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Valdemar Maldaner voltou ao passado
Os Maldaner voltaram às origens. Em 13 de novembro de 2005, na 5ª Maldaner Fest em Dois Irmãos, local onde se instalou a primeira família Maldaner no Brasil. Este dado, quem descobriu foi Padre Valdemar, que no encontro conversou com o INEMA.
A Família Maldaner, através das pesquisas do Padre Valdemar Maldaner descobriu que são todos descendentes de uma mesma família que se aventurou a sair da Alemanha para tentar nova vida no Brasil. Então, passou a organizar encontros para reunir os Maldaner espelhados pelo Brasil. A última festa foi realizada em Dois Irmãos, ocasião em que o INEMA teve a oportunidade de conversar com Padre Valdemar sobre suas descobertas.
São quase vinte anos de dedicação e busca por informações sobre o casal Johann Maldaner e Elisabeth Adams, ou sobre qualquer grupo ou Maldaner que tenha se estabelecido no Brasil. Há 15 anos atrás, Padre Valdemar não tinha nenhuma informação concreta sobre os Maldaner, sabia apenas o que o pai havia lhe contado em suas histórias. Então, quando fez sua primeira viagem à Alemanha localizou um grupo de dança que poucos meses antes havia estado no Brasil. Um dos integrantes, contou-lhe que no grupo tinha duas meninas com o sobrenome e se dispôs a ajudá-lo.
Foi na Alemanha então que as pesquisas começaram, mais precisamente em Limbo. Valdemar encontrou informações sobre alguns Maldaner na região, ocorre que estes eram comerciantes. "Já naquela ocasião eu disse, daqui não vieram" isso porque, justifica ele, a família que veio ao Brasil era de agricultores e dificilmente se largaria o comércio para voltar a agricultura. Além disso, a tradição falava de outra região da Alemanha.
Ao retornar ao Brasil, Valdemar continuou suas buscas. Foi a Porto Alegre onde descobriu uma pista que o fez escrever para a Alemanha. Entre vai e vem de cartas e informações chegou aos arquivos de uma diocese na Alemanha que lhe forneceu a ficha da família e o lugar de onde tinham saído. Numa próxima viagem, foi aos Alpes, visitar os parentes da mãe, também originários da Alemanha e com os quais sua ligação é mais próxima.
Valdemar estava próximo ao local de origem dos Maldaner e aproveitou o passeio para adiantar suas pesquisas. Lá, havia uma pessoa que também procurava sobre a família Maldaner e ao descobrirem um ao outro combinaram juntos uma viagem a Áustria. Na época em que vieram os Maldaner ao Brasil, não havia a Alemanha, o território pertencia ao Império da Áustria. "Lá era a origem de tudo, do nome Maldaner'. Dessa forma foi possível localizar as principais famílias no Brasil. Quando retornou, Valdemar escreveu ao Padre Arno Maldaner, falando sobre suas descobertas.
"Padre Arno ficou muito satisfeito e logo me respondeu, disse que enfim teria um companheiro para organizar um encontro." Arno também já havia estado fora do país procurando sobre os Maldaner, mas tinha pouco material e não fez anotações. Juntando os interesses desses dois pesquisadores à vontade de um grupo de Dois Irmãos, foi promovido o Primeiro Encontro da Família Maldaner em Pinhalzinho. Começou a integração, troca de informações e conhecimentos mútuos entre essa grande família já espalhada pelo Brasil.
Conseguir informações sobre a família, tem sido tarefa difícil para Valdemar. No Brasil, enfrenta a falta de dados nos registros. Imigração, colonização, dados históricos, nacionalização, nenhum setor do governo guarda informações que constem o nome Maldaner. Já na Europa, o centro de emigração da Alemanha não registrou os que vieram ao Brasil. Além disso a Europa teve guerras, destruições de arquivos. Não se encontra nada em livros, não há mais onde procurar.
O que se sabe é que Johann Maldaner e Elisabeth Adams vieram com seis filhos e anos mais tarde chegou ao Brasil apenas um rapaz com o mesmo sobrenome, que se estabeleceu em santa Cruz. "Hoje acho que não tem ninguém mais por lá. Outros anos tinha alguns, mas é um grupo bem pequeno." Então, a maioria das pessoas de sobrenome Maldaner tem algum grau de parentesco.
Contrariando as dificuldades, sempre que pode Valdemar continua a buscar em novas fontes qualquer informação que possa lhe esclarecer mais sobre a família. Há poucos dias, esteve em Porto Alegre na Comissão de Terras para ver se encontrava o número de lote que teriam recebido, mas só conseguiu a explicação de que na época o título de proprietário demorava, precisavam antes pagar uma certa taxa e depois legalizar a terra. Isso podia levar 50 anos ou mais. Assim, é possível que até vir o título a família já tenha morrido ou, se alguma filha permaneceu lá, ficou com o nome do marido.
Desde a idéia lançada por Padre Arno, já passaram alguns anos e o quinto encontro, foi feito no mesmo ano em que completou-se 150 anos da chegada da primeira família Maldaner ao Brasil. Este ano, o número de participantes foi fraco. Em parte, acredita Valdemar, pela ausência de Padre Arno na equipe organizadora. Arno ficou doente um ano antes do encontro e não pôde mais auxiliar nos preparativos da festa. Assim, o grupo precisou assumir com pouco tempo e teve dificuldade em fixar a data.
No mesmo dia 13 havia muitas festas na cidade onde vivem integrantes da família. Em Pinhalzinho ocorria uma festa, Selbach e Bom Princípio realizavam muitas 1ª comunhões. Santa Maria também, realizava a Romaria Medianeira. Ainda com 250 participantes, foi muito bom, válido, já que representantes de todas as regiões se fizeram presentes. Os cinco anos de sucesso do encontro, são em parte mérito dos organizadores e de Padre Arno, quem lançou a idéia.
A cada ano as mudanças no encontro foram poucas. Acrescenta-se alguns dados, como o brasão da família apresentado este ano, mas a grandiosidade da Maldaner Fest está na oportunidade de conhecer ou rever amigos, parentes, trocar informações. "Vejo aqui pessoas de muitos lugares, dificilmente conseguiria revê-los se não tivessem os encontros."
Enquanto puder, Padre Valdemar continuará suas pesquisas, pois como no provérbio citado por ele, - Não dá lucro mas é divertido. "É sempre bom quando consigo encontrar algo mais."
Equipe INEMA
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