cansarei de apreciar. Camille Kachani é artista plástico e fotógrafo de natureza. Suas expediçoes, seja para fotografar animais selvagens ou conhecer tribos distantes, já o levaram ao Ártico, Amazonia, Africa, Nova Guiné Papua, entre outros. Fonte: Site Bioterium: www.bioterium.com.br Contato para palestras/cromos : (0XX)-11-3666.9508 email: camillek@uninet.com.br Texto e fotos Camille Kachani
Cidade: Ártico-RS
Fotos: Camille Kachani
Publicado: Ananda Franco Garcia


 

 

 

 

 
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